Cena 1 - Café onde vou quase todos os dias beber a bica. Uma jovem mãe com o filho, um puto de uns quatro ou cinco anos, bastante irrequieto. O puto corre pelo café, empoleira-se nas mesas, sobe e desce das cadeiras, entorna o leite, suja-se com os bolos e guloseimas, quer isto e aquilo, grita, faz birras, atira o queque para o chão porque não era aquele o bolo que desejava...
A mãe repreende o puto com palmadas nas mãos, açoites no rabo, alguns abanões. O puto chora. A mãe pega-lhe ao colo e mima-o. Compra-lhe o bolo com creme que o puto deseja. O puto suja-se com o creme, põe-se de pé em cima da cadeira, cai e choraminga. A mãe segura-o por um braço e repete-lhe: “És mau, muito mau, não gosto de ti, não gosto nada de ti...” O puto chora alto e tenta bater na mãe. A mãe pega-lhe de novo ao colo e dá-lhe muitos beijinhos.
Cena 2 – Um escritório. Entra um pai com uma filha de uns três anos. Enquanto o pai conversa e trata do assunto que lá o levou, a miúda parte á descoberta do território. Mexe nos computadores, calculadoras e outras máquinas, carrega em todos os botões, parte alguns, desarruma agrafadores, papeis e canetas, risca paredes. O pai olha-a benevolente, sorri e limita-se a repetir um “não mexas aí” sem convicção. Uma empregada do escritório tenta “distrair” a miúda e leva-a a uma sala lá dentro para lhe dar um copo de água. A miúda regressa com uma colher na mão, com a qual bate em tudo e em todos, muito divertida. O pai sorri, encantado com as gracinhas da menina e repete um “tá quietinha” sem convicção.
À despedida, a miúda recusa-se a devolver a colher, gritando e chorando. O pai, complacente, diz apenas: “Deixem lá ela levar... É só uma colher, depois eu devolvo.” A miúda sai, vitoriosa, ao colo do pai, a bater-lhe nas costas e na cabeça com a colher.
Não são cenas de nenhum filme. São cenas da vida real, a que eu assisti. Lembrei-me delas – e de várias outras que ocupariam muito tempo e espaço a contar – a propósito de uma notícia que tinha como título «Não basta intuição para educar os filhos».
De acordo com a referida notícia, relativa á realização do Congresso «Pais no Século XXI - um desafio a vencer», realizado em Lisboa, defendeu-se a criação de «escolas de pais» nas escolas dos filhos para fomentar a educação parental no País, aliás já consagrada na lei, mas sem ainda ter passado de intenção no papel.
Isto porque, de acordo com Manuela Neto, coordenadora nacional para os assuntos de família, «nos dias de hoje não basta a intuição para educar um filho». Muitos pais, apesar de todo o amor que têm pelos filhos e desejando o melhor para eles, e ainda que cheios de boa-vontade, educam-nos de uma forma caótica, por motivos diversos, balançando entre excesso de autoritarismo e excesso de permissividade.
Uma das razões muitas vezes apontada é a falta de tempo da família, mas segundo Daniel Sampaio, presente no referido Congresso, «o tempo é um falso problema. O que é importante é a qualidade do relacionamento».
As referidas aulas de educação parental consistem em reuniões de grupos de pais que, juntamente com técnicos e pedagogos da área, discutem e partilham as suas experiências.
Os cinco posts anteriores mostram magnificas gravuras de Mauritus Cornelis Escher.
Agora proponho que admirem estas cinco fabulosas interpretações de trabalhos de Escher em Lego.
Passar às três dimensões o que Escher esquematizou a duas, demonstra a verosimilitude do trabalho de Escher por um lado e por outro a capacidade de A. Lipson e Daniel Shiu na construção de modelos a partir de simples imagens planas.
Relativity, Belvedere, Ascending and Descending, Waterfall e Balcony são os prodigiosos trabalhos em Lego destes dois sujeitos.
Mauritus Cornelis Escher
Litografia de 1961
A água de uma cascata põe em movimento a roda de um moinho e corre depois para baixo, numa calha inclinada entre duas torres, em ziguezague, até ao ponto em que a queda de água de novo começa. Ambas as torres são da mesma altura, mas a da direita está, contudo, um andar mais baixo do que a da esquerda.

Mauritus Cornelis Escher
Litografia de 1960
Um pátio interior é circundado por um edifício cujo telhado consiste numa escadaria onde tanto se pode subir como descer, sem que no entanto se consiga chegar nem acima nem abaixo.

Mauritus Cornelis Escher
Litografia de 1958
O rapaz que está sentado no banco tem em suas mãos um objecto com a forma de cubo que, visto de cima, representa uma realidade diferente da de quando visto por baixo. Ele observa pensativamente o objecto impossível e não parece aperceber-se de que o belvedere, atrás das suas costas, é construído desta forma. No piso inferior, no interior da casa, está encostada uma escada pela qual sobem duas pessoas. Mas chegadas a um piso acima, estão de novo ao ar livre e têm de voltar a entrar no edifício.
Vem esta citação neo-marquexista a propósito de, nos últimos dias, a minha actividade bloguista, neste recanto da blogosfera, ter andado retraída. A actividade profissional, a vida familiar e alguns problemas a necessitarem de resolução urgente, não deixaram praticamente nenhum tempo para este vício. Pouca actividade aqui no blog e poucas visitas aos amigos da comunidade. Além disso andamos em comemorações cá por casa, ontem fui eu, hoje é a minha “menina” mais o pai dela, meu sogro, que estão em festa natalícia.
É só velinhas, docinhos e licores cá por casa.
Assassinato de Olof Palme (1927-1986), primeiro-ministro sueco.
Foi líder do Partido Trabalhista Social-Democrata da Suécia e primeiro-ministro por duas vezes (1969-1976 e 1982-1986).
Crítico da política americana no Vietname, foi um homem atento aos problemas de segurança na Europa e ainda mediador da ONU, na guerra Irão-Iraque.

Mauritus Cornelis Escher
Litografia de 1943
Quase toda a metade superior da estampa é a imagem reflectida da metade inferior. A escada superior, onde um bicho-rolapé desce da esquerda para a direita, reflecte-se duas vezes: no meio e no lado inferior. Na escada, no canto superior direito, neutraliza-se a oposição entre subida e descida: duas fileiras de bichos avançam lado a lado; contudo, uma sobe, enquanto a outra desce.
Nascimento de Linus Carl Pauling (1901-1994), cientista americano, galardoado com dois Prémios Nobel: o da Química, em 1954, por ter aplicado a mecânica quântica ao estudo das estruturas moleculares; e o da Paz, em 1962, pelos seus esforços a favor do controlo internacional de armas nucleares e, também, pelas campanhas que realizou contra os testes nucleares.
Por causa de um ligeiro problema de saúde para o qual o médico me prescreveu, durante algumas semanas, um determinado tipo de dieta, fui à Internet – num gesto que é vulgar para mim e para um número cada vez maior de pessoas -, à procura de informações sobre o problema em questão e respectiva dieta.
De busca em busca, rapidamente me vi entre inúmeros sites que fazem a apologia da magreza, dos medicamentos-milagre de fácil aquisição, das dietas drásticas e... do não comer.
Exactamente como digo, há sites na Internet – bastante bem construídos tanto no aspecto quanto no conteúdo – que defendem que é possível viver sem comer absolutamente nada, apenas com um ou outro ocasional sumo de fruta. Sem riscos para a saúde, garantem, e muito melhor, vantajoso a todos os níveis para o corpo, para a mente, para a bolsa e até com a vantagem adicional de não se perder tempo na compra, confecção de alimentos e limpeza da cozinha. Que maravilha! É só vantagens...
Viver sem comer, como? Pois, vivendo da luz, respirando de uma determinada maneira, fazendo determinadas meditações e exercícios e não sei que mais... E todas estas teorias acompanhadas da fundamentação “científica” de tais postulados - inclusive com citações de Albert Einstein - e com fotos e entrevistas de vários adeptos. Já agora acrescento, entre os depoimentos de adeptos apareceu-me um que me chamou a atenção por ser de um nome relativamente conhecido ligado ao jornalismo televisivo. E, quanto às fotos, eram bem apelativas..., em especial as fotos de uma praticante e guru desta “ciência” da alimentação à base da luz solar. É que a dita senhora, ou menina, tem umas curvas... luminosas. Isto na foto, claro.
Claro que já sou crescidinho que baste para não acreditar em tais tangas. E, assim espero, a maior parte das pessoas que lêem estas coisas.
Mas, quantos jovens com a pancada da esbelteza e da magreza, alguns até com doenças ligadas aos distúrbios alimentares, não se poderão deixar tentar por tão sedutoras “doutrinas”? Com a agravante de tais sites ensinaram todos os passos, truques e conselhos para se chegar à pretendida meta de não comer.
Que a Internet é algo que se tornou indispensável no nosso dia-a-dia é quase inquestionável. Que é um meio extraordinário na procura de informações e conhecimento, também é certo.
Mas, como tudo na vida, é preciso ser usada com espirito crítico. A Internet está inundada de artigos e sites pseudo-científicos sobre os mais diversos assuntos. Não é só sobre a alimentação.
E, perante tal, que fazer? Quanto a mim, parece-me que o caminho certo não passa por proibições nem censuras mas pelo esclarecimento e diálogo – de pais, professores, médicos e outros profissionais, etc. – sobre a natureza da Internet e sobre o conteúdo de diversos sites que por lá abundam, sempre com o objectivo de elucidar e desenvolver o espírito crítico de cada pessoa..
Nascimento do escritor americano John Steinbeck (1902-1968), Prémio Nobel da Literatura em 1962.
The Grapes of Wrath (As Vinhas da Ira, 1939), obra que lhe valeu o prestigiado Prémio Pulitzer, The Pearl (A Pérola, 1947) e East of Eden (A Leste do Paraíso, 1952) são talvez as seus textos mais prestigiados.
Neste dia, mas algumas décadas depois, nasceria o autor deste blog, que infelizmente não tem o talento do John.
Foi assim que o morfeu comentou o Upgrade de Namorado 5.0 para Marido 1.0
Uma história deliciosa
Sem ofensa!...
EVA e DEUS
A melhor explicação que alguma vez li e ouvi...
Um dia, no jardim do Éden, Eva disse a Deus:
- Deus, tenho um problema!
- Qual é o teu problema, Eva?
- Deus, sei que me criaste e me deste este maravilhoso jardim e todos estes maravilhosos animais e esta serpente tão graciosa, mas ... não sou feliz.
- Porquê, Eva? - disse a voz lá de cima.
- Deus, estou sozinha e não aguento comer mais maçãs.
- Bem, Eva, nesse caso, tenho uma solução. Criarei um homem para ti...
- O que é um homem, Deus?
- Um homem será uma criatura defeituosa, com muitos atributos negativos. Mentiroso, arrogante, vaidoso; em resumo, fará da tua vida um inferno. Mas... será maior, mais rápido, e vai caçar e matar animais para ti. Terá um aspecto estúpido quando ficar excitado, mas, para que não te queixes, criá-lo-ei com o objectivo de satisfazer as tuas necessidades físicas. Será patético e sentirá prazer em coisas infantis, como lutar e dar pontapés numa bola. Não será muito inteligente e vai precisar do teu conselho para pensar adequadamente.
- Parece óptimo - disse Eva com um sorriso irónico.
- Porém...
- Qual é o problema, Deus?
- Bem... irás tê-lo com uma condição.
- Qual, meu Deus?
- Como te disse, será orgulhoso, arrogante e egocêntrico...
Assim terás que deixar que ele acredite que eu o fiz ...primeiro.
Morfeu
Message
Caro Suporte Técnico:
O ano passado fiz um upgrade do NAMORADO 5.0 para o MARIDO 1.0 e notei uma redução significativa da performance, principalmente nas aplicações FLORES e JÓIAS, que operavam sem falhas em NAMORADO 5.0. Além disso, o MARIDO 1.0 desinstalou outros programas importantes como ROMANCE 9.5 e ATENÇÃO AO QUE EU DIGO 6.5 e instalou aplicações indesejáveis, como SUPERLIGA 5.0. Também não tenho conseguido correr os programas CONVERSAÇÃO 8.0 e LIMPAR A CASA 2.5. O sistema fica bloqueado. Tentei correr o RECLAMAR 5.3 para corrigir esses bugs e não consegui nada.
Que hei-de fazer???
Ass.: Desesperada.
Cara desesperada:
Primeiro, tenha em atenção que o NAMORADO 5.0 é um programa de entretenimento, enquanto MARIDO 1.0 é um sistema operativo. Comece por fazer o download de LÁGRIMAS 6.2 e depois digite o comando C:\EU PENSEI QUE ME AMAVAS, para instalar o CULPA 3.0. Essa operação actualiza automaticamente as aplicações FLORES 3.5 e JÓIAS 2.0. No entanto, lembre-se que o uso excessivo desses programas no MARIDO 1.0 pode activar outros programas indesejáveis, como SILÊNCIO TOTAL 6.1 e FUTEBOL COM OS AMIGOS 7.0, que invariavelmente instala o CERVEJA 6.1. Este último é terrível, pois cria arquivos tipo WAV da versão RESSONAR ALTO 2.5. De qualquer forma, NUNCA instale SOGRA 1.0 ou reinstale qualquer versão de NAMORADO. Estas aplicações são incompatíveis e irão bloquear o funcionamento do sistema operativo MARIDO 1.0. Em resumo, MARIDO 1.0 é um óptimo sistema operativo, mas tem limitações de memória e demora a correr certas aplicações. Para o perfeito funcionamento do sistema, sugerimos que a senhora adquira alguns programas adicionais. Recomendamos JANTAR ROMÂNTICO 3.0 e LINGERIE 6.9!!! Tenha muito cuidado!. Algumas clientes instalam o FILHO 1.0 para tentar dar estabilidade ao sistema e muitas vezes isso causa um efeito contrário, acarretando uma necessidade de verificação total do sistema para garantir a existência de espaço no disco rígido e, sobretudo, assegurar a existência de um adequado ficheiro de paginação em MONEY 3.0!!
Boa Sorte.
Atenciosamente,
Suporte Técnico
Os genéricos vieram e, com eles, o governo prometeu que os doentes iriam poupar dinheiro.
Quando anunciou o novo sistema de preços de referência, o ministro da Saúde garantiu poupança generalizada para o Estado e para os utentes.
Segundo um estudo da Associação Nacional de Farmácias, em 2003 o Estado poupou 40 milhões de Euros, enquanto os doentes gastaram mais do que no ano anterior.
E a factura vai continuar a aumentar porque a taxa de majoração sobre o preço de referência, atribuída aos utentes do regime especial de comparticipação do SNS, só vigora até ao fim deste ano.
O consumo de genéricos ainda é baixo devido à resistência médica em prescrevê-los.
Por aqui se concluiu as promessas governamentais foram um logro para a os utentes.
Apesar da descida do preço de muitos medicamento de marca, apesar de um aumento relativo de consumo de genéricos, os doentes portugueses gastaram mais em relação ao ano anterior, devido à introdução do novo esquema de comparticipação dos medicamentos.
Não se compreende a resistência dos médicos à prescrição dos genéricos quando os mesmos são aceites em muitos países do mundo, inclusive onde há um forte controle de qualidade do medicamento. Portanto, só por hábitos de prescrição, resistência à mudança ou outros interesses camuflados, se pode entender a recusa de muitos médicos na introdução do genérico no receituário. No meio de tudo isto aparece ainda uma guerrinha entre os médicos e os farmacêuticos sobre a possibilidade de alteração da receita. Se a receita pode ou deve ser alterada, em nome dos interesses do doente, é o mote da discussão: cada um puxa a brasa à sua sardinha, mas, para o doente, não parece sobrar nem pão nem sardinha.
Sobre os preços dos medicamentos, há que realçar as movimentações da política de preços pela indústria farmacêutica. Alguns medicamentos de marca sofreram reduções de 50%! Será de perguntar porque não poderia ter sido feito anteriormente. Simplesmente porque a industria do comprimido o que dá com uma mão tira com a outra. E muito provavelmente tira mais do que dá. Portanto, entre genéricos, produtos “brancos” e produtos de marca, as alterações de preço vão conduzir a um equilíbrio de receitas para os laboratórios de maneira que as receitas fiquem, no mínimo, inalteradas. Como é usual, o contribuinte sai penalizado porque a comparticipação do Estado diminui à custa do doente. E, neste estado de coisas, se o doente protestar o Estado limita-se a responder que a culpa é do médico, que poderia receitar um genérico mais barato.
Não parece haver dúvidas que, em Portugal, se consome medicamentos em excesso.
Mas já se analisou a razão de tal facto?
Se o Estado investisse mais nos cuidados de saúde preventiva, será que não ajudava a diminuir o consumo de medicamentos?
Se não houvesse longas filas de espera para uma mísera consulta, ou se os utentes não tivessem de ir para longas filas de madrugada, ou deslocar-se a muitos quilómetros de distância para uma consulta, também não ajudaria a diminuir o consumo?
A falta de meios auxiliares de diagnóstico e a espera por longo tempo não faz que o estado de muitos doentes se agrave?
E a falta de organização dos centros hospitalares, a chamar mortos para consultas e operações, não ajudaria os vivos na resolução dos seus males?
Muita coisa vai mal na saúde de Portugal há muitos anos.
Até agora foram-se usando uns remendos para tapar os buracos mais visíveis, mas o sistema continua com uma “virose” multi-resistente no seu interior que até hoje ninguém acertou no “antibiótico” a usar, pelas simples razão de que não há um comprimido milagroso para a nossa doença. Precisamos alterar o funcionamento de muitas coisas desde o ministério da saúde ao hospital, ao centro de saúde, ao médico, do enfermeiro à organização burocrática, à farmácia,.....à mentalidade do doente.
Faz falta uma “revolução” ao sistema de saúde de ponta a ponta.
O rendimento per capita nas vinte nações mais ricas triplicou nos últimos quarenta anos, enquanto que nos vinte países mais pobres do mundo cresceu em média 21%, segundo os dados compilados num estudo elaborado nos últimos dois anos por uma comissão constituída pela Organização Mundial do Trabalho.
Explicando melhor, os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.
Já muitos o sentiram na pele. Este estudo só vem confirmar a evidência de muitos milhões de seres humanos.
É triste saber que há neste mundo muitos milhões de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia ou seja cerca de oitenta cêntimos de Euro.
É triste saber que há muitos milhões que morrem todos os anos por não terem nada para comer.
É triste saber que, com uma pequena parte do orçamento bélico mundial, se matava a fome a todos esses desgraçados e que todos os outros que vegetam miseravelmente poderiam ter uma vida mais digna.
Há alturas em que é triste vivermos com seres que provocam esta violência, esta opressão e este egoísmo.
As causas dos acidentes na EN125 são muitas. O que ninguém refere é a sinalização desconcertante que se encontra ao longo da via.

Agora que obrigatoriamente entrámos, quase todos, numa tesura forçada, talvez a fórmula da Manela seja a única satisfação possível.
Opine a sua satisfação.
A utilização do transporte automóvel na grande Lisboa e Grande Porto duplicou de 1991 a 2001, segundo o estudo «Movimentos pendulares e organização do território metropolitano» destas duas regiões, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística.
Neste período o transporte individual quase que duplicou.
Será possível que esta forma de transporte continue a crescer a este ritmo?
As cidades aguentarão esta invasão diária até que ponto?
Os problemas derivados deste movimento diário como a poluição, o desperdício de combustível, as percas de tempo, o estacionamento, o stress, o cansaço e outros vão continuar a verificar-se até quando?
Acho que ninguém tem dúvidas que a eficiência do transporte nos nossos dias, está no transporte colectivo. Até agora a questão não foi resolvida porque ninguém conseguiu instalar uma rede de transportes colectivos rápida e eficiente. Enquanto não se criar esta rede eficiente é muito difícil motivar alguém ao seu uso. A prioridade devia ser em avançar com esta rede rapidamente. Penso que ninguém duvida que a solução do transporte está na rede ferroviária. Com a rede a funcionar minimamente, a pressão do automóvel particular cairia e facilitaria a gestão do tráfego e do estacionamento. Sem esta rede só esquemas altamente penalizadores poderão demover muita gente a utilizar o carro particular. De qualquer forma, a introdução de formas alternativas ao transporte individual carecem de bastante tempo para a sua implantação, pelo que actualmente lidamos com questões que já deveriam estar resolvidas há muitos anos.
Sem uma visão concertada e abrangente com os vários interlocutores, colocam-se remendos pontuais para as situações mais graves, e a questão global vai-se agravando dia para dia.
Morte de José Manuel Afonso dos Santos (1929-1987), mais conhecido por Zeca Afonso.
Zeca foi um dos expoentes máximos da música popular portuguesa, e ficará sempre no coração e na memória das várias gerações que tiveram a oportunidade de admirar as suas letras e a sua música.
«Cantigas do Maio», «A Morte Saiu à Rua», «O Que Faz Falta», «Venham mais Cinco» e «Os Vampiros» são alguns dos seus êxitos.
«Grândola Vila Morena» tornou-se ainda mais famosa por ter servido de sinal para o início das operações da revolução do “25 de Abril”.
Certa vez, o mestre taoísta Chuang Tzu sonhou que era uma borboleta, voando alegremente aqui e ali. No sonho ele não tinha a mínima consciência de sua individualidade como pessoa. Ele era realmente uma borboleta e tudo lhe parecia absolutamente real.
Repentinamente, ele acordou e descobriu-se deitado na cama, uma pessoa novamente.
Mas então ele pensou para si mesmo:
"Fui antes um homem que sonhava ser uma borboleta, ou sou agora uma borboleta que sonha que é um homem?"
Conto Zen (adaptado por moi-même)

Mauritus Cornelis Escher
Xilogravura de 1938
Se nos fixarmos no losango branco central a baixo, automaticamente somos levados até ao céu, e o que de início era uma simples figura geométrica rapidamente se transforma num pássaro. Os pássaros brancos voam para a direita em direcção à noite que recobre uma pequena aldeia holandesa à beira de um rio. Os pássaros negros, por sua vez, sobrevoam uma imagem iluminada pelo sol, que é exactamente a imagem reflectida da paisagem nocturna.
Mauritus Cornelis Escher, nasceu em Leeuwarden na Holanda em 1898, faleceu em 1970 e dedicou toda a sua vida às artes gráficas. Na sua juventude não foi um aluno brilhante, nem sequer manifestava grande interesse pelos estudos, mas os seus pais conseguiram convencê-lo a ingressar na Escola de Belas Artes de Haarlem para estudar arquitectura. Foi lá que conheceu o seu mestre, um professor de Artes Gráficas judeu de origem portuguesa, chamado Jesserum de Mesquita.
Com o professor Mesquita, Escher aprendeu muito, conheceu as técnicas de desenho e deixou-se fascinar pela arte da gravura. Este fascínio foi tão forte que levou Mauritus a abandonar a Arquitectura e a seguir as Artes Gráficas. Quando terminou os seus estudos, Escher decide viajar, conhecer o mundo! Passou por Espanha, Itália e fixou-se em Roma, onde se dedicou ao trabalho Gráfico. Mais tarde, por razões políticas muda-se para a Suíça, posteriormente para a Bélgica e em 1941 regressa ao seu país natal.
Estas passagens por diferentes sítios, por diferentes culturas, inspiraram a mente de Escher, nomeadamente a passagem por Alhambra, em Granada, onde conheceu os azulejos mouros. Este contacto com a arte árabe está na base do interesse e da paixão de Escher pela divisão regular do plano em figuras geométricas que se transfiguram, se repetem e reflectem, pelas pavimentações. Porém, no preenchimento de superfícies, Escher substituía as figuras abstracto-geométricas, usadas pelos árabes, por figuras concretas, perceptíveis e existentes na natureza, como pássaros, peixes, pessoas, répteis, etc.
Seja lá quem for o Freddie Mercury que escreveu isto a verdade é que esta paixão não é recomendável.

Estamos a investigar para saber se já há modelo Paulo Portas pronto para entrar no mercado. O chamado Porta(s)-caneta.
Em Nairobi, no Quénia, depois de um extenso processo de recrutamento com entrevistas e testes , uma grande empresa contratou um grupo de canibais:
- "Agora vocês fazem parte de uma grande equipa" - disse o director de RH, durante a cerimónia de boas-vindas.
E continuando:
- "Vocês vão desfrutar de todos os benefícios da empresa, por exemplo, podem ir à nossa cantina quando quiserem comer alguma coisa. Só peço que não comam os outros empregados!"
Quatro semanas mais tarde, o director de RH chamou-os:
- "Vocês estão trabalhando duro e eu estou satisfeito, mas uma das nossas secretárias desapareceu. Algum de vocês sabe o que pode ter acontecido?"
Todos os canibais negaram com a cabeça. Depois de o chefe ir embora, o líder canibal pergunta:
- "Quem foi o idiota que comeu a secretária?"
Um deles, timidamente, ergue a mão. O líder responde:
- "Mas tu és mesmo um asno! Quatro semanas a comer engenheiros e ninguém percebeu nada... Mas não, tu tinhas que estragar tudo e comer uma secretária!".
Morte do escritor e professor Vitorino Nemésio (1901-1978).
Natural do Açores, foi professor da Faculdade de Letras de Lisboa.
Poeta, ficcionista, ensaísta, cronista, crítico literário, recebeu o Prémio Nacional de Literatura em 1966.
Festa Redonda (1950), Nem Toda a Noite a Vida (1952), O Pão e a Culpa (1955), O Verbo e a Morte (1959), O Cavalo Encantado (1963), Canto da Véspera (1966), Sapateia Açoriana (1976) e ainda o romance Mau Tempo no Canal (1944), são algumas das suas obras em destaque.

O Congeminações protestava por os modelos anteriores não terem peitos fartos e arrebitados, recorrendo mesmo se necessário ao silicone. Lamentamos, não poder satisfazer de momento a reclamação deste nosso amigo. Para entrega imediata, só temos barrigas cheias e bastante volumosas, mas ainda dentro do prazo de validade.
Uma empresa, entendeu que estava na altura de mudar o estilo de gestão e contratou um novo administrador.
Este veio determinado a agitar as bases e tornar a empresa mais produtiva.
No primeiro dia, acompanhado dos principais assessores, fez uma inspecção a toda a empresa.
No armazém todos estavam a trabalhar, mas um rapaz novo estava encostado à parede, com as mãos nos bolsos. Vendo uma boa oportunidade de demonstrar a sua nova filosofia de trabalho, o administrador perguntou ao rapaz:
- Quanto é que você ganha por mês?
- Quinhentos Euros - respondeu o rapaz sem saber do que se tratava.
- Porquê?
O administrador tirou quinhentos Euros do bolso e deu-os ao rapaz, dizendo:
- Aqui estão os seus quinhentos Euros deste mês. Agora desapareça e não meta aqui os pés nunca mais!
O rapaz guardou o dinheiro e saiu o mais depressa que pode.
O administrador, enchendo o peito, pergunta ao grupo de operários:
- Algum de vocês sabe o que este tipo fazia aqui?
- Veio entregar uma pizza - respondeu um dos operários .
Seguindo a sugestão do Período e da Blogotinha acrescento, esta Rainha, esta Princesa, esta Duquesa e este Rei, a esta festa de Carnaval.
Muitas são as queixas sobre os horários dos eclipses. Que dão tarde e a más horas, que o céu estava nublado e ninguém conseguia ver a ponta de um corno, que não apagaram a luz como é costume fazer no cinema, e, portanto, o espectáculo saiu descolorado... Enfim, lamentações atrás de lamentações que põem o muro do mesmo nome como um local de regozijo. Ora parem lá de reclamar e comecem a procurar aqui e ali, verão que há sempre um eclipse à espera de ser descoberto.
A partir de agora cada um pode ter o seu eclipse sempre à mão e sempre pronto a ser contemplado.
Nota prévia: Eu acho que as loiras não ligam a estas piadas correntes e têm suficiente inteligência para encaixar esta provocação; para as que não tiverem, então isto não é uma provocação.....
Uma loira não conseguia passar no teste para emprego nenhum. Resolveu tomar uma atitude extrema para ganhar dinheiro:
- Vou sequestrar uma criança! - pensou! Com o dinheiro do resgate eu resolvo a minha vida...
Ela encaminhou-se para um parque infantil, num bairro de luxo, viu um menino muito bem vestido, puxou-o para trás da moita e foi logo escrevendo o bilhete:
"Querida mãe isto é um sequestro. Estou com seu filho. Favor deixar o resgate de $10.000,00, amanhã, ao meio-dia, atrás da árvore do parquezinho.
Assinado: Loira sequestradora!
Então ela pegou o bilhete, dobrou-o e colocou no bolso da jaqueta do menino, dizendo:
- Agora vai lá, corre e entregue esse bilhete para a sua mãe.
No dia seguinte, a loira vai até o local combinado. Encontra uma bolsa! Ela abre, encontra $10.000,00 em dinheiro limpinho e um bilhete junto, dizendo:
"Está aí o resgate que você me pediu. Só não me conformo como uma loira pode fazer isso com outra...!!!!!!!"

Esta sugestão vem a pedido de alguns patrícios que pretendem fazer umas manifestações junto a vários Centros de Saúde, por causa das deficientes condições dos mesmos.
Será que esta é a imagem que eles gostariam de encontrar nesses centros, quando se vão queixar dos seus males?
O Gabinete de Auditoria e Modernização é o mais pequeno departamento do Estado – tem uma Directora, um subDirector e um motorista – mas tem ordenados principescos - 5.541 Euros para a Directora e 5.380 Euros para o subDirector.
A Celeste Cardona desencantou este departamento, que em tempos tinha considerado inútil, para encaixar dois jovens quadros, com pouca experiência mas com salários máximos.
Temos aqui mais um caso de um “job for a girl” e outro “job for a boy” arranjados à pressão, talvez para ajudar o amigo Bagão na colocação dos licenciados desempregados. Só que estes não saíram das listas do fundo de desemprego, mas da do partido ou da dos amigos.
Razão tem a Celeste ao dizer que continua a receber a confiança do PM e do presidente do seu partido, a que nós acrescentamos a confiança dos amigos (pelo menos enquanto for arranjando uns tachos para o pessoal). Onde ela já não goza de confiança nenhuma é no seio do povo português....
Um grande e sábio guerreiro japonês chamado Nobunaga decidiu atacar o exército inimigo. Apesar de ele ter apenas um décimo do número de homens do exército oponente, tinha esperança na vitória pois Nobunaga confiava na qualidade da sua estratégia e na eficácia das suas tácticas de guerra. O grande problema estava nos seus soldados, cheios de dúvidas e receios à vista do tamanho descomunal do inimigo, muitos deles recusando-se a combater por acharem que nem valia a pena.
Então Nobunaga disse aos seus homens: Vou ao templo rezar e pedir conselho. Faço o seguinte: se sair cara, é porque o destino nos reserva a vitória e, então, podemos ir para o combate sem medo. Se sair coroa, é porque vamos perder e, então, desistimos da batalha.
Assim foi e saiu cara. Os soldados, entusiasmados com a boa sorte que o destino lhes reservava, lutaram com tanto ardor e determinação que, apesar da posição desvantajosa, conseguiram sair vitoriosos.
No final da batalha, o ajudante de Nobunaga, orgulhoso na vitória, comentou com o grande chefe guerreiro: Ninguém pode mudar a força do destino. Com tão poucos homens e, mesmo assim, ganhamos.
Então Nobunaga, sem nada lhe responder, sorriu apenas e, em segredo, contemplou as duas faces da moeda da sorte utilizada no templo. Ambas eram cara, pois a moeda tinha sido por ele previamente duplicada, possuindo a cara impressa nos dois lados.
Conto Zen (adaptado por moi-même)
O Ministério da Saúde espera começar a substituir os actuais cartões de utentes por um novo cartão electrónico já em 2005. De acordo com a edição desta quarta-feira do Diário Económico, este irá permitir o pagamento das taxas moderadores, identificar o sub-sistema de saúde a que o utente pertence, além de discriminar a sua classe de rendimentos.
Ainda segundo o jornal, é intenção da tutela introduzir com estes novos cartões uma discriminação positiva no pagamento dos cuidados de saúde, consoante os rendimentos dos utilizadores.
Se as finanças não conseguem tributar correctamente os contribuintes, por falta de transparência nos rendimentos, como é que o Ministério da Saúde pode introduzir uma classificação justa? Onde irá buscar a informação?
No meio disto tudo, o Zé deve ficar entalado, como é costume. Gato escaldado de água fria tem medo...
(Momento que se pretende apenas de humor....nada de seriedade ou subentendidos)
A cena passa-se num templo Shaolin:
O discípulo:
-"Sábio e honrado Mestre, poderia ensinar-me a diferença entre uma pérola e uma mulher? "
O Mestre:
-"A diferença, humilde gafanhoto, é que numa pérola se pode enfiar por dois lados, enquanto numa mulher se pode enfiar somente por um lado."
O discípulo (um tanto confuso):
-"Mas Mestre, longe de mim pensar contradizer vossa shaoliniana sabedoria, mas ouvi dizer que certas mulheres permitem ser enfiadas pelos dois lados! "
O Mestre (com um fino sorriso):
-"Nesse caso, curioso gafanhoto, não se trata de uma mulher mas sim de uma pérola .... "
Entretanto, os meus pais mudaram de casa, os acidentes da vida levaram-me para outras terras e outros convívios e, durante longos tempos, não voltei a conversar com Ti Duarte e Ti Gracinda.
Foi no ano em que o meu filho nasceu, nas férias de Verão passadas em casa de meus pais, que um mero acaso me levou a visitar o velho das histórias de fadas, bruxas e feitiços das noites de sortilégio da minha juventude.
Era então eu a mãe mais babada do mundo, derramada de felicidade e orgulhosa das menores gracinhas do meu rebento, e tão cheia de esmerados desvelos e cuidados como só uma mãe recente e ainda com pouca experiência o pode ser. Por isso, na tarde soalheira em que visitei Ti Duarte, carregava o meu filho num braço e, no outro, um saco preparado para qualquer urgência e necessidade: fraldas descartáveis, algodão e óleo de limpeza, um biberão com água fervida e alguns utensílios e ingredientes necessários para o lanche do bebé.
Mal estacionei o carro, reconheci Ti Gracinda. Vinha do poço, pelo carreiro por mim tantas vezes percorrido na meninice. Mais curvada, mais baixa, usava o eterno lenço escuro na cabeça e trazia agora, apesar do calor, um xaile de lã traçado no peito. Entre as mãos, apertada pelo bojo, carregava com cuidado uma bilha pequena de barro.
«Fui buscar uma infusinha de água ao poço. A da torneira não me dá satisfação», confidenciou, de olhos húmidos, depois do primeiro espanto de me voltar a ver.
Quanto a Ti Duarte, adiantava ela, também ia «menos mal para a idade. Um ouvido e uns olhos que parecem de moço, benza-o Deus. De pernas é que já anda um pouco peado.»
A voz de Ti Gracinda tremia, comovida: «A alegria que ele não vai ter, menina, de a voltar a ver.»
A cozinha era a mesma. Talvez um pouco mais vazia, mais escura, apesar do candeeiro eléctrico - chapeuzinho metálico na ponta de um fio branco que escorria do tecto - que substituíra o antigo “petromax”. Apesar da televisão moderna, a cores, e que eu só descobri, numa prateleira pequena suspensa da parede, já a conversa e o desenrolar das novidades ia alto.
«Pois é, menina, já casada e com um filho nos braços!...» Uma névoa de saudade sombreava os olhos ainda vivos do velho: «Parece que foi ontem que a menina cá vinha comprar leite mais o seu mano e a sua mãe...»
E eu partilhei a saudade: «As histórias que então me contava!... Parecia que o mundo se desfazia em bruxas e bruxarias. E o Ti Duarte sempre a jurar-me que aquilo era tudo verdade, verdadinha. E olhe que eu dizia que não acreditava mas, lá no fundo, ficava cheia de medo. Apesar de me estar sempre a repetir que bruxas eram coisas dos tempos antigos, que tinham desaparecido, quando eu abalava daqui da sua casa ia todo o caminho enroscada no braço da minha mãe e nem levantava os olhos para os lados, não fosse avistar ainda a sombra de alguma bruxa por aí perdida. O Ti Duarte enchia-me de medo com as patranhas que me pregava.»
«Ora menina, o que eu gostava era de a ouvir, a si e ao seu mano. Mas que eu fui criado nuns tempos muito maus, que passei muita fome e necessidades, lá isso é verdade. Por isso não era de admirar que visse bruxas em todas as curvas do caminho, fraquinho e moídinho de trabalho como andava. Mas a menina Anita já cresceu com outras farturas e outros cuidados. Por isso é que eu lhe dizia que, no seu tempo, já não havia dessas coisas. E agora, então, tem aí um menino lindo e criado com tanto mimo e fartura que dá gosto ver.»
Escurecera sem darmos por isso, animados pela conversa. Pela porta larga da cozinha, aberta de par em par, entrava a sombra morna do fim de tarde e o canto, ainda tímido e abafado, dos primeiros ralos e grilos a acordarem a noite.
Ti Gracinda carregou no interruptor e, do chapeuzinho redondo do candeeiro, derramou-se uma cascata de luz que inundou a cozinha.
E foi então, nesse preciso momento, que o rosto do velho contador de histórias se fechou - nuvem escura que ensombra o sol - absorto, silencioso, afundado num qualquer pensamento íntimo ou, quem sabe, nalguma longínqua recordação.
Quando levantou a cabeça, fixou em mim uns olhos velados de tristeza e disse, devagar, pausando as palavras:
«Sabe, menina, qual era, afinal, a grande mentira que, nesse tempo, eu lhe contava? Era que as bruxas eram coisas do passado. Infelizmente, ainda as há e das negras.»
Fiquei-me a olhar para ele, a tentar entender-lhe o pensamento.
«Pois é, menina, eu sei ler pouco. Mas ouço, aprendo... Já vivi muito e sinto as coisas dentro de mim. E agora, com o rádio e a televisão, a gente fica a saber coisas que se passam por esse mundo fora. Já não conhece só o nosso canto. Olhe, as vezes eu até me arrepio. Quando vejo essas criancinhas em pele e osso, nesses países mirrados pela fome, todas mais mortas que vivas, agarradas à teta ressequida das mães, que mais parecem esqueletos em pé, com moscas a passearem-lhe na cara... E quando sei que se deitam para as estrumeiras carregamentos inteiros de frutas, que se mandam queimar searas imensas só por causa dos preços dos produtos nos mercados, da ganância de uns quantos para terem lucros muito grandes... E se compram tantas armas e se fazem tantas guerras quando, com o preço de uma dessas bombas de matar gente, se alimentava uma vila inteira... Diga lá, menina, acha que as bruxas já acabaram? Continuam a existir, não vivem é junto aos poços nem nas encruzilhadas. Vivem na cabeça e no coração dos homens.»
Ti Duarte enxugou com as costas da mão os olhos húmidos. «O que sobra e se desperdiça num lado é o que faz falta no outro. E a culpa é dos homens e das suas políticas. Por mais desculpas e falsas explicações que inventem, a verdade é que a Terra é mãe e tem o suficiente para todos os seus filhos. Mas a Terra é como uma grande casa que tem de ser bem governada. E os homens governam mal a Terra, algumas vezes por ignorância mas a maior parte porque não se importam uns com os outros. Por egoísmo. Por quererem tudo para eles. Pelo feitiço da ganância que lhes tapa os ouvidos, fecha os olhos e cerra os corações.»
Os olhos do velho tinham agora o brilho dos iluminados:
«Acredite, menina, as bruxas são o egoísmo que vive no coração dos homens. E está nas mãos dos homens acabar de vez com elas e fazer da Terra um local sem feitiços onde dê gosto viver. Para todos, não só para uns quantos.»
Despedimo-nos. De pé, no umbral da porta da cozinha, Ti Duarte ficou longamente a acenar com a mão emagrecida. O canto dos grilos e ralos era agora uma orquestra grande, poderosa e afinada. Apertei o meu filho nos braços e as palavras do velho cresceram na noite calma, sob o negro céu flamejante de estrelas: «Está nas mãos dos homens fazer da Terra um sítio bonito para se viver. Para todos os seus filhos!»
F I M
anamar - 1989
Este conto faz parte de uma colectânea premiada com uma Menção Honrosa na IV edição (2002) do Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca, promovido pela Câmara Municipal de Santiago do Cacém.
O Director Geral de uma grande empresa pergunta ao Vice Director, que não tinha nada para fazer:
- Fazer amor com minha mulher é trabalho ou prazer?
- Não sei... - disse o Vice Director - teria que analisar melhor.
O Director Geral dá-lhe uma hora para responder. Então o Vice Director comunica com o Director de Recursos Humanos, dando-lhe 45 minutos para responder:
- Quando o Director faz amor com a mulher dele, isto é trabalho ou prazer?
O Director de Recursos Humanos também não soube responder, e perguntou ao Técnico de Informação, que igualmente estava sem ter que fazer no momento.
O Técnico de Informação também não sabe a resposta, pergunta ao seu subalterno, dando-lhe 30 minutos para a resposta.
A pergunta passa pelos vários escalões da empresa até que chega ao estagiário.
O chefe chama-o, ele que tem uma pilha de trabalhos pendentes na sua mesa, e diz-lhe que tem 5 minutos para responder se quando o Director Geral faz amor com a mulher dele é prazer ou trabalho.
Imediatamente o estagiário, sem levantar a cabeça dos papéis, responde-lhe:
- É prazer!
O chefe, intrigado, pergunta-lhe como chegou tão rapidamente essa conclusão:
- É fácil, se fosse trabalho teria que ser eu a fazê-lo!!
A maioria dos portugueses considera ter chegado a altura de realizar um novo referendo sobre o aborto. A conclusão surge expressa numa sondagem SIC/Expresso realizada pela empresa Eurosondagem.
Entre os que defendem a realização do referendo, uma esmagadora maioria deseja que este tenha lugar ainda este ano de 2004, ao contrário de 16,3%, que gostaria que consulta popular só acontecesse em 2005. Apenas 3,1% pretende que o escrutínio seja adiado para depois das próximas eleições legislativas, em 2006.
Curioso, igualmente, é o número elevado de inquiridos que afirmou pretender votar num possível referendo, depois dos dois referendos realizados até agora terem tido taxas de participação muito baixas, sendo que, dos portugueses que estão a pensar ir votar, quase 80% afirma que irá dar o seu voto a favor da despenalização do aborto e apenas 14% assume que irá votar contra.
Quem tem medo da mudança?
Quem quer amarrar o país ao passado?
Quem tem medo do debate?
Quem recusa o desenvolvimento?
Quem tem medo que o povo se expresse?
Ontem roubaram-me as rodas durante a minha pausa para o café que habitualmente faço entre as 10h e as 10:15h.
Se algum de vocês, fieis amigos, viu alguma coisa, por favor digam-me.
Eu até ofereço uma recompensa a quem me puder ajudar.
Junto vai uma foto tirada no local do roubo.
Desde já agradecido.
Mas, histórias de partir a respiração, eram as das bruxas e fadas, mais as dos espíritos e almas penadas e também as das palavras más.
«Sim, más palavras, o que é que cuidam, são piores que os micróbios das doenças modernas. Piores, bem piores, que para as doenças ainda ele se vão achando remédios, para as palavras más, muitas vezes, nem o arrependimento lava o mal».
E Ti Duarte dava exemplos:
«Olhe o Zé Coxo, Deus Nosso Senhor me perdoe, mas o pai dele, o Alforreca, era cá uma má língua!... Não havia mulher honrada na boca dele, não havia gente honesta, no dizer dele era tudo ladrões e vadios. E ainda se fossem só palavras... Toda a gente se lembra que ele desgraçou uma rapariguinha. A pobre, que não tinha mais que quinze ou dezasseis anos, ia todos os dias levar o almoço ao pai, que andava a trabalhar no campo. Um dia, o Alforreca, que já nesse tempo era homem casado, espreitou a miúda, meteu-se com ela, não só a desgraçou como mulher como lhe deixou uma perna toda roxa, que a miúda quase que nem se cura, andou com a perna inchada tempos sem fim, até se falava que ia ficar coxa. Afinal, olhe, pouco depois nasce o filho do Alforreca, o único que tem, e veja-se aquela miséria que até mete dó, Deus me perdoe, todo coxo e aparvalhado que é uma desgraça. Foi castigo, pode crer, elas cá se fazem cá se pagam, as vezes demoram mas pagam-se, pode ter a certeza.»
Ti Gracinda, reparando nos meus estremecimentos amedrontados, ralhava: «Ó homem, cala-te lá para aí com essas coisas que assustas as crianças.»
Mas o marido não lhe dava troco: «Isto são coisas da vida, o que é que pensam, as pessoas é que não acreditam. Se acreditassem que os maus pensamentos e as más palavras e o desejar e fazer mal aos outros, a nós mesmos é que nos vem parar, de uma forma ou outra, havia menos invejas e menos maldade no mundo, as pessoas eram melhores umas para as outras.»
Ficava-se um bocado a abanar a cabeça e depois acrescentava: «Eu percebo que as pessoas modernas não creiam nestas coisas, são coisas que parecem doutros tempos. Olhe, eu, por exemplo, também me custa a acreditar que os homens tenham ido à Lua...»
Cismava em voz alta: «Uma coisa tão pequenina, lá tão no alto, mas como é possível que tenham lá poisado homens? Ainda por cima, a Lua nunca é a mesma, está sempre a mudar de feitio e de tamanho...»
O meu irmão parava de brincar com o gato e desfazia-se em risos: «Ó ti Duarte, mas a lua é muito grande, parece pequena porque está muito longe.»
E explicava, com paciência trocista: «Está a ver aqui esta abóbora? A abóbora é o sol, que está parado, tal qual esta abóbora. À volta do sol anda a terra a girar e à volta da terra anda a lua.»
Para a explicação ser mais eficaz, ia buscar uma laranja e procurava outro fruto mais pequeno, uma ameixa ou uma amêndoa, por exemplo. Eu ajudava no exercício, segurando a laranja numa mão; o meu irmão segurava a ameixa na outra:
«A terra é aqui esta laranja que anda à volta do sol, a abóbora. E à volta da terra, isto é, da laranja, anda a lua, que é a ameixa. E tanto a terra como a lua giram, ao mesmo tempo, à volta delas mesmas». E ambos girávamos os frutos entre os dedos, com alguma inabilidade mas muito saber.
«Está a ver, Ti Duarte, se espreitar assim, nem se vê bem a ameixa toda, a laranja tapa a luz que vem daqui. O mesmo se passa com a lua, por isso é que acontecem as fases da lua.»
Ti Duarte coçava a cabeça e mal disfarçava espantos:
«Que meninos estes, tão novitos e a saberem tão bem estas coisas. Valha-os Deus!». Ficava uns segundos pensativos, a cabeça baixa. Mas logo acrescentava, num repelão:
«Mas eu, mesmo assim, não estou convencido, não me entra cá na cachimónia essa de homens poisados na lua.»
Ríamos os dois, eu e o meu irmão, divertidos, perdidos de gargalhadas.
Mas, do que eu gostava mesmo, era das histórias de bruxas e fadas. E insistia: «Conte lá, Ti Duarte».
«Ora», dizia ele, a encolher os ombros, «Isso, agora já não há. Já não há bruxas nem fadas. Antigamente é que havia muitas.»
Mas, talvez para me agradar e desvanecer as más impressões dos agouros e más palavras, ou talvez porque conversa era com ele, Ti Duarte lá acabava por ceder:
«Olhe, aqui mesmo ao pé da minha casa, vi eu montes delas. Ali antes de chegar ao poço, onde está a alfarrobeira grande, havia um ninho de fadas que nem queira saber. Quantas vezes não ia eu a passar por lá, quase a chegar, e elas, sentindo-me os passos, pfff, veeee, escapuliam-se no ar, a voar. Só lhes via a luz, o rasto delas no ar.»
«E bruxas, também viu algumas?»
«Oh, menina, o que eu mais vi na minha vida foram bruxas...» Mordia o cigarro com mais força e repetia: «Bruxas, quantas bruxas não houve na minha vida!... Olhe, quando eu era jovem, assim mais ou menos como você e o seu mano, e até mesmo mais novito, morava eu já então nesta casa, que era dos meus pais. Éramos uma família grande, filhos teve a minha mãe onze, todos assim uns a seguir aos outros.»
Fazia com a mão o gesto das alturas descendentes e continuava: «Os dois mais velhos foram raparigas, depois nasci eu, a seguir o meu irmão Alberto, mais umas quantas raparigas e depois é que vieram mais rapazes. Pois foi por isso, por eu ser o rapaz mais velho, é que tive de ir cedo para a lida do mar com o meu pai, que era pescador, Deus o tenha em paz.»
A senhora Gracinda descansava a cabeça na palma da mão e escutava as histórias do marido com um sorriso tão redondo e brando como o rosto emoldurado pelo lenço escuro. De vez em quando, com a tenaz comprida, vigiava o borralho no fogareiro, onde duas batatas doces assavam lentamente. A minha mãe cruzava os braços sobre o peito, recostava-se nas costas da cadeira de palha e logo o gato, a escapulir-se às diabruras do meu irmão, lhe saltava para o colo. Bichaninho, bichaninho, bichaninho... O gato enrolava-se e voltava a enrolar-se até se afundar, ronronante, no aconchego do colo.
«Pois era nas noites de inverno, quando eu tinha de me levantar lá para as três ou quatro da manhã, para ir à pesca com o meu pai, que eu encontrava muitas bruxas por aí. Bruxas e labesomes.»
«Bruxas e quê?»
«Labesomes, menina, homens que se transformam em lobo nas noites de lua e andam por aí a cumprir o fado, a penar.»
«Ah, lobisomens...», corrigia eu a pronúncia.
«Pois, eu cá não sei falar assim bem como a menina e o seu mano falam. No meu tempo, só as pessoas muito ricas é que tinham estudos. Mesmo a escola primária não era uma coisa que as pessoas fossem obrigadas, não era como agora, que todas as crianças têm de ir. Mas olhe que eu ainda cheguei a ir à escola, sabe?... Ainda fui uma meia dúzia de dias. Mas tão cansadinho de andar na lida com o meu pai que mal chegava à escola, mal me acomodava lá na carteira, pumba. Adormecia cá de um jeito que ninguém me conseguia pôr em pé. Até a professora me disse que o melhor era ir para casa dormir e só voltar à escola quando conseguisse estar de olhos abertos. Nunca mais lá pus os pés.»
Ti Duarte levava aos lábios rugosos, com as pontas dos dedos, o resto mole e meio apagado do cigarro e aspirava umas quantas vezes, com força, até um clarão desmaiado luzir na ponta do cigarro.
«Pois, foi assim... Ui, nesse tempo é que as noites de inverno eram frias!... Nem queira saber, era de partir os ossos. Eu levantava-me mais o meu pai, calçávamos as botas e eu punha uma saca de sarrapilheira, dessas de guardar batatas, aberta ao meio, pela cabeça. Bebíamos um copo de aguardente cada um e lá abalávamos.»
«Credo!», afligia-me eu, «Não me diga que era tão novito e já bebia assim aguardente?»
«Mas é que tinha de ser. Se não bebesse a aguardente não aguentava o frio. Gelava-se-me o corpo. Por isso é que tinha de beber. E, vá lá, o pior é que muitas vezes nem para comprar a aguardente ele havia...»
«Então, mas nem sequer comia qualquer coisa?»
«Pois claro que não, já tinha comido ao jantar. Ia agora comer a meio da noite?!... Estava mal era quando não havia mesmo nada para comer. Ai, tantas vezes que o meu jantar foi uma sardinha em cima de uma cortiça...»
«De uma cortiça?...»
«Pois, quando se acabava o pão. Tínhamos de pôr o peixe em cima de qualquer coisa, não era? Púnhamos em cima da cortiça. Sabe lá o que a vida era noutros tempos!... De Verão ainda a coisa escapava, ía-se ao mar e havia trabalho nos campos. Agora de Inverno, havia épocas em que chovia e fazia vendavais semanas a fio. Ao mar não se podia ir, em terra acabava-se o trabalho e em casa das pessoas acabava-se o comer. E havia a guerra. A Grande Guerra, onde morreu um mar de gente e que destruiu meio mundo à volta. Felizmente para nós, a guerra não era cá, mas mesmo assim chegavam-lhe cá os ventos, havia uma escassez de coisas que nem queira saber, farinha para o pão, arroz, carne, sabão, coisas assim. Só quem tinha muito dinheiro é que lá ia arranjando alguma coisa, porque era tudo muito bem pago e arranjado assim por baixo da porta, à socapa, está a ver?»
Meneava a mão em concha, a sublinhar com o gesto a explicação, e os olhitos muito vivos piscavam: «Pois era, e então em casas com muitos filhos, nem queira saber, aquilo era uma fominha de partir as entranhas do estômago. Ai, tantas vezes que, na casa dos meus pais, se teve de repartir por todos o que havia e só dava uma sardinha a cada um. Uma sardinha em cima de uma cortiça...»
Eu ficava a ouvi-lo, os olhos muito abertos, enormes, fixos de pasmo, sem mesmo pestanejar.
«Coisas que já lá vão...», continuava o velho que, quando engrenava, tinha para todo o serão. «Mas olhe, quer saber, era nessas noites que eu costumava encontrar-me com as bruxas. Era quase sempre em noites muito escuras e feias, com vento ou com chuva. Eu saía de casa com a saca pela cabeça, a tiritar de frio, pois a aguardente aquecia um pouco o estômago mas não tinha força para chegar à ponta dos pés e das mãos, que iam geladinhos. E eu cheio de medo. Medo dos vendavais, medo do mar, medo de não se apanhar peixe, medo da fome. Era uma criança, por isso não é de estranhar. Pois, as bruxas andavam por aí, pois é de noite, no escuro, pela calada, que elas gostam de sair para fazerem lá as patifarias delas. E não foi uma, nem duas, mas muitas as vezes que elas passaram por mim...»
«Ora, Ti Duarte, eu não acredito nisso», dizia-lhe, incrédula.
«Tão certo como estarmos aqui nesta cozinha!»
«E as bruxas, o que é que lhe faziam? Faziam-lhe mal?»
«Pois, o que é que pensa a menina que são as bruxas? São pessoas más e invejosas, que querem tudo para elas, e que, por isso, fazem feitiços e maldades ao próximo.»
«Mas, conte lá, Ti Duarte, que feitiços lhe faziam?», insistia eu, curiosa.
Ti Duarte coçava os cabelos ralos e embranquecidos e abanava os ombros magros: «Oh menina, então se eu já lhe contei tudo o que penei na vida, os frios, as fomes, os sonos mal dormidos, os trabalhos pesados, pois que mais feitiços quer que eu lhe conte?»
Ti Gracinda arredondava ainda mais o sorriso, dava volta às batatas doces no borralho e alegrava-se: «Estão quase assadinhas».
Mas nunca o serão terminava sem Ti Duarte me apaziguar: «Não vá para casa com medo, menina. Olhe que, agora, já não há destas coisas. Já não há bruxas.»
E oferecia-me, a mim e a meu irmão, as batatas doces, quentinhas, que a senhora Gracinda tirava do borralho com a tenaz comprida e embrulhava em duas voltas de papel pardo.
(continua)
anamar - 1989
O ex-líder e fundador do CDS, Diogo Freitas do Amaral, queixou-se, segunda-feira à noite, na SIC Notícias, da direita portuguesa, a qual, na sua opinião, «é bastante injusta» com ele. Para Freitas do Amaral, a direita devia, sim, era estar orgulhosa do seu ex-líder, que tem conseguido, inclusive, respeito e simpatia da esquerda.
«Acho que se a direita fosse muito inteligente ficaria muito honrada e muito orgulhosa de que um dos seus elementos fosse respeitado pela esquerda. Como a esquerda sempre gostou de ver o Dr. Mário Soares ser respeitado por uma parte da direita e nessa altura nunca vi as pessoas da direita dizerem «ele é um traidor»», recordou o ex-candidato derrotado às eleições presidenciais de 1986.
Será correcta a afirmação de que a direita não é muito inteligente?
Será que Diogo Freitas do Amaral faz esta afirmação por a sua conduta não ser coincidente com a do CDS?
Ou será que Diogo Freitas do Amaral já não é de direita?
Por esta ordem de ideias deveria o MRPP estar feliz por um dos seus antigos dirigentes ter chegado a Primeiro Ministro?
Portugal vai ter de reorientar os fundos estruturais comunitários de apoio ao seu desenvolvimento para o reforço da qualificação dos recursos humanos, investigação científica e inovação, de modo a diminuir o peso das estradas e auto-estradas nos financiamentos da União Europeia (UE).
O nome de Portugal tem sido invocado em privado por vários países ricos para defenderem a tese de que a coesão económica e social - a denominação da política comunitária de apoio ao desenvolvimento dos países mais desfavorecidos - não garante a convergência das respectivas economias, ou seja, a aproximação do seu nível de riqueza face aos restantes estados membros. Esta referência resulta dos indicadores de desenvolvimento do país, nomeadamente em termos de produtividade do trabalho ou dos níveis de ensino, em que Portugal permanece largamente na causa da Europa, atrás dos dez países com níveis de riqueza muito inferiores que vão aderir em Maio.
"O problema de Portugal não é nenhuma má aplicação dos fundos estruturais", explica um responsável europeu. "O problema de Portugal é que os fundos foram provavelmente concentrados de forma excessiva na região de Lisboa, e em estradas e auto-estradas", justificou. A partir de agora, defendeu a mesma fonte, "vai ser preciso diversificar os investimentos e orientá-los mais para a investigação científica, a inovação , o apoio às pequenas e médias empresas, o ambiente ou o ensino", ou seja, precisamente os objectivos da "estratégia de Lisboa".
Ensino, formação profissional e investigação são factores que precisam de forte incremento, sob pena de não recuperarmos o atraso que se tem acentuado em relação à UE, nos últimos anos.
O incremento nestes três factores é fundamental para a competitividade das empresas nacionais na economia mundial.
A nossa competitividade está dependente da qualidade, inovação e organização que conseguirmos apresentar.
Mesmo a captação de investimento estrangeiro, em áreas tecnologicamente avançadas depende da mão de obra qualificada que teremos para oferecer.
A formação dos trabalhadores, quadros médios e quadros superiores é a chave para um sucesso necessário. Os empresários nacionais também terão de alterar os padrões da sua conduta, adaptando-os ao que de melhor se faz lá fora – muitos deles a necessitarem de formação adequada.
Que o diga Andreas Sarti, que beijou a sua namorada Anna Chen durante 31 horas e 18 minutos, na cidade de Vicenza, Itália. No final da proeza Andreas precisou receber oxigénio enquanto a sua namorada teve de ser deitar.
Pela proeza o casal vai receber 12.700 dólares, que será uma ajuda fundamental para a celebração do seu matrimónio.
Se o acto for homologado pelo Guiness Book, este beijo passará a ser o novo record mundial.
Alguém aqui na comunidade, pretende exceder esta marca?
Cerca de 40% dos idiomas falados hoje no mundo desaparecerão entre os próximos 50 e 100 anos, alertou um painel de linguistas durante o encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência, que decorre em Seattle.
Segundo os cientistas, o fim de boa parte das 6.809 línguas faladas no planeta não só trará impactos culturais como também consequências económicas.
As razões principais para o desaparecimento dos idiomas, de acordo com os linguistas, são a dominação económica e cultural e a explosão demográfica.
"Hoje, o império americano fortalece o inglês (primeira língua mais falada do mundo como segundo idioma, e segunda mais falada como primeiro) e a explosão demográfica da China torna o chinês o idioma mais falado do mundo como primeira língua", afirmou o linguista Stephen Anderson, da Universidade de Yale.
Mas, apesar das adversidades, os linguistas foram unânimes em dizer que o mundo não caminha para uma língua universal, como o Esperanto.
Será que caminhamos a passos largos para uma globalização cultural?
NOITES DE SORTILÉGIO
Naquela época, a minha mãe ia todos os dias comprar leite, de leiteira de alumínio na mão, a casa do Ti Duarte, que morava a dez minutos, indo pela estrada, ou a cinco, pelo carreiro do poço, para encurtar caminho.
Íamos à noitinha, a seguir ao jantar e à mesa levantada mas antes do arrumar da cozinha, para que a minha mãe, ao lavar a loiça, pudesse ter já o leite a ferver e a leiteira vazia para a lavagem. E digo íamos porque ela insistia sempre para que tanto eu como o meu irmão a acompanhássemos e, geralmente, nenhum de nós, por hábito e por gosto, se fazia rogado.
Tinha eu então a indefinida idade que paira estranhamente entre a infância, que se foi de vez, e a adolescência que vai chegando, e estudava no Liceu, na cidade, para onde ia todos os dias, em viagem de ida e regresso de comboio que durava perto de uma hora. O meu irmão, três anos mais novo, estava à beira de acabar a escola primária obrigatória que fechava, nesse tempo, com o exame da quarta classe.
Ti Duarte era, como ele mesmo dizia, um pouco de muitas coisas: pescador, quando o mar andava calmo, que o barco e o dono estavam velhos e já nem um nem outro aguentavam vendavais; agricultor de uma “cerca” de terra que não tinha mais que umas vinte árvores e uma dúzia de regos para as batatas, as cebolas, os alhos, as couves e “uns canteirinhos para as novidades”. Consistiam estas últimas, se me não falha a memória e o meu pouco conhecimento desses saberes, na ervilha, fava, feijão verde e tomate. Dizia ele que também era “criador de gado”, divertida hipérbole para quem tinha vinte ou trinta bicos apertados na capoeira, entre galinhas, galos e pintos, uns quantos porcos na pocilga, meia dúzia de ovelhas meigas presas a uma corda com estaca, dois ou três bezerros mugindo no estábulo estreito e - ex-libris de Ti Duarte - uma única vaca leiteira, criada a mimos e rações duplas. Por isso, o leite que nos vendia tinha de natas a espessura de dois dedos, e tão espessas e amarelas que, com três litros, se fazia uma colher cheia de manteiga.
Mas Ti Duarte era, acima de tudo, um conversador e contador de histórias sem fronteira entre o passado e o presente, o real e o imaginado.
«Ó menina Anita», começava ele de mansinho, «uma vez trabalhava eu a desbastar uns silvados na Quinta do Alto, que a sua mãe bem conhece. Naquele tempo a Quinta do Alto não era o que é hoje, ainda estava toda em bravo, silvas e ervas que chegavam à cabeça de um homem... Oh se chegavam, havia lá ervas tão cerradas e tão altas que um homem se escondia lá por baixo e deixava de ver a luz do sol. Aquilo era de se perder a respiração!...»
Eu puxava um banquinho de madeira para junto da mesa comprida, de toalha de xadrez polvilhada ainda de migalhas de pão do jantar, e fazia roda, mais a minha mãe, com Ti Duarte e a mulher, a senhora Gracinda, enquanto o meu irmão se entretinha a brincar com o gato cinzento de guizo sonoro ao pescoço. Por cima da mesa pendia o “petromax”, um candeeiro enorme, a petróleo, preso a uma corrente vinda lá do alto, do telhado, e que Ti Gracinda espevitava de vez em quando, para alumiar mais. O círculo de luz do candeeiro envolvia-nos, brilhante ao centro e desmaiando-se cada vez mais, ao longo das paredes da cozinha, até morrer em enormes aranhas rastejantes de sombra.
«Pois estava eu aí a trabalhar nessas silvas, a desbastá-las, quando encontramos uma cobra como na vida não vi outra», continuava Ti Duarte, a moer o cigarro mole entre os lábios. «Olhe que a sua mãe talvez ainda se lembre de ouvir falar neste caso, vão talvez para cerca de uns trinta anos, a cobra gigante da Quinta do Alto.»
Olhava interrogativamente para a minha mãe, que procurava na memória recordações distantes, olhava para a mulher, entretida em espevitar as brasas do fogareiro com a tenaz comprida. Ti Gracinda meneava afirmativamente a cabeça, arredondada pelo lenço escuro, ria e atiçava mais o lume, o de carvão e o da conversa:
«Ora, se me lembro...»
Ti Duarte endireitava e enchia o peito magro com uma inspiradela forte de ar, abria os braços quanto podia, olhava para um e outro canto e sentenciava:
«Era um bicho capaz de engolir uma pessoa! Tinha a grossura da cinta de um homem e tão comprido que era capaz de dar a volta a esta cozinha.»
Eu arregalava os olhos para a direita, para o escaparate de parede onde sobressaíam as sombras redondas dos pratos e as projecções cilíndricas das canecas penduradas pelas asas, em filas certinhas. Remirava o poial onde Ti Gracinda arrumava as bilhas de barro da água e a vasilha do leite, coberta com um pano branco. Olhava depois para a esquerda e crescia o susto no meu peito à vista do emaranhado das redes de pesca e outros utensílios para o mesmo uso, aconchegados daquele lado, a um canto.
«Pois fique a saber, menina Anita, que foi preciso uma carroça puxada a duas bestas para levar a cobra e, mesmo assim, não cabia: a cabeça ia a pender à frente e o rabo a arrastar atrás.»
(continua)
anamar - 1989
O guitarrista português Carlos Paredes celebra esta segunda-feira 79 anos.
Um dos expoentes máximos da cultura nacional contemporânea, Carlos Paredes é uma referência obrigatória da guitarra portuguesa.
Este é um Grande Homem e um Grande Músico que nasceu para a música ou....melhor dizendo, a música era a sua vida.
O músico encontra-se hospitalizado desde 1993, data em que lhe foi diagnosticado uma mielopatia (patologia medular no segmento cervical).
Há muitos, muitos séculos, num determinado mosteiro, sempre que o Mestre espiritual e os seus discípulos começavam a meditação do anoitecer, o gato que vivia no mosteiro desatava a miar e a passear-se por entre os monges, distraindo todos e enervando o respeitável Mestre.
Então o Mestre espiritual ordenou que o gato fosse amarrado antes da meditação até ao final da mesma, ordem que os monges passaram a cumprir religiosamente.
Anos depois, quando o Mestre morreu, o gato continuou a ser amarrado durante a meditação.
E quando o gato barulhento morreu, e outro gato foi trazido para o Mosteiro, os monges continuaram a amarrá-lo durante a meditação da noite.
Séculos depois, quando todos os factos objectivos do evento, que tinham levado a amarrar o primeiro gato, estavam perdidos no passado e dissipados na memória dos homens, muitos monges e diversos intelectuais, que estudavam os preceitos da religião e ensinamentos daquele Mestre espiritual, escreveram longos tratados escolásticos sobre o significado de se amarrar um gato durante a prática da meditação...
Conto Zen (adaptado por moi-même)
Nas zonas fronteiriças com Espanha, a expressão “ir meter gasolina” é sinónimo, quase sempre, de ir a Espanha. E isto unicamente porque, no outro lado da fronteira, os combustíveis são mais baratos - a gasolina chega a atingir os 15/20 cêntimos de diferença por litro - e o consumidor faz um pequeno desvio e vai atestar o depósito aos postos espanhóis.
A partir de amanhã, a pressão vai acentuar-se, pela simples razão que, por via dos impostos, a gasolina, mais uma vez, vai aumentar. Aliás, é de salientar que, á semelhança do que tem acontecido nos últimos tempos, esta subida de preço na gasolina tem apenas por causa a fiscalidade.
O problema não se resume, simplesmente, a uma questão de aumento ou diminuição de preço. A questão é muito mais abrangente, é já uma questão social e uma questão de justiça.
Pelo elevado diferencial de preço, poucos são já os consumidores que, nas zonas próximas de Espanha, abastecem em Portugal, com graves prejuízos para os postos nacionais e consequentemente para o nível de emprego do sector.
Depois, o próprio Estado perde receitas, não só a que recai sobre a actividade comercial, mas logo a específica, que incide sobre o próprio produto, a gasolina.
O Estado ainda não apreendeu um dos conceitos da economia moderna e aguerrida, ganhar pouco por unidade, mas contabilizar muito pela grande quantidade de unidades vendidas.
Depois, e talvez cada vez mais frequentemente, já que se está em Espanha, aproveita-se para mais uma compritas, de várias coisas mais baratas, mais uma vez por redução fiscal.
Ou seja, o comercio fronteiriço vai-se desenvolvendo em favor dos espanhóis e com grande penalização da actividade nacional.
Parece que a situação já não se resume a situações pontuais nas zonas fronteiriças, pois actividades com grande consumo de combustível já privilegiam os abastecimentos em Espanha. Esta discrepância de preços tem levado, inclusive, a vários esquemas fraudulentos na importação de combustíveis.
Pergunto, qual o lucro de Estado com esta situação?
Com a facilidade de circulação e sem limites de consumo, as relações na Península Ibérica tendem a ser cada vez mais estreitas. As vantagens comerciais cairão necessariamente para o lado que mostrar uma visão mais competitiva no presente e no futuro, e que neste momento pende significativamente para o lado espanhol.
Não nos podemos esquecer que, na raia de Espanha, muitos portugueses que, ainda há pouco tempo, moravam em território nacional, mudaram-se para terras castelhanas. Aí, com casa, luz, água, gás, etc. muito mais baratos, elevaram a sua qualidade de vida, continuando no entanto com os seus empregos lusos.
Este é um assunto que o governo nacional devia analisar maduramente sob pena de, qualquer dia, uma parte significativa dos cidadãos nacionais emigrar para Espanha.

Mauritus Cornelis Escher
Litografia de 1955
Três casas estão colocadas perto umas das outra. A da esquerda vê-se de fora, a da direita de dentro e a do centro vê-se facultativamente de dentro ou de fora. Em baixo à esquerda, um homem sobe uma escada para uma plataforma. Perto do homem adormecido encontrará uma bacia em forma de concha. Do lado direito alguém sobe uma outra escada, mas então, o que visto da esquerda parecia uma escada, torna-se agora no lado interior de uma abóbada, e a plataforma que era chão firme transforma-se em tecto.
Conta-se que há muitos, muitos séculos, um homem Sábio desejava, entre outras preocupações espirituais, livrar-se de todas as formas de ritos religiosos, deixando apenas a essência da directa experiência da Verdade.
O Sábio atraiu diversos discípulos, que costumavam reunir-se ao seu redor para lhe escutarem os ensinamentos e as parábolas.
Após algum tempo, os discípulos começaram a juntar-se antes do Mestre aparecer, pois eles gostavam de estar em grupo, conversar e cantar.
Pouco depois, talvez para se protegerem do sol e da chuva ou tão só para estarem mais à-vontade, os discípulos resolveram construir uma casa para as reuniões, com uma sala especial para o Sábio mestre.
Após a morte do Sábio, tornou-se uma prática, entre os seus seguidores, fazer uma reverência respeitosa para a agora sala vazia, antes de se entrar no salão. Em cima de uma mesa especial colocaram uma imagem do Mestre, numa moldura de ouro, e as pessoas deixavam lá flores e incenso, em sinal de respeito ao Sábio Mestre.
Em poucos anos uma religião tinha crescido em torno daquele homem que, em vida, não praticava nada daquilo, e que, ao contrário, sempre disse aos seus seguidores que ficar preso a estas práticas levava frequentemente a pessoa a iludir-se no caminho da Verdade.

Primeiro prémio WPP 2003 na categoria ‘A outra face do desporto’
Uma equipa de homens mutilados jogam à bola na Serra Leoa. O norte-americano Adam Nadel fotografou o jogo para 'Christian Science Monitor'.
Um jovem aluno perguntou ao sábio professor: "Mestre, que nome devemos dar a uma pessoa que entende uma verdade mas não consegue explicá-la em palavras?"
Resposta do Mestre: "Uma pessoa muda comendo mel".
Aluno: "E como chamamos a uma pessoa que não entende a verdade mas que fala muito sobre ela?"
Mestre: "Um papagaio imitando as palavras de uma outra pessoa".

Prémio World Press Photo 2003
Um iraquiano conforta o filho de quatro anos, num campo de prisioneiros de guerra em Najaf, no Iraque, numa fotografia tirada a 31 de Março de 2003.
Quatro monges decidiram meditar em silêncio completo, sem falar por duas semanas. Na noite do primeiro dia, a vela com que se alumiavam começou a falhar e, pouco depois, apagou-se.
O primeiro monge exclamou: "Oh, não! A vela apagou!"
O segundo comentou: "Mas não tínhamos que ficar em silêncio completo?"
O terceiro reclamou: "Por que vocês dois quebraram o silêncio?"
Finalmente o quarto afirmou, todo orgulhoso: "Aha! Eu sou o único que não falou!"
A Infiniventus - Produção de Energias Alternativas, representante em Portugal do grupo alemão Pfleiderer, está a fazer as malas para deixar o nosso país, uma vez que não conseguiu resposta do Governo para concretizar o projecto que tinha em carteira - construção de unidades fabris de montagem de aerogeradores e instalação de parques eólicos. O investimento directo que a companhia tinha programado poderia ser superior a 500 milhões de Euros.
Segundo a notícia, nem a API, o Ministério da Economia ou o Chefe do governo deram qualquer resposta a esta proposta de investimento. Para além dos postos de trabalho que iriam criar, esta empresa estava interessada em trabalhar com empresas portuguesas no projecto. A passagem de tecnologia desta empresa alemã decerto seria uma mais valia para as empresas aderentes e para o desenvolvimento do país nas energias alternativas.
Quando se sabe, por imposição da UE, que teremos de aumentar substancialmente a produção de energia por fontes alternativas, não poluentes, nos anos mais próximos, este era, porventura, um projecto que nos iria ajudar a cumprir as metas a que nos obrigam.
Talvez a questão se resuma, mais uma vez, à total desorganização do governo. Quando as questões tocam em vários ministérios, Economia, Industria, Ambiente, Trabalho e vários organismos como a API, parece não haver qualquer fio condutor na sua actuação; na prática todos “remam” para o seu lado, sem rumo ou destino concertado.
A factura deste desgoverno será paga, como sempre, pelo contribuinte, com a agravante de, nos anos mais próximos, começarmos a sentir na pele as penalizações da Europa dos vinte cinco, pela incapacidade de concretizarmos aquilo a que nos comprometemos ou a que nos obrigam.
E as instituições da UE não são curtas de memória, como o povo português, e não vão deixar passar em branco a incapacidade portuguesa, que os políticos portugueses estão habituados a mascarar com umas meras promessas eleitorais.
Exemplo prático, e muito compreensível, de que nem tudo o que luz é ouro...ou nem sempre o que parece, é.
Acabadinho de chegar por correio electrónico, ainda sem censura da Celeste Cardona, a última novidade para o Rock in Rio de Lisboa.
Mais de mil portugueses já congelaram células estaminais dos filhos
Mais de mil casais portugueses já optaram por congelar células estaminais dos filhos para que no futuro possam ser utilizadas no tratamento de eventuais doenças hoje dadas como mortais.
Luís Gomes, director da Crioestaminal, em funcionamento desde Julho de 2003, adiantou à Lusa que as células são retiradas do cordão umbilical do recém-nascido pelo médico responsável pelo parto e colocadas num "kit" fornecido ao cliente para o efeito.
Esse "kit" é transportado, num máximo de 48 horas, para a região de Bruxelas, onde ficará armazenado, através do recurso ao congelamento, durante os próximos 20 anos - o tempo máximo que os estudos actuais permitem garantir como útil para as células estaminais.
A operação custa, para os 20 anos referidos, 975 euros, tendo os futuros pais apenas de contactar a empresa um a dois meses antes do parto para assegurar o fornecimento do "kit" e a viagem das células.
O congelamento - o criopreservação - das células é assegurado pelo laboratório da Criocel Europe, uma das várias empresas da "holding" de biotecnologia Live Science Group.
Se no futuro qualquer das crianças necessitar de um transplante de medula poderá fazê-lo sem ter de aguardar por um dador compatível, uma operação sempre difícil quando a escolha tem de recair sobre pessoas fora do universo familiar, onde o grau de compatibilidade é bastante menor.
"No futuro, e face às investigações em curso em diversas áreas, as células poderão ter muitas outras aplicações para já potenciais mas que poderão tornar-se muito reais", assegurou Luís Gomes.
Mas no futuro a criopreservação de células estaminais será um tema comum para cada vez mais portugueses, até porque surgiram já propostas para a criação de um banco público que permita a qualquer cidadão encontrar nele o material biológico necessário para assegurar a sua salvação para um número crescente de doenças hoje dadas como incuráveis.
Cientistas do Instituto de Pesquisas de Relacionamento, apelidado de "Laboratório do Amor", dizem ter criado um modelo matemático que pode prever quais os casamentos que terminarão em divórcio.
O psicólogo John Gottman e os matemáticos James Murray e Kistin Swanson alegam que suas previsões têm 94% de precisão.
A pesquisa do "Laboratório do Amor" foi apresentada no encontro anual da Associação Americana para Avanços Científicos, em Seattle.
Eu preferia que eles previssem os números do totoloto.
Eurodeputados pedem fim do aborto clandestino em Portugal
O presidente da Assembleia da República recebeu esta sexta-feira um documento com as assinaturas de mais de cem eurodeputados, onde se exige acções legislativas que ponham termo ao aborto clandestino.
O documento foi entregue pela eurodeputada comunista Ilda Figueiredo no gabinete de Mota Amaral e conta com assinaturas de deputados de cinco grupos políticos, de 13 países.
E agora senhores políticos, o que fazer?
A Portugal Telecom (PT) pretende chegar ao final de 2005 com uma cobertura de 100% nos lares, contra os actuais 75%, no que diz respeito ao acesso à internet a partir de computadores pessoais (PC) ou televisões, utilizando as tecnologias ADSL (banda larga) e cabo, anunciou esta semana Miguel Horta e Costa, presidente executivo da empresa.
O responsável da PT salientou que Portugal tem níveis de penetração de banda larga em linha com a União Europeia. Mas alertou que «estamos longe de concretizar os objectivos do Governo e vencer o desafio da sociedade da informação».
Nesta fase, o maior entrave à massificação desta tecnologia não resulta da oferta, mas da procura, já que subiste um reduzido nível de penetração de PC, nível de informação e falta de formação. Por isso, Miguel Horta e Costa afirma que «urge proporcionar aos portugueses condições que lhes permitam aceder à nova vaga tecnológica e mudar o enfoque dos agentes de mercado para a resolução das suas necessidades».
De acordo com o presidente executivo da Portugal Telecom, o desafio a vencer em termos da banda larga é grande e irá implicar a necessidade de «dar as mãos num esforço coordenado de operadores, da Unidade de Missão, Inovação e Conhecimento, Governo, Regulador, entidades públicas e privadas».
Será como o Miguel diz?
O desemprego subiu 26,5 por cento entre 2002 e 2003, com a taxa de desemprego nos doze meses de 2003 a atingir os 6,4 por cento, revela hoje o Instituto Nacional de Estatística.
E este ano quantos por cento vão ser?
Não sabemos, o que sabemos é que as políticas sociais deste governo, cada vez nos afundam mais.
Por este andar, qualquer dia, nem o Bagão tem dinheiro para pagar os subsídios de desemprego! Quando chegar esse dia, faz como os outros, abre falência, e junta-se ao exercito de desempregados! Resta saber onde é que ele vai meter o papel para o subsídio.
Será em Bruxelas?
Lucros dos quatro maiores bancos privados subiram perto de 30% no ano passado
O ano de 2003 marca sem dúvida uma diferença face a 2002. Todos os bancos que apresentaram resultados, de entre as principais instituições nacionais, conseguiram uma melhoria nos lucros, atingindo uma subida global de 29,9% face a 2002, chegando aos 1.092 milhões de Euros (Me).
O Millennium BCP foi o principal responsável, com uma subida de 60,5%. O BES, o BPI e o Totta apresentaram uma subida nos lucros de 14,4%, 17% e 15,1%, respectivamente.
O banco de Jardim Gonçalves pagou 7,1% de IRC contra 14% em 2002
Segundo analistas isto deve- se essencialmente a activos fiscais diferidos resultantes de prejuízos passados no Bank Millennium na Polónia e também devido às operações recentes da Turquia e na Grécia.
Por outro lado o BES, ao contrário dos outros bancos pagou mais IRC em 2003 face ao ano anterior. A taxa paga passou de 13,1% em 2002 para 16,1% em 2003.
O BPI desceu 10 pontos percentuais a taxa de IRC entre 2002 e 2003.
A eficiência fiscal dos bancos tem justificado a baixa taxa de imposto paga. As provisões obrigatórias são consideradas custo fiscal. Bem como as variações patrimoniais negativas nas contribuições extraordinárias para o fundo de pensões. Há ainda os benefícios fiscais nos rendimentos em participações financeiras: acções compradas em privatizações, títulos de dívida pública e lucros em off-shore.
Por estes números vê-se que a crise passou ao lado da banca.
Perante este números, podem colocar-se algumas questões:
Em tempo de vacas magras, como se explica esta subida nos lucros?
Em tempo de recessão, tanto a nível particular como empresarial, com os mercados financeiros em baixa, como justificar esta subida notável nos lucros? Reestruturações? Eficiência?
Com esta subida nos lucros, é razoável esta descida acentuada no IRC?
Mesmo com uma eficiente gestão fiscal, outras empresas fora da orbita bancária conseguiriam os mesmo resultados?
Terá a banca privilégios dentro do universo empresarial português? Se tem, justifica-se?
É justo que, para uma taxa nominal de IRC de 33%, se chegue a 7.1%, tendo apresentado tantos lucros?
É esta a necessária competitividade que tanto se fala por aí?
Nascimento do famoso actor italiano Marcello Mastroianni (1924-1996).
No seu longo percurso cinematográfico fez com Federico Fellini, “La dolce vita” (1960), “La notte” (1960), “Otto e mezzo” (1963) e “La città delle donne” (1980).
Em Portugal, interpretou “Afirma Pereira”, uma adaptação da obra homónima de António Tabucchi, e colaborou com o realizador Manoel de Oliveira.
Já toda a gente viu mil e uma coisas em madeira.
Que tal ver a mil e dois, e a mil e três, e ........
Basta espreitar aqui.
Carga fiscal sobre combustíveis aumenta a partir de segunda-feira
O imposto sobre os combustíveis (ISP) vai aumentar a partir de segunda-feira, em resultado de uma portaria conjunta dos ministérios das Finanças e Economia publicada quinta-feira no Diário da República.
Tendo em conta os dados apresentados na referida portaria (nº 149-A/2004), o aumento do imposto sobre o gasóleo rondará os 0,0085 cêntimos mais IVA (imposto sobre o valor acrescentado), traduzindo na prática um aumento de um cêntimo.
A carga fiscal sobre as gasolinas agravar-se-á em cerca de 0,0060 cêntimos.
Ora aí está a retoma....dos aumentos!
Como fazia falta aqui, um MIBCO (Mercado Ibérico para os Combustíveis)!
Fumar prejudica quase todos os aspectos da saúde sexual, reprodutiva e dos bebés, segundo um novo relatório da Associação Médica Britânica (AMB).
Segundo o estudo, fumar já causou impotência em 120 mil homens britânicos com idade entre os 30 e os 50 anos.
O fumo é responsável também por até 5 mil abortos por ano, pela redução da fertilização in-vitro e por casos de câncer cervical, de acordo com o trabalho.
Os dados indicam que os danos provocados pelo fumo são evidentes ao longo da vida reprodutiva – desde a puberdade até a meia-idade.
As hipóteses de uma mulher engravidar caem em até 40% por causa do fumo.
Ainda segundo o estudo, o tabaco pode também prejudicar os bebés durante a gravidez.
As mulheres que fumam durante a gestação são três vezes mais susceptíveis de ter um bebé com baixo peso – o que pode estar relacionado com doenças e morte na infância.
Há também evidências de que o fumo pode aumentar o risco de certas anomalias no feto, como o lábio leporino ou ausência de palato.
Mulheres que fumam podem produzir menos leite e de qualidade menor.
O trabalho afirma ainda que o fumo passivo também está relacionado com nascimento prematuro, infecções respiratórias em crianças e com o desenvolvimento de asma na infância.
Estima-se que a cada ano mais de 17 mil crianças com menos de cinco anos são admitidas em hospitais do Reino Unidos devido a doenças respiratórias causadas pela exposição ao fumo passivo.
Vivienne Nathanson, chefe do departamento de ciência e ética da AMB, diz que “a dimensão da escala dos danos que o fumo do tabaco causa à saúde reprodutiva e infantil é chocante.”
“As mulheres estão geralmente cientes de que elas não deviam fumar durante a gravidez, mas a mensagem precisa de ser muito mais forte.
“Homens e mulheres que pensam em ter filhos um dia deviam abandonar o cigarro.
“E não estamos falando apenas sobre ter filhos. Os homens que querem continuar a ter uma vida sexual deviam deixar de fumar, porque há fortes evidências de que fumar é uma grande causa de impotência sexual masculina.”
Recomendações da AMB
As mulheres expostas a fumo passivo no trabalho deviam ter direito a férias pagas durante a gravidez.
Os avisos sobre o tabaco deviam incluir os riscos para a saúde reprodutiva.
Fumar não devia ser incentivado nos média.
As metas governamentais para reduzir o fumo deveriam ser mais ambiciosas.
Deveria ser proibido fumar em lugares públicos fechados.
Teste de cabelo revela consumo de bebida
Cientistas suíços desenvolveram uma linha de testes capazes de revelar quanto álcool uma pessoa bebeu ao longo de dias, semanas e até meses a partir de amostras de cabelo, sangue e urina.
O álcool desaparece do corpo em questão de horas, mas seu consumo leva à formação de substâncias químicas que permanecem no organismo por muito mais tempo.
O estudo, feito pela Universidade de Basel, na Suíça, foi publicado pela revista New Scientist. De acordo com a revista, médicos e empresas poderão usar o teste.
A única forma de esconder a evidência é raspar completamente todos os cabelos e pelos.
Será que vamos passar a ter mais carequinhas?
O ministro da Economia, Carlos Tavares, afirmou quinta- feira que os factores de pressão para a subida dos preços da electricidade estão no sistema e é um erro associá-los ao mercado ibérico da electricidade (MIBEL).
"Todos os factores de pressão estão no sistema eléctrico, identificá-los como riscos MIBEL é um erro", afirmou o ministro em reacção às críticas formuladas quarta-feira pelo presidente da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), Jorge Vasconcelos.
Segundo o ministro, um dos elementos essenciais na condução do mercado ibérico da electricidade são os reguladores, afirmando esperar que "desempenhem bem o seu papel".
Carlos Tavares reafirmou que "o MIBEL só pode fazer baixar os preços em Portugal", porque os preços com o funcionamento do mercado serão mais baixos do que seriam sem o funcionamento do MIBEL".
Conclusão, o MIBEL é o instrumento para baixar os preços!
O sistema ( que faz aumentar os preços) não faz parte do MIBEL!
Com o MIBEL os preços não sobem!
Vou já pedir um MIBEL para o pão, para os transportes, para a água, para as portagens, para.....
Será que estes senhores não dão conta das alarvidades que a boca debita?
Quem, por exemplo, vai pagar as indemnizações, pelo fim dos contratos de aquisição de energia (CAE)?
Estes ministros estão parvos, ou querem fazer de nós parvos?
Depois ficamos admirados de o país não ir para a frente!
Naquele tempo, que foi o meu, em que Portugal tinha como Chefe-de-Estado um senhor conhecido como o «Cabeça de Abóbora», Américo Tomás de nome próprio, e a escola secundária, sempre que possível dividida em rapazes para um lado e raparigas para o outro, que se chamava Liceu, os manuais escolares eram abusivamente feios e malfeitos, cheios de matérias desgarradas e mal explicadas.
Os professores, pelo menos os que me calharam em sorte, da primária à faculdade – na faculdade já houve alguma mudança pois vivia-se o período “pós” 25 de Abril, mas isso seria tema para outro post – eram umas criaturas distantes e autoritárias, com ar de quem estava ali a fazer um grande frete, que passavam aulas e aulas dos diversos anos lectivos a debitar o que vinha nos manuais, discursos que tínhamos de decorar e igualmente debitar nos testes e exames se queríamos ter notas razoáveis e passar o ano.
Mesmo quando não compreendíamos nada daquilo, o que acontecia com frequência, numas disciplinas mais que outras, consoante a “queda” do aluno ser para letras ou ciências.
No meu caso pendia para ciências. E então, quando cheguei á filosofia (tirando a Lógica que gostei e até tive umas honestas brilhantes notas), nem me dei ao trabalho de tentar compreender o pensamento daqueles filósofos. Para quê? Pois se decorasse ou copiasse o resultado era o mesmo...
Quando cheguei ao Kant e á Crítica da Razão Pura (só o nome metia respeito), cujo pensamento o manual do Bonifácio – mais conhecido pelos alunos como o manual do Malifácio - resumia em meia dúzia de parágrafos com um conteúdo ainda mais “de outro planeta” que os restantes, fiz como habitual: ou seja, decorei, pespeguei nos testes e pontos de exame, esqueci e passei à frente, que eu era jovem e a vida - a verdadeira, achava eu, feita de coisas concretas e tangíveis - estava à minha espera para ser vivida.
E assim até fiquei com tempo livre para jogar uns matraquilhos com os amigos, atirar às miúdas uns inevitáveis olhos inundados das hormonas tresloucadas da idade, fazer teatro, passar umas tardes nos cafés em animado paleio e ir ao Paris ou Jardim Cinema, onde, por quatro ou cinco escudos, se viam dois filmes seguidos (às vezes até um teatro curto antes do filme e nos intervalos, feito pela maralha nova, que gostava de atirar bocas uns aos outros) em sessões de reprise.
Hoje estive a ler o post do morfeu sobre o Kant. Interessante, de facto. O homem, afinal, não era assim tão esquisito como o pintavam naqueles velhos tempos. Talvez porque, como escreve Helena Ferro de Gouveia, Kant, que morreu faz hoje duzentos anos, foi um grande filósofo defensor dos direitos humanos, da igualdade perante a lei, da cidadania mundial, da paz universal e acima de tudo do "Sapere Aude", a emancipação da razão. E naqueles velhos tempos, cá por Portugal, essas eram coisas que não interessavam ensinar ao povo.
Quase três décadas depois, fiz as pazes com o filósofo. Combinei com ele irmos beber um cafezinho juntos... , para o Immanuel (Kant) me contar aquelas coisas que pensava sobre os homens e a vida. Aposto que vou gostar de o ouvir...
Kant:
Um pensador genial com um quotidiano monótono? As novas obras biográficas mostram um outro filósofo que jogava com gosto às cartas, que apreciava uma boa refeição ou um espectáculo de teatro, que gostava de anedotas - claro que por motivo racional: o riso estimula a digestão - que se interessava pela política mundial. Naturalmente que não foram apenas os aspectos privados de Kant que mereceram a atenção dos autores (todos reconhecidos especialistas no obra do filósofo da Aufklaerung), mas a sua vida intelectual, as suas ideias e como estas foram influenciadas pelo clima da época.
MTV 'censura' clipe de Britney após caso Janet Jackson
A MTV americana decidiu transmitir o novo clipe da cantora Britney Spears apenas em horários noturnos, alegando que o vídeo é muito "cheio de vida" para ser visto durante o dia.
A decisão ocorre depois do incidente envolvendo a cantora Janet Jackson, que teve seu seio direito exposto a milhões de telespectadores durante um aparente acidente em um show que fazia no Superbowl (a final das ligas de futebol americano), quando o cantor Justin Timberlake acabou rasgando seu corpete.
No clipe de Toxic, Spears usa um macaco justo e transparente e faz cenas sensuais com um homem em um banheiro de avião.
De repente os americanos tornaram-se muito pudicos.
Será que a indústria porno americana também vai fechar?
E a playboy?
Os três filmes originais da saga Guerra nas Estrelas serão lançados pela primeira vez em DVD em setembro, segundo anúncio da produtora Lucasfilm.
Guerra nas Estrelas, O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi farão parte de uma caixa com quatro discos, que também vai incluir cenas não exibidas, além de uma melhor qualidade de som e imagem.
Jim Ward, produtor executivo da Lucasfilm, afirmou esperar que o tão esperado DVD seja "tão marcante quanto assistir à trilogia pela primeira vez".
O lançamento inicial será nos Estados Unidos e no Canadá, mas outros países terão o produto "pouco depois", segundo a produtora.
Dizia-se que no tempo da outra senhora, Portugal era o país dos três efes : Fátima, Fado e Futebol.
Pelo que aqui se diz, devemos ter perdido dois efes; agora só temos um efe, o Futebol!
É verdade que fala do futebol por tudo e por nada.
É verdade que o mundo do futebol não se resume aos noventa minutos do jogo – um mundo complexo gira à volta desta modalidade.
É verdade que um poder desportivo se instalou no nosso país.
É verdade que os média dão grande destaque ao futebol.
Mas será que o futebol domina a nossa vida, ou estas são apenas opiniões sem expressão?
Será que somos nós que vivemos alienados com o futebol, e não os Brasileiros?
Será que nos preocupamos com questões supérfluas, e negamos as importantes?
A Inspecção-Geral das Actividades Económicas (IGAE) apreendeu esta semana dois táxis, em Lisboa, em que se encontrava instalado um dispositivo electrónico que aumentava ilegalmente o preço das corridas, revelou o inspector-geral à agência Lusa.
A fiscalização levada a cabo pela IGAE foi consequência das "queixas recorrentes de utilizadores frequentes de táxis no mesmo percurso e no mesmo horário e que pagavam valores significativamente diferentes dependendo do taxista", explicou Mário Silva.
O IGAE detectou então duas viaturas nas quais estava instalado um dispositivo que tinha por finalidade alterar a normal marcação dos impulsos do taxímetro, aumentando ilegalmente o valor a pagar pelos clientes.
As viaturas com o dispositivo foram apreendidas e os taxistas enfrentam uma pena de prisão até três anos ou multa, nos termos do código penal.
Coitados andavam a “sacar mais algum”, para poder liquidar o Pagamento Especial por Conta.
Presidente da ERSE alerta para a subida dos preços da electricidade
O presidente da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE), Jorge Vasconcelos, afirmou hoje que há factores de risco no âmbito da criação do Mercado Ibérico de Electricidade (Mibel) que podem fazer subir os preços, contrariando as previsões do primeiro-ministro, Durão Barroso.
"Em Portugal, a pressão sobre os preços [de electricidade] é no sentido da subida", afirmou o presidente da entidade reguladora na comissão parlamentar de Economia e Finanças, o que contraria recentes declarações do primeiro-ministro, que apontou para a redução dos preços da electricidade após a entrada em funcionamento do mercado ibérico.
Jorge Vasconcelos, considera que há riscos potenciais que podem fazer subir os preços.
Entre esses riscos encontram-se as compensações a pagar aos produtores pelo fim dos contratos de aquisição de energia (CAE), que até agora lhes oferecia uma remuneração garantida, e cujos custos serão repercutidos nas tarifas por um período que ainda não está definido.
A remuneração dos terrenos das centrais produtoras e o regime de incentivos às energias renováveis, "que se tem traduzido em subidas", são outros dos factores apontados por Jorge Vasconcelos.
As rendas cobradas pelos municípios à EDP Distribuição, cuja tendência é também de subida, e os custos da convergência tarifária com os arquipélagos dos Açores e da Madeira, "pressionam em alta os custos da energia em Portugal".
Os preços de electricidade deverão ainda reflectir o custo dos combustíveis e, no futuro, talvez os custos pelo cumprimento da directiva comunitária de redução das emissões de carbono.
Na sua opinião os custos extra que vão sendo adicionados aos preços da produção e distribuição de electricidade tendem a subir na proporção inversa aos benefícios que o funcionamento do mercado poderia trazer em termos de redução de preços.
Será esta a realidade?
Tudo leva a crer que sim!
O resto é propaganda política!
O fiscalista Saldanha Sanches manifestou hoje estranheza pelo facto de serem "os empresários a defender a eliminação do sigilo bancário em Portugal", competência que "é da responsabilidade do sistema político".
"Estamos perante uma inversão de funções", disse à Lusa o especialista em direito fiscal, ao comentar as conclusões da reunião do "Compromisso Portugal", que juntou ontem, em Lisboa, mais de 500 gestores, empresários economistas, professores universitários e advogados.
Saldanha Sanches, um defensor do fim do segredo bancário em Portugal, realçou ainda que "o sistema político está sobretudo preocupado com o controlo da fraude fiscal" e que se assiste a "uma degradação dos agentes políticos".
"Estranho que a iniciativa [para eliminação do segredo bancário] venha da parte dos empresários e da sociedade civil", o que traduz "uma clara inversão de funções", acrescentou.
Além disso, verifica-se agora que são os empresários a "exigir mais controlo fiscal".
Esta posição só revela "o estado de degradação a que chegou o sistema político", sublinhou o fiscalista.
Saldanha Sanches referiu ainda que na sequência desta posição, porventura, o sistema político e em particular o poder autárquico poderá vir "a opor-se ao fim do sigilo bancário"
E agora, quem se opõe ao fim do sigilo bancário?
Só se for o Isaltino e companhia!
A obra "O vento assobiando nas gruas", de Lídia Jorge, venceu quarta-feira o I Prémio Correntes d'Escritas/Casino da Póvoa, atribuído este ano pela primeira vez e destinado a obras em português ou espanhol.
A obra de Lídia Jorge recolheu três votos do júri, contra dois votos para a obra "No interior da tua ausência", de Baptista-Bastos. À finalíssima chegou também "A Taberna da Índia", escrito pelo mexicano António Sarábia.
A este prémio, no valor de dez mil Euros, concorreram 79 obras, de que foram consideradas finalistas nove, pelo júri constituído por Isabel Pires de Lima, Vergílio Alberto Vieira, Artur Queirós, José Viale Moutinho e Carlos Reis.
Lídia Jorge disse à agência Lusa estar emocionada "por ser a primeira de uma lista de premiados, o que é uma espécie de responsabilidade".
Parabéns Lídia Jorge!
Petição para referendar aborto recebe parecer favorável da comissão parlamentar
A comissão parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias deu hoje o parecer favorável à petição para a realização de um novo referendo sobre o aborto, considerando que esta "apresenta-se conforme aos preceitos constitucionais, legais e regimentais aplicáveis".
Aprovado por unanimidade, o parecer, redigido pela deputada do PCP Odete Santos, surge após a entrega de mais de 120 mil assinaturas reunidas pelo movimento social Petição Para um Novo Referendo, no passado dia 28, ao presidente da Assembleia da República.
A maioria PSD/CDS-PP já fez saber que chumbará qualquer projecto relacionado com o aborto mas, mesmo que fosse aprovada, a iniciativa popular não obrigava de imediato à convocação de uma nova consulta popular sobre o tema.
Perante a posição da maioria governamental, ao dizer que chumbará qualquer projecto relacionado com o aborto, argumentando que tem de manter-se fiel ao compromisso eleitoral de não mexer na actual lei sobre o aborto, pergunto:
Quantos compromissos estão por cumprir até agora? Quantos compromissos foram metidos na gaveta?
Porque é que algumas vezes defendem a mudança e outras o imobilismo?
Num país que se diz democrático e pluralista, qual a justiça ao obrigar todos a seguir os valores morais e religiosos de uns quantos?
Ainda por cima quando essa “obrigação” é causa de tantos dramas pessoais e humanos e manifestamente injusta para as mulheres, obrigando as que não têm dinheiro para ir até Badajoz ou Inglaterra a abortar em situações precárias?
A negação do direito ao aborto não será uma forma de totalitarismo pseudo-democrático?
As vária maneiras de promover o mesmo produto e o mesmo animal.
Será que o produto continua a vender?
Cerca de 10 por cento da criminalidade do país corresponde a quatro tipos de crimes rodoviários, alerta a Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, lamentando a morosidade da justiça nesta matéria.
Condução sem carta, condução com taxa de álcool igual ou superior a 1,2 gramas por litro de sangue, homicídio por negligência e ofensas à integridade física por negligência em acidentes de viação são infracções que representam cerca de dez por cento da criminalidade nacional.
Segundo Luís Barros de Figueiredo, da Associação de Cidadãos Auto-Mobilizados, «o sistema judicial trata tudo da mesma maneira, quer se trate de delinquência cível, tributária ou rodoviária».
«A falta de meios e de celeridade é idêntica ao que acontece em muitas outras áreas, mas neste caso morrem pessoas», considerou Luís Barros de Figueiredo no fórum sobre Segurança Rodoviária, realizado esta terça-feira na Assembleia da República.
Para a ACA-M «os esquemas sancionatórios associados aos crimes» não são os mais adequados, sugerindo em alternativa o serviço à comunidade.
A Carolina há 17 anos que vive no campo e está farta.
Ela quer vir para a cidade.
Ela anda à procura de amor e paixão!
Quem a ajuda?
WWF apela à regulamentação da pesca em águas profundas
A organização ecologista World Wide Fund for Nature apelou hoje à regulamentação internacional da pesca em águas profundas, afirmando que a técnica do arrasto representará a maior ameaça para a biodiversidade dos fundos marinhos.
Um estudo da WWF, da União Internacional para a Conservação da Natureza e do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais revela que a pesca por arte de arrasto é o método mais comum utilizado em águas profundas e também o mais perigoso para os ecossistemas.
Apresentado na sétima conferência das partes (COP7) da Convenção sobre Biodiversidade - que começou ontem na Malásia e se prolonga até dia 27 - o estudo "High Seas Bottom Fisheries and Their Impact on the Biodiversity of Vulnerable Deep-Sea Ecosystems" lembra que se as zonas costeiras são da responsabilidade dos Estados, a comunidade internacional tem um papel a desempenhar no que concerne à pesca em alto mar.
Este tipo de actividade já levou ao esgotamento de algumas das reservas de peixe dos grandes fundos e está a vulnerabilizar recifes de coral e habitats de centenas de espécies marinhas, alerta o documento.
Segundo Ghislaine Llewellyn, da WWF, em causa estão os ecossistemas entre os 400 e os 2000 metros de profundidade, no Atlântico Norte, Oceano Índico e Pacífico Sul. Os principais países responsáveis são a Espanha, Irlanda, França, Japão, Rússia, Austrália e Nova Zelândia.
As três organizações estimam que as regulamentações actuais são insuficientes e apelam à comunidade internacional para actuar "antes que ocorram prejuízos irreversíveis para a biodiversidade".
Tanto mais que, garantem, "estes frágeis habitats marinhos poderiam ser protegidos com impactes económicos pouco significativos para a indústria global da pesca".
Responsáveis de 188 países estão reunidos desde ontem para tentarem reduzir a taxa de extinção de animais e plantas até 2010.
Os delegados debatem formas para reforçar a protecção das florestas, rios, oceanos, montanhas e aliviar os efeitos das alterações climáticas sentidos pela biodiversidade.
Depois de ler esta notícia lembrei-me que UE queria “abrir” mais as nossas águas à frota espanhola.
Por outro lado pretende reduzir o nosso esforço de pesca sobre várias espécies.
Assim a política da EU parece balançar entre os interesses ecologistas e os económicos, levando a que atinja os nossos interesses, seja qual for o prato mais pesado da balança.
Durão Barroso aparece numa festa de um empresário importante.
Mas, ao chegar à entrada da enorme mansão, é detido pelo segurança.
- Desculpe, senhor, mas sem convite não posso deixá-lo entrar.
- Mas, eu sou o Durão Barroso, o 1º Ministro!
- Então, mostre-me o seu Bilhete de Identidade.
- É que também não tenho documentos; esqueci-me da minha carteira...
- Desculpe mas, não vou poder deixá-lo entrar...
- Ora essa!?!? O senhor nunca me viu na TV???? Olha bem para a minha cara...
- Por acaso... o senhor até é muito parecido com o Durão Barroso , mas sabe como é... existem muitos sósias. O senhor vai ter de me provar quem diz que é.
- Mas o que você quer que eu faça?
- Não sei... o Figo também se esqueceu dos documentos, eu dei-lhe uma bola de futebol e ele fez uma demonstração que me convenceu. O Abrunhosa também se esqueceu dos documentos e eu dei-lhe um microfone e ele fez uma demonstração em que provou que era o Abrunhosa.
- Porra!!! Mas eu não sei fazer nada...
- O.k.! Pode entrar, Dr. Durão Barroso !
De acordo com o Eurobarómetro, divulgado esta terça-feira, os Portugueses são a população da UE menos satisfeita com a vida que leva.
O Eurobarómetro revela que só de 56% dos Portugueses se sentem satisfeitos com a sua vida. Esta percentagem é claramente inferior à média da UE (79%).
A maioria dos Portugueses (52%) acredita que em 2004 a situação financeira do País vai agravar-se.
Com a qualidade de vida que tem a grande maioria do povo português, quem é se pode sentir satisfeito?
Há muito que vivemos de promessas!
Nove minutos espectaculares de arte com areia.
Imaginação e técnica ao mais alto nível.
Nota - ligar o som
Saliva de morcego pode ajudar a tratar acidentes vasculares cerebrais
Investigadores norte-americanos procuram na saliva do morcego-vampiro uma solução eficaz para dissolver os coágulos de sangue que obstruem os vasos cerebrais, dada a falta de bons tratamentos para os acidentes vasculares cerebrais (AVC).
É por isso que os investigadores estão a experimentar outra substância anticoagulante natural contida na saliva do Desmodus rotundus, o morcego-vampiro da América central e do sul.
A esperança é que a proteína activa dessa saliva, chamada desmoteplase, seja orientada com precisão para os coágulos e possa ser usada durante mais horas depois do início dos sintomas.
Teoricamente, a desmoteplase pode quebrar os coágulos sanguíneos sem afectar o resto do sistema de coagulação do sangue e com menos riscos de hemorragia dentro da cabeça.
A verdade é que funciona para o morcego-vampiro, uma criatura castanho-acinzentada com 30 gramas de peso que tem no gado as suas principais presas. A proteína impede a coagulação do sangue das vítimas, facilitando a sua ingestão.
Quem diria que a nossa salvação pode estar nestes vampiros!
Uma mulher telefonou para o hospital de Santa Maria:
- Bom dia, gostaria de falar com alguém que me desse informações sobre os pacientes. Queria saber se certa pessoa está melhor ou piorou...
- Qual e o nome do paciente?
- Chama-se Maria Isabel e está no quarto 302.
- Vou-lhe passar para o departamento das enfermeiras...
- Bom dia, o que deseja?
- Gostaria de saber a condição da Maria Isabel do quarto 302, por favor!
- Só um momento, vou olhar para os registos... hummm .... O.k., de facto, ela já está a comer duas refeições hoje, a pressão no sangue está estável e vai ser tirada da maquina que monitoriza o coração dentro de algumas horas, se continuar neste ritmo. O Dr. Jorge deve dar-lhe alta na terça feira às 12h.
- Graças a Deus! São noticias maravilhosas! Que alegria!
- Pelo seu entusiasmo, deve ser alguém muito próximo, talvez da família?
- Nem por isso, sou a Maria Isabel do quarto 302! Ninguém me diz merda nenhuma!
Portugueses trabalham mais 8 horas que espanhóis para comprar o mesmo
Os trabalhadores portugueses têm de trabalhar mais oito horas do que os seus colegas espanhóis para adquirir os mesmos bens, revela um estudo da Direcção-Geral da Empresa (DGE) revelado esta segunda-feira.
Em Dezembro do ano passado, o salário mínimo português era de 356,60 Euros, enquanto o espanhol ascendia a 451,20 Euros, o que representa uma diferença de 26,53%.
Alguém me explica como é que os espanhóis têm os produtos mais baratos e no entanto ganham mais do que nós?
HOMEM: É aquele que sonha ser tão bonito quanto a mãe acha que ele é; ter tanto dinheiro quanto o filho dele acha que tem; ter tantas mulheres quanto a mulher dele acha que ele tem; e ser tão bom de cama como ele acha que é.
CHEFE: É aquele que vem cedo quando você vem tarde e tarde quando você vem cedo.
SEXO: É aquilo que quando é bom é óptimo, mas mesmo quando é ruim ainda é muito bom.
COQUETÉIS: São reuniões programadas para se encontrar pessoas que não vale a pena convidar para jantar.
DIPLOMATA: É um sujeito que pensa duas vezes antes de não dizer nada.
CASAMENTO: É uma tragédia em dois actos: civil e religioso.
FACULDADE: É uma instituição financeira que vende diplomas: o aluno é o consumidor interessado em comprar e o professor é o cara que quer atrapalhar as negociações.
STATUS: É comprar uma coisa que você não quer, com um dinheiro que você não tem, para mostrar prá gente que você não gosta e é uma pessoa que você não é.
DISTRAÍDO: É aquele sujeito que, na hora de dormir, beija o relógio, dá corda no gato e enxota a mulher pela janela.
AMOR: É aquilo que começa com um príncipe a beijar um anjo e acaba com um careca a olhar para uma mulher gorda.
IDOSO: É aquele que quando jovem costumava ter quatro membros flexíveis e um duro. Agora tem quatro duros e um flexível.
Mais de metade dos portugueses acham que "vale a pena" os sacrifícios que estão a ser feitos para manter as contas públicas equilibradas e para não aumentar a dívida do Estado. Este é um dos resultados da sondagem para o programa "Prós e Contras" da RTP, que hoje à noite discutirá a situação económica em Portugal e a sua percepção pela população.
Os mais jovens são os que mais acreditam nos benefícios da “cura de emagrecimento”.
Os mais velhos e, as mulheres em particular são os menos crentes.
Os que pensam que a culpa da situação actual pertence ao actual governo, ultrapassa já, aqueles que defendem que a culpa tem origem no governo anterior.
Será que esta sondagem traduz fielmente o sentimento da generalidade da população?
Será que os jovens têm razão ao defender estes sacrifícios com vista a um futuro melhor?
Ou será que os mais velhos, pela experiência adquirida, fartos de promessas, duvidam que algum dia beneficiarão de uma vida melhor?
Tem razão as mulheres, as primeiras a constatar o aumento do custo de vida, na governação doméstica, quem mais duvida destes sacrifícios?
Terão razão os portugueses ao adoptar estas “curas”, quando outros estados enveredaram por outros caminhos, para sair de uma situação de crise?
Chegar-se-á a algum consenso, quando os próprios economistas têm visões diferentes do mesmo problema?
“O sexo não tem nada a ver com o amor. O governo fode-me há anos, e eu não estou apaixonado por ele!”
Mais uma vez fala-se de educação. Hoje é Nuno Crato, professor do Instituto Superior de Economia e Gestão, membro da direcção da Sociedade Portuguesa de Matemática e da Comissão para a Promoção do Ensino da Matemática, que no Público defende algumas medidas.
A seguir transcreve-se frases que achei mais relevantes de toda a entrevista.
«Não se pode culpar os alunos. Se eles não aprendem é porque nós, sociedade em geral e não só os professores, não estamos a funcionar como devíamos.»
«Há falhas que são mais ou menos evidentes, que estão assinaladas e que podem ser supridas. Uma delas, que é revelada pela comparação dos resultados obtidos no 1º e no 2º ciclo, é o grande desnível existente entre as duas etapas de estudo.»
«São fracas a Matemática como estou convencido que serão fracas em quase tudo. As pessoas falam da Matemática porque é mais visível. Haverá falhas em Matemática, História, Português, Geografia... Simplesmente, a Matemática é um barómetro do estado do ensino mais rigoroso que outros, porque revela melhor as deficiências do ensino do que as outras disciplinas. Isso explica-se por duas ou três características. Primeiro, é mais cumulativa; é muito difícil recuperar-se sem ter as bases: se o aluno não sabe somar fracções, a seguir vai ter mais dificuldade com os polinómios. Segunda agravante: em Matemática, as respostas estão habitualmente certas ou erradas, pelo que é muito fácil as notas serem muito boas ou muito más.»
«Um problema fundamental é que não existem exames nacionais. A única altura em que são feitos é no 12º ano. É complicado saber o que cada um está a fazer bem ou mal se não existe nenhum exame nacional.»
«As actuais provas de aferição não dizem o que cada aluno sabe. É preciso algo mais do que exames do 9º ano. Será no 6º, será no 4º, não sei, mas estou convencido que é preciso criar algo mais.»
«Os programas mudaram demasiadas vezes sem avaliação do que foi feito. Aquilo que é necessário, que é saber quais as práticas, programas e orientações que têm sucesso, quais os que não têm, isso não pode ser estudado ainda em Portugal. Não tem havido uma estabilidade educativa que permita fazer essa análise.»
«Há uma lei de 1992, que nunca foi cumprida, que diz que os manuais devem ser avaliados, mas que é tão complicada e tem coisas tão absurdas que nunca foi posta em prática. Defendo que o ministério, ou outras entidades que disso fossem encarregues, faça uma avaliação dos manuais existentes. Não seria vinculativa, mas indicaria aos professores a opinião de alguns pessoas idóneas sobre os livros escolares.»
«Há a ideia de que as ciências e a Matemática são mais difíceis. Os estudantes habituaram-se a que seja socialmente aceitável não gostar e ser mau a Matemática. Se se ouvir na televisão: "Eu de Matemática não sei nada, percebo perfeitamente que os estudantes tenham maus resultados", isso passa habitualmente sem condenação. Imagine o que seria se essas pessoas dissessem na televisão: "Português, que horror! Eu não sei falar bem português, eu não sei escrever português..."»
«Todo o medo em relação à Matemática e às ciências é derivado do seu desconhecimento e do facto de as pessoas não terem conseguido ter uma formação razoável que as fizesse gostar dessas disciplinas, pois elas são tão bonitas como o português ou as artes plásticas.»
«Acho que as universidades estão também numa encruzilhada: por um lado têm menos candidatos e, por outro, os candidatos que têm aparecem com pior formação. Se não os aceitam ficam vazias e vão à falência. Acho que deviam reagir a isto de uma maneira positiva, fazendo cadeiras preparatórias, com o objectivo de acompanhar alunos que vêm mal preparados. As universidades têm-se recusado a fazê-lo, quando esta é uma solução óbvia e que permite evitar o desperdício de recursos.»
«A situação da formação de professores é má. A formação contínua não funciona. Persistem as acções tipo "tapetes de Arraiolos" que dão créditos para a progressão na carreira, mesmo que se trate de docentes de Matemática. Quanto à formação inicial de professores, é boa nuns casos e má noutros. O que é muito grave para o ensino básico e secundário é que a entrada na carreira seja feita apenas com base na nota final do curso. E esta é da responsabilidade das escolas. Resultado: há instituições que formam alunos que saem com 18 valores e que estão muito mais mal preparados do que outros que têm média de 12. E os que saem com 18 passam à frente.»
«Julgo que só há uma forma moderna de resolver o problema. Há a antiga, salazarenta, que é mandar os inspectores às escolas ver o que se passa . E há a moderna. O empregador dessas pessoas, que é o Estado, faz um exame de entrada e pergunta ao professor de Português: em que ano nasceu Camões, foi no século XVIII ou no XVI? Não sabe isto, não entra. Ou quanto é que é um terço mais um quarto? Um futuro professor de Matemática tem de saber responder.
Estou a caricaturar, mas a ideia é esta: o empregador deve fazer um exame às capacidades científicas do candidato a professor. Uma instituição que formasse 200 pessoas com 18 valores e em que nenhuma conseguisse entrar na carreira ver-se-ia assim obrigada a reformular os seus critérios.»
O problema é complicado mas, tem-se de diagnosticá-lo convenientemente e tomar as medidas certas, para resolver um dos problemas mais prementes da sociedade portuguesa.
Não haverá nenhum “crânio” no Estado que entenda a urgência em resolver esta questão?
A próxima campanha da Prevenção Rodoviária Portuguesa vai visar a segurança dos peões. Os números disponíveis, relativos ao ano passado, mostram que de Janeiro a Setembro os atropelamentos provocaram menos 37 mortos do que em igual período de 2002, mas este tipo de acidentes continua a ser um dos problemas mais graves da sinistralidade em Portugal.
Os mais recentes dados disponibilizados pela Direcção-Geral de Viação, dão conta de um total de 4999 atropelamentos entre Janeiro e Setembro de 2003 - menos 94 face ao ano anterior.
É dentro das localidades, onde a velocidade máxima permitida é de 50 quilómetros por hora, que continua a ocorrer grande parte dos atropelamentos graves. Nestas circunstâncias, os acidentes com peões resultaram em 117 mortos até Setembro de 2003, ao passo que 60 casos de vítimas mortais aconteceram fora das localidades.
A taxa de mortos por habitante a nível de peões representa "um valor superior ao dobro da média dos países da União Europeia" e "a segunda pior" dos Quinze, segundo dados relativos a 2001 e 2002, citados no Plano Nacional de Prevenção Rodoviária.
Perante os dados, o plano associa a "gravidade dos atropelamentos às velocidades praticadas" e aponta a necessidade de "conferir controlo de velocidade" em estradas de atravessamento de localidades.
É urgente tomar medidas para evitar a sinistralidade automóvel.
Os peões são umas partes do problema.
Estou convicto que uma das causas do problema está na educação.
É preciso educar os automobilistas...e os peões.
E a educação começa de pequenino, em casa e na escola.
E já se começa a notar que a juventude é sensível ao tema.
Morte de Iris Murdoch (1919-1999), depois de lhe ter sido diagnosticada a doença de Alzheimer em meados dos anos 90.
Estudou cultura clássica, história antiga e filosofia no Sommerville College em Oxford.
A primeira obra que publicou foi o estudo crítico Sartre, Romantic Rationalist (1953) sobre o existencialismo francês. A sua carreira como ficcionista começou em 1954, quando publicou o seu primeiro romance Under the Net. Depois disso deu à estampa mais de vinte romances, entre os quais se destacam A Severed Head (1961), The Bell (1958), The Sandcastle (1957) e The Sea, the Sea (vencedor do Booker Prize em 1978). Publicou também peças de teatro e estudos críticos na área da filosofia.
A obra de Iris Murdoch aborda questões éticas e morais e a forma como elas se entrelaçam naquilo a que ela gostava de chamar a "unique strangeness" dos seres humanos.
Um antigo técnico de combate a incêndios em navios inventou um sistema de controle de derrames de crude que diz evitar marés negras como a do Prestige e já apresentou a ideia a várias entidades.
O método criado por José Amaral consiste em colocar um cordão com bidões de 200 litros ligados entre si à volta dos navios que estejam a derramar crude, evitando que a mancha se espalhe.
De seguida é colocada uma segunda protecção exterior aos bidões, feita com espuma rígida.
«Desde que se actue logo após a detecção da ruptura, o derrame de crude fica automaticamente bloqueado e controlado», assegurou José Amaral à agência Lusa.
José Amaral disse que se trata de um sistema «bastante simples, com custos insignificantes mas que fecha o circuito do crude», impedindo o material de se espalhar e chegar à costa.
O inventor lamenta que as autoridades nacionais, a quem já enviou uma maqueta, não se tenham, para já, mostrado muito interessadas no seu sistema.
«Por enquanto ninguém se mostrou muito interessado na ideia e caso não venha a ser adoptado no nosso país, o seu destino será certamente o estrangeiro. E depois quando Portugal precisar irá fazer o mesmo que fez com os aviões de combate a incêndios: aluga e pede ajuda», criticou.
Será preciso acrescentar mais alguma coisa?
Um banco português caiu no conto do vigário dos bilhetes para o Euro2004.
Segundo o Instituto do Consumidor foi recebida uma queixa de um banco que pagou 9250 Euros por uma série de bilhetes que não existe.
Os falsos ingressos foram oferecidos através de emails enviados pelo site Sports Mondial PLC, sediado na Austrália, EUA e Reino Unido, a preços muito superiores ao seu valor real.
Não é fácil acreditar na notícia.
Então os bancos caem, assim tão facilmente, no conto do vigário?
Com acesso fácil ao Euro2004, no nosso país, porquê ir comprar bilhetes no estrangeiro, a uma organização não oficial?
Parece que a história está mal contada.
Durão Barroso e o seu motorista passeavam por uma estrada quando, subitamente, atropelaram um porco matando-o instantaneamente.
Durão Barroso disse então ao seu motorista que fosse ate à quinta e explicasse ao dono do animal o que tinha acontecido.
Uma hora mais tarde, Durão Barroso vê o seu motorista a cambalear em direcção ao carro, com um cigarro na mão e com uma garrafa na outra. A roupa estava toda amarrotada.
- O que é que aconteceu? - perguntou o Durão Barroso.
O motorista respondeu:
- Bem, o dono da quinta deu-me vinho, a sua mulher cigarros e a sua charmosa filha de 19 anos fez amor comigo, apaixonadamente.
- Meu Deus! Mas o que é que lhes disse? - perguntou Durão Barroso.
- Sou o motorista do Durão Barroso e acabo de matar o porco!
Não resisti a roubar a piada à Ana.
Palmas para ela.
O apresentador do circo anuncia:
- E agora a mulher mais corajosa do mundo, vai deitar-se na jaula com o tigre, e vai deixá-lo lambê-la toda...
O tigre lambe e a plateia vibra...
- Há alguém com coragem de fazer o mesmo??? - Pergunta o apresentador.
Um rapaz lá do fundo grita:
- Eu tenho!!! Mas tens de tirar o tigre daí!!!
A secretária dirige-se ao gabinete do chefe e diz:
- Sr. Joaquim, os nossos arquivos estão abarrotados. Será que podemos deitar fora os documentos com mais de 20 anos?
- Óptima ideia. Mas antes tire cópias de tudo.
“O sexo é como um jogo de cartas: se você não tem um bom parceiro, é bom que tenha uma boa mão!”
O lugar estava vago.
Como sempre, o lugar de líder foi disputadíssimo.
Todos se quiseram impor!
No fim deu merda!
É sempre assim.
Provavelmente, tudo não tinha passado de uma miragem deslumbrante mas, ainda assim, miragem, no deserto da vida dela. Depois daquele almoço, e apesar de Zé Costa se ter despedido com até breves, daqui por dias volto para trazer à prima os papéis para as termas, o certo é que nunca mais tinha dado sinal de vida.
Nos dias que se seguiram, Antónia andou num alvoroço, sempre à espera do toque do telefone ou da campainha da porta. Vestia-se logo de manhã, experimentava um vestido e depois outro, a ver qual lhe ficava melhor, punha um pouco de baton nos lábios e rouge nas faces, para estar bonita se ele aparecesse. E até a tarde que passou no cabeleireiro, para pintar o cabelo, foi um desassossego, sempre a pensar que o primo batia à porta e ela não estava para o atender.
Quem se desfez em espantos de a ver assim bem disposta, com saúde e alegria, foi a empregada: «Como está diferente e muito melhor, D. Antónia! Como gosto de a ver assim e cheia de vida, D. Antónia! Parece um milagre, D. Antónia!». E ela sorria apenas, imaginando o espanto maior que a empregada teria no dia em que descobrisse a existência do primo e lhe comunicasse o próximo casamento.
Casamento?!... Derradeiro sonho antes do sono eterno da morte, um último clarão antes da escuridão definitiva. Afinal, os dias tinham morrido, uns a seguir aos outros, e as semanas caíram, uma a uma, no calendário. De Zé Costa, nada. Nem notícias nem lembranças, como se costuma dizer. D. Antónia puxou o lenço e assoou com ruído as lágrimas que já nem sabiam o caminho dos olhos e teimavam em pingar das narinas. Doíam-lhe os braços, as pernas, as costas, estalava-lhe a cabeça. Ainda por cima não tinha conseguido consulta no médico dos ossos, tinha sido aquela chatice do telefone, sempre impedido. Depois, quando conseguiu ligação, o médico já não estava, tinha ido para um congresso no estrangeiro. Pois era, se a nora tivesse tido a delicadeza de passar pelo consultório - que até lhe ficava em caminho para a loja - ela não tinha ficado sem consulta e não estava agora tão cheia de dores... Parva era ela que ainda alimentava aquelas ideias de amizade com a nora. Tola! Até tinha pensado em oferecer-lhe a jóia antiga, aquela das pedras vermelhas. Era o que faltava, dar-lhe uma coisa daquelas, de tanto valor e estimação.
E a filha? Era filha, é verdade, sempre tinha tendência a desculpá-la, mas não podia fechar por completo os olhos. Se ela fosse uma boa filha, tinha vindo vê-la quando lhe telefonou a dizer que estava com uma daquelas crises de reumático de nem se poder mexer. Mas a filha mal a tinha escutado, quase que nem a deixou falar, que tinha o mais pequeno na banheira e o refogado ao lume, via-se mesmo que estava a despachar a mãe ao telefone. Ah, a sorte é que ela já os conhecia a todos de ginjeira, eram uns egoístas. Mas ela nunca mais os iria incomodar, decidira que já não precisava de mais ninguém. Daí para a frente, deixar-se-ia ficar em casa, sozinha, e morreria mirrada em dores e em comprimidos. Deus dar-lhe-ia uma morte breve, era a única coisa que agora desejava na vida: Morrer, morrer, estava decidido!
Mas a lembrança da tarde soalheira no terreno de Zé Costa, a casa com varanda virada ao mar, o murmúrio calmo das ondas, a voz do primo, forte e abrigante como um porto, teimavam em insinuar-se nos pensamentos de D. Antónia como uma maré que cresce e abriam-lhe brechas na fúnebre determinação. E se lhe tivesse acontecido alguma coisa a ele? Pois, afinal, não era estranho ele nunca mais ter dado palavra? Mas, que lhe podia ter acontecido? Só se fosse um acidente e ele estivesse nalgum hospital?!... E Antónia, ao invés de estremecer com esta ideia sinistra, mau grado, sentiu-se alegrar. E imaginou-se, carinhosa enfermeira, ao lado do primo, a mão dela na mão dele, e ele a contar-lhe como se sentira triste no meio de todas as tristezas do hospital, por imaginar a preocupação dela com a ausência de notícias dele. Oh, se assim fosse... Agora que experimentara aquele gosto renovado da vida após o reencontro com Zé Costa, morrer não era opção fácil. E ela ali estava, presa nas suas interrogações, às voltas com o dilema a que tudo se resumira: Viver ou morrer, eis a questão!
O telefone tocou e D. Antónia nem se mexeu. Deixou-se ficar a ouvir o trim compassado e repetido, as lágrimas secas, o pensamento no vácuo. O telefone calou-se. Depois voltou a tocar, insistente. Afastou o xaile que lhe tapava as pernas, levantou-se, levantou o auscultador.
«Está?»
«Antónia? Sou eu, O Zé Costa.»
Os pensamentos rodopiaram-lhe de tão rápido que ele falou. De tão rápido como tudo contou: que teve de ir de urgência à Alemanha, que o filho lhe tinha telefonado numa noite e que ele tinha embarcado no avião no dia seguinte, que nem teve tempo de telefonar. que foi tudo por causa de uma questão urgente da venda de uma casa comercial que tinha lá na Alemanha, que, enquanto lá esteve, se lembrou de lhe telefonar, mas tinha-se esquecido do número em Portugal. E que, agora, estava ali, no café em frente, e, se a prima Antónia não se importasse, tocava-lhe à porta para verem aquela questão das termas, pois estava-se a fazer tarde para a inscrição.
A campainha da porta soou e Antónia abriu.
«Dá-me licença?»
Tinha o mesmo sorriso bonacheirão e satisfeito do dia do almoço. A mesma voz reconfortante. Talvez ligeiramente inquieta. Como, inquieta, parecia uma mão escondida atrás das costas.
«Dá-me licença?», voltou a perguntar, indeciso, apoiando-se ora numa perna ora noutra.
Ela sorriu com curiosidade e ele retirou a mão de trás das costas e apresentou-lhe um raminho orvalhado de violetas.
«Flores..., se a prima me dá licença e não leva a mal.» E logo, corado como um adolescente, os olhos duas estrelas ternas e brilhantes:
«Flores... Para ti, Antónia.»
F I M
anamar - 1989
Este conto faz parte de uma colectânea premiada com uma Menção Honrosa na IV edição (2002) do Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca, promovido pela Câmara Municipal de Santiago do Cacém.
De acordo com o último estudo da Eurosondagem para a Rádio Renascença, Expresso e SIC, 53,2% dos inquiridos manifestou-se descontente com o desempenho do Executivo, contra 27,1% que dizem-se satisfeitos.
Diz também que «Os portugueses estão, de uma forma global, satisfeitos com a actuação do primeiro-ministro»!?
A Assembleia da República também mereceu nota negativa por parte de 39% dos entrevistados.
O Presidente da República, Jorge Sampaio, com 68,3% é a figura mais popular.
Esta de condenar o governo e aceitar a actuação do PM, faz-me um bocado de confusão!
Então que é o primeiro responsável pela actuação do governo?
Então ele não é o chefe do governo! (será que já não é? – realmente às vezes parece....)
Ou será que estou a ver mal!?
Pede-se aos quadros femininos da empresa que, no momento de solicitar fotocópias aos colegas de trabalho, sejam claras e objectivas completando as frases que escrevem.
Acontece que os post-it, adjuntos aos documentos por fotocopiar, têm causado problemas a alguns dos nossos colegas de trabalho, que nos fazem o favor de tirar as cópias, ao extremo de criar problemas conjugais.
Como exemplo, citamos algumas notas e post-its encontrados nos bolsos dos maridos:
Por favor, João, faz-me o mais rápido possível, pois o director também está à espera.
Pedro, pelos dois lados, e presta bem atenção que por trás tem que entrar tudo.
Daniel, faz como fizeste da outra vez.
Quando tirares faz com que se veja o melhor possível.
Carlos, devagarinho para que fique bem feito.
Tó Zé, faz-me rapidinho, mas bem, como só tu sabes.
Por favor, Jorge, primeiro a mim, que o meu é mais urgente.
E a mais recente, havendo numerosos trabalhos atrasados:
Luís, urgente! Podes meter-me no meio, sem que ninguém perceba, e fazer rapidinho?
Por favor, não nos criem mais problemas.
A Direcção
O actor norte-americano Carmine Caridi foi expulso da Academia das Artes e Ciências Cinematográficas norte-americana por ter distribuído através da Internet várias estreias de filmes através do sistema «P2P», segundo anunciaram esta quinta-feira fontes da instituição.
Carmine Caridi é suspeito de ter colaborado com uma rede na distribuição de vários filmes que ainda não estrearam e às quais teve acesso pelo facto de ser um membro do júri da Academia dos Oscares.
Entre os filmes postos a circular na Internet está o «Mystic River», «O Último Samurai», «Meninas de Calendário» e «Thirteen».
Mais trabalho para a “rede”.
Lá vão ter de fazer novas entrevistas para seleccionar o novo fornecedor!
Uma chatice!!!
Na sala de espera de um consultório veterinário, entra o José Castelo Branco com um pastor alemão e sentou-se ao lado de uma senhora que tinha um gato ao colo.
O gato em conversa com o pastor alemão:
- Eu estou aqui para ser castrado - dizia o gato.
- Porquê? - perguntou o pastor alemão.
- Fazia bacanais com as gatas da vizinhança e a minha dona, inconformada com o barulho que eu fazia todas as noites, resolveu castrar-me... E tu, por que estás aqui?
- Eu estava em casa sem nada para fazer. O meu dono, acabado de sair do banho, baixou-se para apanhar algo debaixo do armário. Ao ver aquela bunda... perdi a noção do perigo, subi em cima dele e meti-lhe a vara... as costas dele ficaram todas arranhadas...
- Dassss!?! - espantou-se o gato - Ele também te vai castrar por isso?
- Não, vim só cortar as unhas!!!
O consumo de benzodiazepinas (tranquilizantes) em Portugal aumentou 26 por cento entre 1995 e 2001, sobretudo nas substâncias que causam mais dependência, revelou um estudo da autoridade portuguesa para o medicamento.
De acordo com o Observatório do Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento, o aumento na utilização destes fármacos ocorreu quase exclusivamente nas benzodiazepinas ansiolíticas, estimando-se que, em 2001, cerca de 8,9 por cento dos utentes do Serviço Nacional de Saúde estavam a ser tratados com este tipo de medicamento.
O "principal problema" destes medicamentos surge assim associado ao seu uso inapropriado, nomeadamente em casos em que as benzodiazepinas são receitas sem necessidade, em utilizações prolongadas, para doentes com risco de suicídio, sem descontinuação cuidada ou quando são receitadas por vários médicos para um único doente.
Portugal é o segundo maior consumidor de benzodiazepinas, substância presente em vários medicamentos para o tratamento de ansiedade, da União Europeia, indica a organização britânica «Beat the Benzos».
A associação cita um estudo realizado num centro de saúde de Lisboa, que indica que 23% dos adultos tomam benzodiazepinas regularmente.
A «Beat the Benzos» refere que Portugal era o país com menor consumo destas substâncias no final da década de 80. Dez anos depois, o uso destes fármacos mais do que duplicou, colocando Portugal como segundo maior consumidor, apenas atrás do Reino Unido.
Porque nos tornámos tão ansiosos?
Terá sido por andarmos constantemente a tentar fugir à cauda da Europa, depois da integração?
Terá sido resultado do esforço que fizemos a gastar os subsídios da UE?
Poderá esta ansiedade ser consequência da introdução do “fast-food” na nossa evolução alimentar?
Ou simplesmente esta ansiedade faz parte do processo de globalização, que nos debitaram sem o nosso consentimento?
...ou as aparências iludem.
Veja aquilo que uns (muitos) vêem e aquilo que outros (muitos) não vêem.
(repita a operação – vai ver que à segunda, já consegue ver, o que não viu da primeira)
Não conseguiu à segunda?
Então lamento informar mas....é um caso incurável.
O almoço que reuniu o primo Zé Costa, os filhos, o genro, a nora e os netos foi, de facto, uma alegria. Todos estavam bem dispostos, faladores, animados. Entre o primeiro e o segundo prato, o primo já afastava um pouco a cadeira da mesa, distendia ligeiramente as pernas e repetia, batendo ao de leve com a mão na coxa forte: «Sinto-me um homem novo!». E divagava, um sorriso bonacheirão e satisfeito a entreabrir-se no rosto bem barbeado: «Eu e o Amílcar sempre fomos mais do que primos, éramos quase irmãos. Fomos criados praticamente juntos, em casa da avó, crescemos um com o outro... Os conselhos que ele me dava quando eu era aquele valdevinos que a Antónia talvez ainda se lembre... Era uma jóia de pessoa, o meu primo Amílcar!...»
O vinho cantava da garrafa para os copos. E Zé Costa não parava de falar: «Por isso é que eu me sinto hoje tão feliz, sinto-me em família, aqui com todos vocês... E, olhem, eu até começava a sentir-me um pouco sozinho cá em Portugal. Sabem como é, os anos passam, as pessoas abalam cada uma para seu lado, os amigos deixam de se ver. Mas hoje sinto-me um homem novo!»
Voltavam a esvaziar-se garrafas, enchiam-se copos, levantados com mãos já trémulas em saúdes e brindes. E Zé Costa batia de novo com a mão na coxa: «Sinto-me um homem novo, um homem novo!»
E Antónia sentia-se também uma nova mulher. Foi talvez do calor envolvente do almoço, ou do facto de estar ali, à mesa, sentada ao lado de Zé Costa, ou talvez ainda daquela quase ternura protectora que adivinhava na voz dele - se a prima Antónia sempre quiser ir para as termas de cima, podem ficar todos descansados, eu encarrego-me de que nada lhe falte... - que aquela ideia se insinuou nela. E se voltasse a casar? A casar com Zé Costa? Pois não era verdade que muita gente casava com sessenta e tais, setenta e até mais anos? E ela, afinal, ainda ia entrar na casa dos sessenta...
No final do almoço, o primo fez questão que fossem todos visitar o terreno que tinha comprado junto ao mar. «É apenas um passeiozinho, em menos de meia-hora nos pomos lá», dizia Zé Costa, logo acrescentando, palrador e afogueado: «Aliás, gostava de vos pedir uns conselhos. Sabem, estou com ideias de construir lá uma casinha, uma casinha bem portuguesa, nada dessas modernices estapafúrdias que os emigrantes tanto gostam de arranjar. Mas queria uma coisa bem feita, com todos os preceitos e confortos. Ando para aqui sem conhecer ninguém, lembrei-me que talvez os primos, que são mais jovens, modernos e com mais instrução que eu, me pudessem dar uns conselhos, indicar alguém com qualidade para eu entregar o projecto, a ver se eu não sou para aí enganado com algum construtor troca tintas.»
O mar era um imenso espelho de prata onde o sol se via em corpo inteiro. Zé costa avançava à frente, calcando com os pés a colcha verde e amarela das azedas em flor que atapetavam o terreno. Logo atrás, o filho e o genro deitavam olhos avaliadores e faziam perguntas. Os netos cabriolavam à vontade, cabritos saltitantes e azougados, entre risos e correrias. E Antónia, ao lado da filha e da nora, os olhos sorridentes e o nariz levantado numa inspiração profunda: «Que maravilha, este aroma a mar!»
«Uma grande varanda aqui, virada para o sol e o mar, para nos podermos sentar à tarde...». A voz de Zé Costa - de pé, no meio do terreno, a camisa um pouco desabotoada e os braços abertos, alto e forte como um Deus - chegava-lhe quente, palpitante de vida. E Antónia via-se recostada numa cadeira, debaixo de um chapéu de sol, a tricotar umas camisolitas para os netos; ou para os netos de Zé Costa, os “alemanitos”, como ele dizia, quando os viessem visitar nas férias de Verão. Ou então lá abaixo, a passearem os dois, de braço dado, na branca areia da praia bordejada pela água espumosa de ondas calmas.
(continua)
anamar - 1989
«Um problema informático de copy-paste» apagou da resolução aprovada no final de Dezembro sobre as utilizações possíveis do automóveis do Estado colocados ao serviço de deputados com prerrogativas especiais (presidente e vices-presidentes da Assembleia da República, secretários da mesa, etc...) a possibilidade das viaturas serem utilizadas em trabalho político.
Que a política é uma área nebulosa já sabemos.
Mas nem tudo é assim neste mundo.
A informática é uma ciência exacta! Os homens é que não!
Os jornais podiam ajudar nesta exactidão.
Este problema informático aqui relatado é falso; a realidade é bem diferente, ou seja o problema foi humano. Portanto, a notícia correcta seria algo como: «Devido a um erro humano de copy-paste que cortou uma parte da resolução aprovada....».
Não nos podemos esquecer que a grande maioria da população não tem os conhecimentos necessários para descortinar a diferença entre os erros humanos e os erros informáticos puros – que diga-se de passagem são raros. Aliás, tornou-se hábito atribuir às máquinas, os erros que os humanos cometem; a máquina passou a ser o nosso parente das “costas largas”.
A Mimi fez anos no passado dia 30 de Janeiro.
Prometi à Ana que ia arranjar uma prenda.
Embora com algum atraso aqui está ela.
Foi o melhor que consegui.
P.S. pelo tamanho do ficheiro só vai ficar disponível por uns dias. Depois só a pedido expresso a disponibilizo.
O Paulo Gorjão no Bloguítica lança um desafio:
Num texto entre 50 e 125 palavras, deverão descrever como é que acham que será a blogosfera portuguesa daqui a um ano.
Todos os artigos que receber (bloguitica) serão publicados no Bloguítica na próxima segunda-feira. A identidade do autor (e o nome do blogue se tiver um) será revelada ou não, dependendo da vontade do mesmo.
Será certamente interessante ler os textos para a semana que vem e, sobretudo, reler em Fevereiro de 2005…
Nessa noite, D. Antónia não pregou olho, excitada pela novidade do encontro com o primo. Virava a cabeça para um lado da almofada e via-se de novo sentada no automóvel em que ele, gentilmente, a tinha trazido a casa. Que carro lindo e moderno!... E como ele conduzia bem!... Virava a cabeça para o outro lado e acudia-lhe um tropel de lembranças do tempo em que ela era rapariga e o primo não era ainda primo - pois só tinha passado a sê-lo depois que o casamento a fez entrar na família do marido, esse sim, primo natural do parente reencontrado, que ela só o era por afinidade.
Nessa época distante, era ele ainda só o Zé Costa, rapazola estouvado e leviano que não parava mais que uma semana num emprego e tinha fama de namorar todas as raparigas das redondezas. Até a ela... Bem, fama talvez não, que Antónia era discreta. Mas proveito, sim. Ah, como ela estremecia com aquele jeito atrevido dele!... Ainda hoje se lembrava do fim de tarde de inverno em que se tinham os dois abrigado da chuva numa casa em ruínas, então existente no cimo da rua. Caía que Deus a dava! A toalha de nuvens negras do céu escurecera tudo de repente. Antónia refugiava-se cada vez lá mais para o fundo do casebre, tropeçando em cacos e objectos caídos, sem nada ver, a fugir às goteiras que pingavam do telhado esburacado. E então ele, sem pedir licença, apertou-a pela cintura, dobrou-a toda com força, encheu-a de beijos, procurou-lhe os seios, levantou-lhe a roupa... Antónia fugiu espavorida mas jamais esqueceu tamanho e impetuoso calor. E ainda conservava a cálida lembrança, apesar dos trinta e alguns anos de permeio, do prazer delirante das mãos dele, nervosas e quentes.
O que Zé Costa tinha de atrevido e leviano, tinha ela de prevenida e atilada. Por isso abafou os ímpetos juvenis e ouviu os conselhos dos familiares para se desviar dele, estroina sem tino nem futuro, e aceitou namoro ao Amílcar Costa, primo do apaixonado. Esse sim, toda a gente concordava, era um rapaz respeitoso, atilado e com futuro - aos vinte e dois anos já tinha lugar certo como funcionário do Estado e amealhava na Caixa Económica, mensalmente, uns dinheiritos para um dia que constituísse família.
Mas, os homens põem e Deus dispõe. Afinal, o ditado era certo. O marido subira umas letras, ganhara uma ou outra promoção, mas nunca passara de um empregadito medroso que contava os tostões a ver se esticavam até ao fim do mês. O primo, entretanto, casara com a rapariga mais deslavada da rua, uma tal Bia de que ninguém se dava conta, apagada por tímidas vergonhas, sempre enfiada a um canto, sem nunca levantar a voz nem os olhos, e tão magra que quase se lhe contavam os ossos. Abalara com ela para a Alemanha e regressava todos os Verões, em gozo de férias. E, de ano para ano, vinha mais endinheirado, mais abraçado à mulher - que criava carnes e desabrochava em vivacidade e, pasme-se, em boniteza!... - e extremoso pelos filhos que lhe nasciam com intervalos regulares de três anos.
Ah, talvez fosse daquela tristeza e vazio em que vivia, mas D. Antónia ficara tão feliz por voltar a ver o primo! E ele também lhe parecera tão satisfeito de a reencontrar, até lhe viera com aquela história das termas. «Porque é que a prima fica nas termas de baixo?», dissera ele, «Olhe que as termas de cima são outra coisa, digo-lhe porque conheço as duas. São mais acolhedoras, maiores, cheias de jardins e parques com repuxos e fontes, é um prazer passear a pé por aqueles sítios. As de baixo são só o hospital e pouco mais e estão cheias daquela gente muito velha que só pensa e fala em doenças. Venha antes para as de cima, que são mais animadas, e eu faço-lhe companhia.»
D. Antónia voltava-se para um lado da cama e depois para o outro. Estava visto, não conseguia mesmo dormir e aquela preparava-se para ser mais uma noite em claro. Ah, mas não se iria ralar com isso. E não tomaria nenhum comprimido, estava decidido, quando o sono viesse logo dormia. Não me vou mortificar mais, pensou. Decidida, levantou-se da cama e enfiou o robe.
Foi até à cozinha e abriu a caixa dos bolos. Já estava quase a trincar um, comprido e com uma cobertura escura e fina de chocolate, quando uma força desconhecida, que não entendeu bem donde vinha, a deixou de braço no ar, o bolo junto aos dentes entreabertos. Voltou a meter o bolo na caixa, fechou-a, apertando a tampa com cuidado, e guardou-a no armário da despensa. «Não, coisas que engordem vão ser racionadas!» Falou tão alto e com tal determinação que quase se assustou com o som da própria voz. Mas foi calmamente, sem a tortura desenfreada dos costumeiros apetites e fomes, que descascou uma maçã, de que comeu metade.
Pelo estore entreaberto da janela, as luzes da cidade, que nunca se apagam, cintilavam no negrão da noite. E D. Antónia só não abriu completamente o estore e os vidros e se debruçou toda sobre a rua porque o bom senso lhe disse que era inverno e fazia frio. Mas deixou-se ficar ali, encostada à janela, a olhar aquelas luzes cintilantes - ou eram estrelas? -, sem sentir o frio, sem se lembrar das suas dores, e com um sentimento manso, indefinido mas bom, a crescer-lhe no peito. Sentia que estava viva e que era bom viver. Viver, viver... E aquele calor que lhe crescera no peito corria agora nela toda e trazia-lhe as imagens da filha e do genro, do filho e da nora e dos netos. Eram todos tão bons para ela e, se lhe não davam mais atenção, era porque viviam todos nesta corrida aflitiva contra o tempo que era a vida das pessoas modernas. E ela que estava sempre de má cara e chorosa... E os netos, todos ainda tão crianças e tão bonitos... Ah, os mais novos, havia de levá-los a passear no parque, sentir as mãozinhas deles, pequenas e confiadas, na sua mão grande de avó; e limpar-lhes a cara enlambuzada dos gelados e rir com eles na ingenuidade das brincadeiras infantis. Com os mais velhos, quando lhe viessem contar como correra a festa do colégio, nunca mais lhes diria que a deixassem em paz ou que estava muito doente; e nunca mais se afligiria com a algazarra que faziam com aqueles jogos de computador; e, quando a viessem visitar, nunca mais os proibiria de brincar à vontade no corredor e por entre os móveis da sala. Ah, e daria à nora aquele alfinete de ouro com pedras vermelhas, que guardara do tempo de solteira, e que sabia que ela cobiçava. A nora gostava tanto de jóias antigas e era tão bonita e as jóias ficavam-lhe tão bem e o filho era tão apaixonado pela mulher e ela por ele e, afinal, era uma grande felicidade o filho ter um casamento feliz. Também com a filha, nunca mais faria aquela cara de desagrado com as opiniões do genro que tanto a aborreciam, pois a filha ficava aflita e ela tinha uma vida tão cheia de trabalho, e, ainda por cima, o genro tinha aquele problema de ser doente do estômago, por isso mesmo, mais uma razão para apoiar o genro e a filha.
A noite clareava em tons rosa e as luzes e as estrelas empalideciam. Mas aquele sentimento quente e bom crescia no peito de D. Antónia e tornava-se forte, firme como um fruto maduro. O dia nascia e era bom viver!
(continua)
anamar - 1989
Como eles eram... E como se tornaram.
Talvez seja das fotos, muitas delas a cheirar a bolor, mas....pelo menos as meninas...ficaram mais jeitosinhas com o passar dos anos... é ou não é? Digam lá.
Veja se reconhece alguém.
A OIT (Organização Internacional do Trabalho) estima que cerca de 246 milhões de crianças de todo o mundo trabalham, sendo que, destas, cerca de 180 milhões, fazem-no em condições particularmente duras que implicam riscos para a saúde física e mental.
É simplesmente vergonhoso.
Já não basta explorar crianças que, em vez de estarem a estudar ou a brincar, como seria próprio na sua idade, estão a trabalhar. Ainda por cima, a trabalhar em condições indecentes.
E o Mundo é cúmplice....quanto mais não seja, por omissão.
Admirável este mundo!
A “Bloga!?” Reloaded ou o Regresso da “Bloga!?”
Ela aí está de novo!
Parabéns aos arquitectos : Rui e Giesta.
O Paulo também ajudou!
Palmas para a Bloga!?
Numa conferência de imprensa, onde também estava um bêbado ao fundo da sala, um repórter da RTP fez uma ultima pergunta aos três políticos presentes.
"Meus Senhores, se fossem solteiros, com quem gostariam de casar?"
O primeiro a responder foi Santana Lopes, o presidente da C.M.L.:
"Com a Catarina Furtado, a mulher mais bonita de Portugal!
E o bêbado, lá no fundo, aplaude e grita:
"Isso mesmo, muito bem, casou pela beleza, muito bem!!!"
A seguir, o Presidente Sampaio responde:
"Eu casava-me com a minha mulher, porque ela ama-me!!!"
E o bêbado, mais uma vez:
"Muito bem, e assim mesmo, casamento por amor! Muito bem!
Por ultimo, Durão Barroso, para ficar bem no retrato, dá a sua resposta:
"Eu casava-me com Portugal pois o meu coração pertence a este pais!"
E o bêbado, num grande estardalhaço:
"E assim mesmo, isto é que é um homem honrado: fodeu, tem que casar!!! Bravo!"
Jardim recusa-se a pôr «os pês em São Bento».
A minha alma ficou muito mais descansada, depois desta notícia.
Afinal o homem não é tão parvo como parece, ele percebeu que no “contenente” não podia dar o mesmo “bailinho” que dá na Madeira, aos seus conterrâneos.
Quem são
Somos pessoas que consideram indispensável a diversificação de espaços de reflexão e de comunicação em torno de temas tão essenciais como a sexualidade, a educação sexual, o planeamento familiar, a contracepção, a saúde sexual e reprodutiva. Temas historicamente ligados a tabus, a obscurantismo(s) e envolvidos em cortinas de silêncio. Temas que ganharam na história recente novos conteúdos, gerando importantes direitos humanos.
Pessoas que, de forma séria e audaz, se afirmam pela urgência da defesa dos direitos sexuais e reprodutivos, na diversidade dos seus vários aspectos e ângulos de abordagem.
Que não se conformam face um quadro legal que, em matéria de aborto, persiste em manter Portugal numa posição recuada relativamente à generalidade dos países da União Europeia.
Que se indignam perante a sujeição à condição de clandestinidade, ao perigo de denúncia, à investigação da vida privada de mulheres que decidem abortar e em consequência se vêem sentadas no banco dos réus, de que são exemplos o julgamento da Maia e agora o julgamento de Aveiro.
Que não aceitam que, para fugir a esta realidade, muitas mulheres se tenham de deslocar ao estrangeiro para obter um aborto seguro para a sua saúde e privacidade.
Que não se conformam perante um quadro legal que, em matéria de aborto, viola o direito à autodeterminação intelectual das mulheres, persistindo em negar-lhes a capacidade de tomarem decisões conscientes e responsáveis.
Que assumem a sexualidade como parte da vida e dos afectos, tendo como alicerces o direito à informação e a tomada de decisões livres e responsáveis.
Que entendem a maternidade-paternidade é, e deve ser, uma escolha e um direito e não fruto do acaso.
Razões mobilizadoras
Em 2004, assinala-se a passagem dos vinte anos da aprovação das primeiras leis relativas à educação sexual e ao planeamento familiar e da primeira lei que veio a despenalizar o aborto em algumas situações. Impõe-se questionar: onde estamos, para onde vamos?
Em Portugal, assume particular relevo a afirmação de um caminho de aprofundamento das concepções e valores presentes na Constituição da República, na Lei 3/84 (Educação sexual e planeamento familiar) e Lei 4/84 (Protecção da maternidade e da paternidade) e, entre outros instrumentos internacionais, na Carta dos Direitos Sexuais e Reprodutivos.
Considera-se indispensável a promoção das medidas necessárias para que:
a) seja autorizada em Portugal a pílula abortiva RU 486 (Mifepristone), cuja utilização só é possível com supervisão médica, nos serviços hospitalares;
b) seja despenalizada a interrupção voluntária da gravidez, a pedido da mulher, entre as 10 e as 12 semanas, com prolongamento destes prazos em situações particulares;
c) sejam garantidos os direitos sexuais e reprodutivos das(os) jovens;
d) sejam asseguradas as garantias de acesso à contracepção e à contracepção de emergência, garantindo a sua gratuitidade e acessibilidade a partir dos Serviços Públicos de Saúde;
e) seja garantida a integração e a implementação da educação sexual em meio escolar;
f) seja assegurada às mulheres a sua saúde reprodutiva, nos Serviços Públicos de Saúde, designadamente o acesso a consultas de planeamento familiar e a livre escolha de métodos contraceptivos; cuidados médicos qualificados durante a gravidez, parto e pós-parto; acesso a consultas de prevenção e tratamento de doenças do aparelho reprodutivo; prevenção e tratamento de doenças sexualmente transmissíveis.
Mulheres online um site de visita obrigatória para toda a gente.
A sala de espera do consultório estava cheia e as cadeiras ocupadas. D. Antónia apoiou-se ainda mais na bengala castanha, fincou os lábios um no outro até a boca ser apenas um risco fechado e olhou à volta com olhos perscrutadores. Uma rapariga logo se levantou para lhe dar o lugar e D. Antónia foi-se sentando, cheia de cuidados demorados com ela mesma. Entremeava muitos ais com doloridos desabafos: «Ai, estas minhas costas!... Este meu reumático!... Ai, o meu bracinho!...» E ali ficou, à espera, de cabeça baixa, mergulhada em suspiros e tristezas. De vez em quando levantava os olhos, esticava um pouco o pescoço enterrado no cachecol de lã preta e perguntava à empregada do consultório: «Menina, ainda falta muito para a minha vez?». A empregada lá lhe respondia, com profissional paciência, debitando o número de pessoas que D. Antónia tinha à frente na lista de espera para a consulta.
E foi, exactamente, após o quinto massacre à empregada, quando esta lhe repetia que já não faltava muito, que D. Antónia foi surpreendida pelo timbre cheio e forte de uma voz de homem, vinda do corredor.
«Ora, então, muito boa tarde!»
O homem conversava com a empregada e ria. D. Antónia não percebia o que diziam mas aquela voz soava-lhe familiar e quente e acordava-lhe lembranças dos dias de sol do tempo de rapariga. Ligeiramente afogueada, afastou o cachecol e alisou os cabelos com a mão.
O homem entrou na sala, olhou ao redor e repetiu o boa tarde. Que sobressalto! Os anos passavam e ele continuava elegante de corpo e bonito de cara, parecia que ainda mais bonito agora que os cabelos tinham definitivamente embranquecido. Comovida, D. Antónia deixou escapulir das mãos a bengala que caiu, com um barulho seco, no chão.
Por um momento, foi a surpresa no rosto do homem. Mas logo ele se aproximou, cruzando a sala a passos largos.
«Prima Antónia?!...»
«Primo!...»
Riram, cheios de contentamento, apertando-se mutuamente as mãos.
«Mas que prazer! Que prazer!...»
Mergulharam os dois na alegria do reencontro. D. Antónia, alheada da pressa na consulta, misturava as conversas e deixava as frases incompletas na ânsia das novidades.
«Da última vez que nos vimos foi num momento tão triste, no funeral do meu marido», lembrava ela, «nem fiquei então a saber novidades da vida do primo.»
Mas logo ali se fez o ponto da situação: ele também já estava viúvo. «Também se foi de repente, a minha pobre mulher, coitadinha...», lamentou-se, e logo D. Antónia, pesarosa, concluiu: «Estamos os dois na mesma situação.»
Ele também já tinha regressado de vez da Alemanha. Tinha-se reformado e decidira voltar. É verdade que os filhos tinham ficado lá pelas Alemanhas, até tinham casado com alemãs, os netos eram “alemanitos”, nem sabiam falar o português. «Mas esta sempre é a nossa terra, não é?».
D. Antónia concordava e abanava a cabeça, as bochechas muito rosadas.
Chegou-se mais à prima e segredou: «Não é para me gabar, tenho uma óptima reforma, trouxe lá da Alemanha uns bons dinheiritos, comprei cá uns terrenos, umas casinhas, agora tudo o que quero é descanso e sossego para gozar o que possuo e o resto da vida.» E acrescentou, a limpar ligeiramente os olhos com as costas da mão: «O único desgosto que tenho é esta solidão da viuvez».
Esquecida por completo das dores que lhe tolhiam os movimentos e não a deixavam mexer-se à vontade, D. Antónia puxou a cadeira para junto do primo, cruzou uma perna sobre a outra, ajeitou a saia, dobrou-se um pouco para mais confidencialmente conversar, e perguntou: «Desculpe a indiscrição, mas o primo nunca pensou em voltar a casar?»
Ele arqueou ligeiramente as sobrancelhas, abriu devagar as mãos e adiantou: «Não é que me ache velho mas, quando se chega a esta idade, já não se tem muita paciência para começar tudo de novo com uma pessoa desconhecida.»
A empregada chamou por D. Antónia, tinha chegado finalmente a vez para a consulta. Ela levantou-se, fez menção de se despedir: «Pois é, primo, uma pessoa desconhecida é um problema.»
Mas ele não se quis despedir:
«A prima dá-me licença que eu a espere no final da sua consulta? Gostava de saber dos seus filhos, mal conversámos no funeral. Entretanto, aproveito para tratar, ali com a empregada, da credencial que cá vim buscar. É um papel para as termas. Sabe, sou um adepto da medicina preventiva e as termas são uma coisa óptima para conservar a rijeza do corpo e a saúde do espírito.»
(continua)
anamar - 1989
No primeiro dia de aulas numa escola secundária dos E.U.A. a professora apresenta aos alunos um novo colega, Sakiro Suzuki, do Japão.
A aula começa e a professora pergunta:
"Vamos ver quem conhece a história americana. Quem disse: “Dê-me a liberdade ou a morte?"
Silêncio total na sala. Apenas Suzuki levanta a mão: "Patrick Henry em 1775 em Filadélfia".
"Muito bem, Suzuki”. E quem disse: “O estado é o povo, e o povo não pode afundar-se?"
Suzuki levanta-se: "Abraham Lincoln em 1863 em Washington".
A professora olha os alunos e diz: "Não têm vergonha? Suzuki é japonês e sabe mais sobre a história americana que vocês!"
Então, ouve-se uma voz baixinha, lá ao fundo: "Vai levar no cu, japonês de merda!"
"Quem foi?", grita a professora.
Suzuki levanta a mão e sem esperar, responde: "General McArthur em 1942 em Guadalcanal, e Lee Lacocca em 1982 na Assembleia Geral da Chrysler".
A turma fica super silenciosa, apenas ouve-se do fundo da sala: "Acho que vou vomitar".
A professora grita: "Quem foi?"
E Suzuki responde: "George Bush sénior ao primeiro-ministro Tanaka durante um almoço, em Tokio, em 1991".
Um dos alunos levanta-se e grita: "Chupa-me o car...!"
E a professora irritada: "Acabou-se! Quem foi agora?"
E Suzuki, sem hesitações: "Bill Clinton à Mónica Lewinsky, no Sala Oval da Casa Branca, em Washington, em 1997."
E outro aluno levanta-se e grita: "Suzuki é um pedaço de merda!"
E Suzuki responde: "Valentino Rossi no Grande Prémio de Moto no Rio de Janeiro em 2002".
A turma fica histérica, a professora desmaia, a porta abre-se e entra o director que diz: "Que grande Merda, nunca vi uma confusão destas."
Suzuki: "Manuel Durão Barroso à ministra de finanças Manuela Ferreira Leite na apresentação do orçamento de estado, em Lisboa, em 2003".
A ministra da Ciência e do Ensino Superior, Maria da Graça Carvalho, demitiu esta segunda-feira o director-geral do Ensino Superior, Requicha Ferreira, por este ter pedido uma lista de nomes dos funcionários que fizeram greve dia 23.
Bato palmas a esta senhora. Atitude corajosa.
Pena que o resto do governo não aja com a mesma bitola.
Mas fico à espera das medidas necessárias à reforma da educação...
A casa-mãe da multinacional Tycos congelou um projecto de investimento de 27,8 milhões de Euros na sua fábrica de Évora, devido aos atrasos do Ministério das Finanças na concessão dos prometidos incentivos fiscais.
É para perceber?
Anda a API à procura de investidores para o país. Estudam projectos e analisam propostas. Fecham acordos com os investidores.
Depois as Finanças não dão andamento aos processos.
Incongruências ou uma completa desorganização?
...nesse dia muita coisa aconteceu e você foi notícia.
Pode confirmar no Jornal do Aniversário.
VIVER OU MORRER, EIS A QUESTÃO
Um milagre na vida de D. Maria Antónia Esteves da Costa - porque de um verdadeiro milagre se tratou, disso não teve ninguém dúvidas - ocorreu, exactamente, enquanto estava à espera de vez no consultório médico, para tratar da credencial necessária à estadia nas termas.
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D. Antónia sentava-se na poltrona grande e descansava as suas dores em muitas almofadas: uma, rectangular, enrijava e endireitava as costas; duas, quadradas e pequenas, colocadas estrategicamente à direita e à esquerda, apoiavam os braços; uma outra, de cetim claro, era para a cabeça, de modo que, ao tocá-la com a face, sentisse a frescura do tecido. E nunca esquecia a almofada escura que colocava sobre um banquinho baixo de madeira onde assentava os pés, muito juntos e unidos.
E quando a empregada das limpezas, que vinha invariavelmente às segundas e quintas, depois do almoço, lhe perguntava: «Então, vai melhorzinha?», D. Antónia apertava mais a mão sobre a bengala castanha e respondia, sem mexer uma única fibra do rosto, que era gordo, de bochechas moles e descaídas: «Já não tenho melhoras». E acrescentava, após um silêncio breve: «Ficar entrevada numa cadeira de rodas e morrer para aqui sozinha vai ser o meu destino». A empregada enfiava a bata das limpezas e escapulia-se para a cozinha, arrastando com ruído os chinelos largos e repetindo: «Ora, ora, devemos ter sempre esperança...»
Mas nem sempre D. Antónia foi assim, dorida, solitária e infeliz. Pelo contrário, enquanto criou os dois filhos e o marido estava vivo, ela até era uma mulher de força e genica que levantava os móveis sozinha, sem ajudas, por ocasião das limpezas domésticas semestrais. E, para ajudar no orçamento familiar, anos a fio fez compridos serões em naperons e colchas de renda que vendia, à comissão, na retrosaria do senhor Lopes.
Tudo começou, sensivelmente, por altura dos casamentos dos filhos, ocorridos com poucos meses de intervalo um do outro. O marido ainda trabalhava nessa época e D. Antónia ficava longos dias em casa, sozinha, sem mais nada para fazer depois da casa arrumada e do espanejamento diário do pó. E foi no silêncio dessas infindáveis tardes que a voz - a princípio miúda e sumida, depois clara e mais forte - das suas dores se começou a fazer ouvir. Quando o marido chegava do trabalho ela não lhe dava descanso: «Vai-me ali buscar um copo de água e um comprimido. Dá-me aqui uma massagem nas costas. Aconchega-me aqui a roupa que eu estou sem forças.» O pobre lá ia porque D. Antónia, entretanto, tinha-se tornado autoritária e caprichosa e ele, só para não a ouvir, preferia condescender-lhe nas vontades.
Mas tudo piorou a seguir à morte do marido, que veio de repente, sem avisos, de um ataque de coração. D. Antónia passou então a consultar tudo quanto era médicos e a exigir aos filhos que a levassem, de carro, aos consultórios. E, quando estes, por motivos de trabalho, não arranjavam tempo nem disponibilidade para levar a mãe e a aconselhavam a chamar um taxi, sobrevinha então a D. Antónia um daqueles enormes e monstruosos ataques de dores que a levavam a meter-se na cama, de cabeça tapada, sem nada ver nem ouvir e recusando-se terminantemente a engolir o que quer que fosse.
Ah, como ela chorava nesses hibernamentos voluntários! Morrer, morrer era tudo quanto desejava! Pois para que queria ela viver assim, solitária e doente?... A filha mal lhe chegava à porta, enrolada com os três miúdos, eternamente ranhosos e constipados, o emprego e os transportes, sempre difíceis e morosos, sempre com bichas para lá e para cá. Bem que tinha avisado a filha e o genro para não comprarem casa num sítio daqueles, mas ninguém lhe tinha dado ouvidos... Pois era, ainda por cima com o marido que tinha arranjado - tinha-lhe saído cá um fraco e um doente aquele genro! - sempre de trombas e sem nunca ajudar a mulher em casa, tomara a filha dar conta da própria vida.
Quanto ao filho, vivia ali a dois quarteirões, era verdade, mas tinha uma vida tão ocupada, com o trabalho na empresa e o Mestrado que andava a tirar à noite... A nora, essa, é que tinha uma vida de princesa: em casa tinha empregada a tempo inteiro; na “boutique” de que era dona tinha duas raparigas a trabalhar e só lá ia para orientar o negócio. Mas a nora parecia que fazia de propósito, nunca lhe chegava perto. Quando D. Antónia se debruçava à janela, nos intervalos dos suspiros que lhe preenchiam os dias, bem a via passar ao volante do carro branco, para cima e para baixo... Ia ao cabeleireiro, ao dentista, buscar os meninos ao colégio, levar os meninos à ginástica, encontrar-se com as amigas, na casa da sogra é que nunca punha os pés.
A culpada de tudo era a nora! Parecia que estava a vê-la, sempre bem vestida e aperaltada, com aquela cintura fina que tinha e as ancas bamboleantes... Sim, porque ela bem lhe percebia as falinhas mansas. Daquela vez que tinha sugerido ao filho para a levar a almoçar aquele restaurante de Sintra, logo a nora se encostou ao marido, toda dengosa, Não te esqueças, querido, que domingo temos o encontro com a Bé e no domingo seguinte o almoço com os fornecedores.... E quando falou ao filho para lhe arranjar uma Parabólica como a que ele tinha em casa, para poder ver mais televisão - pois se era o único divertimento que lhe restava!... - a nora até tinha puxado o lenço para fingir que estava com tosse e disfarçar o riso. A culpada daquela vida triste que ela levava era a nora, não tinha dúvidas.
É verdade que tinha sido a nora a encorajá-la a ir para as termas, aliás até tinha levado o desvelo ao ponto de tratar de tudo, médico, papéis, estadia. Mas, bem a entendia: era para se ver livre da presença da sogra por uns tempos. Só podia ser isso. Aliás, quando tinha pedido ao filho que a fosse levar de carro às termas - e eram para cima de duzentos quilómetros, num sítio onde nunca tinha estado - logo a nora arranjou aquela do “auto-pullman” directo. Ainda a estava a ouvir: «É um autocarro de luxo com todas as comodidades, tem televisão, casa de banho, hospedeira para tudo o necessário e deixa-a à porta das termas.»
Bem, pelo menos tinha passado um tempo divertido nas termas. Havia de lá voltar no próximo Verão. E não estaria, por acaso, na altura de fazer a marcação e tratar de novo dos papéis? Tinha de ir ver ao calendário.
Acordada do torpor da hibernação pela urgente força de tal pensamento, D. Antónia saiu ligeira da cama, vestiu o robe e disparou para a cozinha. Que fomes que lhe davam quando melhorava! Apetecia-lhe comer tudo quanto tinha à frente. O médico bem lhe dizia que tinha de ter cuidado com o peso, por causa da coluna, mas ela queria lá saber, já era tão infeliz e sacrificada... Até nisso a nora tinha sorte, comia o que queria e estava sempre aquela elegância.
(continua)
anamar - 1989
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Thomas Bernhard
O FAZEDOR DE TEATRO
encenação de Joaquim Benite
Sala Principal
de 29 de Janeiro a 14 de Março
O que os actores representam é sempre representado de forma errada. É, portanto mentira, meu caro senhor, e justamente por isso é teatro. O que se representa é mentira e nós adoramos a mentira representada. Foi assim que escrevi a minha comédia, fingindo. Assim a representamos, fingindo. Assim ela é recebida, fingindo. O escritor é fingido, o intérprete é fingido, e os espectadores também são fingidos e tudo junto é um único absurdo, já para não dizer que se trata de uma perversidade que já tem milhares de anos. O teatro é uma perversidade com milhares de anos pela qual a humanidade é doida, e é tão doida por ela porque é doida pela sua mentira e o seu fingimento e em parte nenhuma desta humanidade o fingimento é maior e mais fascinante que no teatro. (Fala de Bruscon, em O Fazedor de Teatro.) Thomas Bernhard (1931-1989), novelista, poeta e dramaturgo austríaco entra pela primeira vez no repertório da Companhia de Teatro de Almada. A obra de Bernhard é uma das mais importantes do século XX. A estreia de O Fazedor de Teatro (Der Theatermacher) em 1985, em Viena, causou um enorme escândalo. O ministro das finanças de então, e futuro chanceler, declarou que "tiradas contra a Áustria como as que aparecem em O Fazedor de Teatro não podem continuar a ser toleradas". O Fazedor de Teatro tem como protagonista um velho actor do Teatro Nacional em digressão pela província. As reflexões que vai fazendo sobre a sua arte e a sua carreira visam muito mais do que o teatro: a política, a História, a vida de cada um de nós.
Actores
Cátia Ribeiro, Francisco Costa, Maria Frade, Miguel Martins, Morais e Castro, Teresa Gafeira
Tradução
José Palma Caetano
Cenografia
Jean-Guy Lecat
de quarta a sábado às 21.30h
domingos às 16.00h
Uma soldado americana que estava colocada no Afeganistão, recebeu recentemente uma carta do seu namorado que dizia o seguinte:
"Querida Becky, Não posso continuar com a nossa relação. A distância entre nós é simplesmente muito grande. Tenho de admitir que já te enganei duas vezes desde que te foste embora, e isso não está certo para nenhum de nós. Lamento muito. Agradeço que me devolvas a fotografia que te tinha enviado. Beijinhos, Ricky."
A soldado pediu às suas colegas para lhe darem tantas fotografias quanto possível dos seus namorados, irmãos, tios, primos etc...
À fotografia de Ricky ela adicionou todas as outras fotografias de belos rapazes que as suas colegas lhe tinham dado. Havia 57 fotografias nesse envelope ... com um pequeno bilhete que dizia:
"Querido Ricky, agora sou eu que lamento, mas não me lembro quem tu és. Agradeço que tires a tua fotografia do molho, e me devolvas as outras."
...ontem à noite.

Quem é o bicho? Quem é?
Não há dúvidas que uma imagem vale por mil palavras....
Entre vinte e sete de Janeiro e ontem recebi mais de oitenta mails doidos, alguns em resposta a alguns, que eu hipoteticamente teria enviado. É tudo falso. Provavelmente todos eles não passam de tentativas de infestação do MyDoom.
Um relatório da associação finlandesa de segurança informática F-Secure estima que cerca de um milhão de computadores de todo o mundo estejam infectados com o vírus MyDoom, cuja propagação começou a 26 de Janeiro.
Se alguém aqui na weblog recebeu um mail com origem em vmar é falso.
Não abram mails de origem desconhecida.
Nascimento do ex-presidente russo Boris Yeltsin.
Boris Ieltsin subiu na hierarquia do Partido Comunista da União Soviética com a ajuda de Mikhail Gorbachev. Mais tarde, os dois vieram a afastar-se e a tornar-se rivais políticos.
Em 1991, foi o principal opositor de um golpe de Estado que visava derrubar Gorbachev. Nesse mesmo ano tornou-se no primeiro presidente eleito da História da Rússia. Foi reeleito em 1996. Entretanto, tornou-se o líder efectivo da Comunidade de Estados Independentes. Boris Ieltsin demitiu-se do cargo de Chefe de Estado a 31 de Dezembro de 1999.