Cena 1 - Café onde vou quase todos os dias beber a bica. Uma jovem mãe com o filho, um puto de uns quatro ou cinco anos, bastante irrequieto. O puto corre pelo café, empoleira-se nas mesas, sobe e desce das cadeiras, entorna o leite, suja-se com os bolos e guloseimas, quer isto e aquilo, grita, faz birras, atira o queque para o chão porque não era aquele o bolo que desejava...
A mãe repreende o puto com palmadas nas mãos, açoites no rabo, alguns abanões. O puto chora. A mãe pega-lhe ao colo e mima-o. Compra-lhe o bolo com creme que o puto deseja. O puto suja-se com o creme, põe-se de pé em cima da cadeira, cai e choraminga. A mãe segura-o por um braço e repete-lhe: “És mau, muito mau, não gosto de ti, não gosto nada de ti...” O puto chora alto e tenta bater na mãe. A mãe pega-lhe de novo ao colo e dá-lhe muitos beijinhos.
Cena 2 – Um escritório. Entra um pai com uma filha de uns três anos. Enquanto o pai conversa e trata do assunto que lá o levou, a miúda parte á descoberta do território. Mexe nos computadores, calculadoras e outras máquinas, carrega em todos os botões, parte alguns, desarruma agrafadores, papeis e canetas, risca paredes. O pai olha-a benevolente, sorri e limita-se a repetir um “não mexas aí” sem convicção. Uma empregada do escritório tenta “distrair” a miúda e leva-a a uma sala lá dentro para lhe dar um copo de água. A miúda regressa com uma colher na mão, com a qual bate em tudo e em todos, muito divertida. O pai sorri, encantado com as gracinhas da menina e repete um “tá quietinha” sem convicção.
À despedida, a miúda recusa-se a devolver a colher, gritando e chorando. O pai, complacente, diz apenas: “Deixem lá ela levar... É só uma colher, depois eu devolvo.” A miúda sai, vitoriosa, ao colo do pai, a bater-lhe nas costas e na cabeça com a colher.
Não são cenas de nenhum filme. São cenas da vida real, a que eu assisti. Lembrei-me delas – e de várias outras que ocupariam muito tempo e espaço a contar – a propósito de uma notícia que tinha como título «Não basta intuição para educar os filhos».
De acordo com a referida notícia, relativa á realização do Congresso «Pais no Século XXI - um desafio a vencer», realizado em Lisboa, defendeu-se a criação de «escolas de pais» nas escolas dos filhos para fomentar a educação parental no País, aliás já consagrada na lei, mas sem ainda ter passado de intenção no papel.
Isto porque, de acordo com Manuela Neto, coordenadora nacional para os assuntos de família, «nos dias de hoje não basta a intuição para educar um filho». Muitos pais, apesar de todo o amor que têm pelos filhos e desejando o melhor para eles, e ainda que cheios de boa-vontade, educam-nos de uma forma caótica, por motivos diversos, balançando entre excesso de autoritarismo e excesso de permissividade.
Uma das razões muitas vezes apontada é a falta de tempo da família, mas segundo Daniel Sampaio, presente no referido Congresso, «o tempo é um falso problema. O que é importante é a qualidade do relacionamento».
As referidas aulas de educação parental consistem em reuniões de grupos de pais que, juntamente com técnicos e pedagogos da área, discutem e partilham as suas experiências.
Os cinco posts anteriores mostram magnificas gravuras de Mauritus Cornelis Escher.
Agora proponho que admirem estas cinco fabulosas interpretações de trabalhos de Escher em Lego.
Passar às três dimensões o que Escher esquematizou a duas, demonstra a verosimilitude do trabalho de Escher por um lado e por outro a capacidade de A. Lipson e Daniel Shiu na construção de modelos a partir de simples imagens planas.
Relativity, Belvedere, Ascending and Descending, Waterfall e Balcony são os prodigiosos trabalhos em Lego destes dois sujeitos.
Mauritus Cornelis Escher
Litografia de 1961
A água de uma cascata põe em movimento a roda de um moinho e corre depois para baixo, numa calha inclinada entre duas torres, em ziguezague, até ao ponto em que a queda de água de novo começa. Ambas as torres são da mesma altura, mas a da direita está, contudo, um andar mais baixo do que a da esquerda.

Mauritus Cornelis Escher
Litografia de 1960
Um pátio interior é circundado por um edifício cujo telhado consiste numa escadaria onde tanto se pode subir como descer, sem que no entanto se consiga chegar nem acima nem abaixo.

Mauritus Cornelis Escher
Litografia de 1958
O rapaz que está sentado no banco tem em suas mãos um objecto com a forma de cubo que, visto de cima, representa uma realidade diferente da de quando visto por baixo. Ele observa pensativamente o objecto impossível e não parece aperceber-se de que o belvedere, atrás das suas costas, é construído desta forma. No piso inferior, no interior da casa, está encostada uma escada pela qual sobem duas pessoas. Mas chegadas a um piso acima, estão de novo ao ar livre e têm de voltar a entrar no edifício.
Vem esta citação neo-marquexista a propósito de, nos últimos dias, a minha actividade bloguista, neste recanto da blogosfera, ter andado retraída. A actividade profissional, a vida familiar e alguns problemas a necessitarem de resolução urgente, não deixaram praticamente nenhum tempo para este vício. Pouca actividade aqui no blog e poucas visitas aos amigos da comunidade. Além disso andamos em comemorações cá por casa, ontem fui eu, hoje é a minha “menina” mais o pai dela, meu sogro, que estão em festa natalícia.
É só velinhas, docinhos e licores cá por casa.
Assassinato de Olof Palme (1927-1986), primeiro-ministro sueco.
Foi líder do Partido Trabalhista Social-Democrata da Suécia e primeiro-ministro por duas vezes (1969-1976 e 1982-1986).
Crítico da política americana no Vietname, foi um homem atento aos problemas de segurança na Europa e ainda mediador da ONU, na guerra Irão-Iraque.

Mauritus Cornelis Escher
Litografia de 1943
Quase toda a metade superior da estampa é a imagem reflectida da metade inferior. A escada superior, onde um bicho-rolapé desce da esquerda para a direita, reflecte-se duas vezes: no meio e no lado inferior. Na escada, no canto superior direito, neutraliza-se a oposição entre subida e descida: duas fileiras de bichos avançam lado a lado; contudo, uma sobe, enquanto a outra desce.
Nascimento de Linus Carl Pauling (1901-1994), cientista americano, galardoado com dois Prémios Nobel: o da Química, em 1954, por ter aplicado a mecânica quântica ao estudo das estruturas moleculares; e o da Paz, em 1962, pelos seus esforços a favor do controlo internacional de armas nucleares e, também, pelas campanhas que realizou contra os testes nucleares.
Por causa de um ligeiro problema de saúde para o qual o médico me prescreveu, durante algumas semanas, um determinado tipo de dieta, fui à Internet – num gesto que é vulgar para mim e para um número cada vez maior de pessoas -, à procura de informações sobre o problema em questão e respectiva dieta.
De busca em busca, rapidamente me vi entre inúmeros sites que fazem a apologia da magreza, dos medicamentos-milagre de fácil aquisição, das dietas drásticas e... do não comer.
Exactamente como digo, há sites na Internet – bastante bem construídos tanto no aspecto quanto no conteúdo – que defendem que é possível viver sem comer absolutamente nada, apenas com um ou outro ocasional sumo de fruta. Sem riscos para a saúde, garantem, e muito melhor, vantajoso a todos os níveis para o corpo, para a mente, para a bolsa e até com a vantagem adicional de não se perder tempo na compra, confecção de alimentos e limpeza da cozinha. Que maravilha! É só vantagens...
Viver sem comer, como? Pois, vivendo da luz, respirando de uma determinada maneira, fazendo determinadas meditações e exercícios e não sei que mais... E todas estas teorias acompanhadas da fundamentação “científica” de tais postulados - inclusive com citações de Albert Einstein - e com fotos e entrevistas de vários adeptos. Já agora acrescento, entre os depoimentos de adeptos apareceu-me um que me chamou a atenção por ser de um nome relativamente conhecido ligado ao jornalismo televisivo. E, quanto às fotos, eram bem apelativas..., em especial as fotos de uma praticante e guru desta “ciência” da alimentação à base da luz solar. É que a dita senhora, ou menina, tem umas curvas... luminosas. Isto na foto, claro.
Claro que já sou crescidinho que baste para não acreditar em tais tangas. E, assim espero, a maior parte das pessoas que lêem estas coisas.
Mas, quantos jovens com a pancada da esbelteza e da magreza, alguns até com doenças ligadas aos distúrbios alimentares, não se poderão deixar tentar por tão sedutoras “doutrinas”? Com a agravante de tais sites ensinaram todos os passos, truques e conselhos para se chegar à pretendida meta de não comer.
Que a Internet é algo que se tornou indispensável no nosso dia-a-dia é quase inquestionável. Que é um meio extraordinário na procura de informações e conhecimento, também é certo.
Mas, como tudo na vida, é preciso ser usada com espirito crítico. A Internet está inundada de artigos e sites pseudo-científicos sobre os mais diversos assuntos. Não é só sobre a alimentação.
E, perante tal, que fazer? Quanto a mim, parece-me que o caminho certo não passa por proibições nem censuras mas pelo esclarecimento e diálogo – de pais, professores, médicos e outros profissionais, etc. – sobre a natureza da Internet e sobre o conteúdo de diversos sites que por lá abundam, sempre com o objectivo de elucidar e desenvolver o espírito crítico de cada pessoa..
Nascimento do escritor americano John Steinbeck (1902-1968), Prémio Nobel da Literatura em 1962.
The Grapes of Wrath (As Vinhas da Ira, 1939), obra que lhe valeu o prestigiado Prémio Pulitzer, The Pearl (A Pérola, 1947) e East of Eden (A Leste do Paraíso, 1952) são talvez as seus textos mais prestigiados.
Neste dia, mas algumas décadas depois, nasceria o autor deste blog, que infelizmente não tem o talento do John.
Foi assim que o morfeu comentou o Upgrade de Namorado 5.0 para Marido 1.0
Uma história deliciosa
Sem ofensa!...
EVA e DEUS
A melhor explicação que alguma vez li e ouvi...
Um dia, no jardim do Éden, Eva disse a Deus:
- Deus, tenho um problema!
- Qual é o teu problema, Eva?
- Deus, sei que me criaste e me deste este maravilhoso jardim e todos estes maravilhosos animais e esta serpente tão graciosa, mas ... não sou feliz.
- Porquê, Eva? - disse a voz lá de cima.
- Deus, estou sozinha e não aguento comer mais maçãs.
- Bem, Eva, nesse caso, tenho uma solução. Criarei um homem para ti...
- O que é um homem, Deus?
- Um homem será uma criatura defeituosa, com muitos atributos negativos. Mentiroso, arrogante, vaidoso; em resumo, fará da tua vida um inferno. Mas... será maior, mais rápido, e vai caçar e matar animais para ti. Terá um aspecto estúpido quando ficar excitado, mas, para que não te queixes, criá-lo-ei com o objectivo de satisfazer as tuas necessidades físicas. Será patético e sentirá prazer em coisas infantis, como lutar e dar pontapés numa bola. Não será muito inteligente e vai precisar do teu conselho para pensar adequadamente.
- Parece óptimo - disse Eva com um sorriso irónico.
- Porém...
- Qual é o problema, Deus?
- Bem... irás tê-lo com uma condição.
- Qual, meu Deus?
- Como te disse, será orgulhoso, arrogante e egocêntrico...
Assim terás que deixar que ele acredite que eu o fiz ...primeiro.
Morfeu
Message
Caro Suporte Técnico:
O ano passado fiz um upgrade do NAMORADO 5.0 para o MARIDO 1.0 e notei uma redução significativa da performance, principalmente nas aplicações FLORES e JÓIAS, que operavam sem falhas em NAMORADO 5.0. Além disso, o MARIDO 1.0 desinstalou outros programas importantes como ROMANCE 9.5 e ATENÇÃO AO QUE EU DIGO 6.5 e instalou aplicações indesejáveis, como SUPERLIGA 5.0. Também não tenho conseguido correr os programas CONVERSAÇÃO 8.0 e LIMPAR A CASA 2.5. O sistema fica bloqueado. Tentei correr o RECLAMAR 5.3 para corrigir esses bugs e não consegui nada.
Que hei-de fazer???
Ass.: Desesperada.
Cara desesperada:
Primeiro, tenha em atenção que o NAMORADO 5.0 é um programa de entretenimento, enquanto MARIDO 1.0 é um sistema operativo. Comece por fazer o download de LÁGRIMAS 6.2 e depois digite o comando C:\EU PENSEI QUE ME AMAVAS, para instalar o CULPA 3.0. Essa operação actualiza automaticamente as aplicações FLORES 3.5 e JÓIAS 2.0. No entanto, lembre-se que o uso excessivo desses programas no MARIDO 1.0 pode activar outros programas indesejáveis, como SILÊNCIO TOTAL 6.1 e FUTEBOL COM OS AMIGOS 7.0, que invariavelmente instala o CERVEJA 6.1. Este último é terrível, pois cria arquivos tipo WAV da versão RESSONAR ALTO 2.5. De qualquer forma, NUNCA instale SOGRA 1.0 ou reinstale qualquer versão de NAMORADO. Estas aplicações são incompatíveis e irão bloquear o funcionamento do sistema operativo MARIDO 1.0. Em resumo, MARIDO 1.0 é um óptimo sistema operativo, mas tem limitações de memória e demora a correr certas aplicações. Para o perfeito funcionamento do sistema, sugerimos que a senhora adquira alguns programas adicionais. Recomendamos JANTAR ROMÂNTICO 3.0 e LINGERIE 6.9!!! Tenha muito cuidado!. Algumas clientes instalam o FILHO 1.0 para tentar dar estabilidade ao sistema e muitas vezes isso causa um efeito contrário, acarretando uma necessidade de verificação total do sistema para garantir a existência de espaço no disco rígido e, sobretudo, assegurar a existência de um adequado ficheiro de paginação em MONEY 3.0!!
Boa Sorte.
Atenciosamente,
Suporte Técnico
Os genéricos vieram e, com eles, o governo prometeu que os doentes iriam poupar dinheiro.
Quando anunciou o novo sistema de preços de referência, o ministro da Saúde garantiu poupança generalizada para o Estado e para os utentes.
Segundo um estudo da Associação Nacional de Farmácias, em 2003 o Estado poupou 40 milhões de Euros, enquanto os doentes gastaram mais do que no ano anterior.
E a factura vai continuar a aumentar porque a taxa de majoração sobre o preço de referência, atribuída aos utentes do regime especial de comparticipação do SNS, só vigora até ao fim deste ano.
O consumo de genéricos ainda é baixo devido à resistência médica em prescrevê-los.
Por aqui se concluiu as promessas governamentais foram um logro para a os utentes.
Apesar da descida do preço de muitos medicamento de marca, apesar de um aumento relativo de consumo de genéricos, os doentes portugueses gastaram mais em relação ao ano anterior, devido à introdução do novo esquema de comparticipação dos medicamentos.
Não se compreende a resistência dos médicos à prescrição dos genéricos quando os mesmos são aceites em muitos países do mundo, inclusive onde há um forte controle de qualidade do medicamento. Portanto, só por hábitos de prescrição, resistência à mudança ou outros interesses camuflados, se pode entender a recusa de muitos médicos na introdução do genérico no receituário. No meio de tudo isto aparece ainda uma guerrinha entre os médicos e os farmacêuticos sobre a possibilidade de alteração da receita. Se a receita pode ou deve ser alterada, em nome dos interesses do doente, é o mote da discussão: cada um puxa a brasa à sua sardinha, mas, para o doente, não parece sobrar nem pão nem sardinha.
Sobre os preços dos medicamentos, há que realçar as movimentações da política de preços pela indústria farmacêutica. Alguns medicamentos de marca sofreram reduções de 50%! Será de perguntar porque não poderia ter sido feito anteriormente. Simplesmente porque a industria do comprimido o que dá com uma mão tira com a outra. E muito provavelmente tira mais do que dá. Portanto, entre genéricos, produtos “brancos” e produtos de marca, as alterações de preço vão conduzir a um equilíbrio de receitas para os laboratórios de maneira que as receitas fiquem, no mínimo, inalteradas. Como é usual, o contribuinte sai penalizado porque a comparticipação do Estado diminui à custa do doente. E, neste estado de coisas, se o doente protestar o Estado limita-se a responder que a culpa é do médico, que poderia receitar um genérico mais barato.
Não parece haver dúvidas que, em Portugal, se consome medicamentos em excesso.
Mas já se analisou a razão de tal facto?
Se o Estado investisse mais nos cuidados de saúde preventiva, será que não ajudava a diminuir o consumo de medicamentos?
Se não houvesse longas filas de espera para uma mísera consulta, ou se os utentes não tivessem de ir para longas filas de madrugada, ou deslocar-se a muitos quilómetros de distância para uma consulta, também não ajudaria a diminuir o consumo?
A falta de meios auxiliares de diagnóstico e a espera por longo tempo não faz que o estado de muitos doentes se agrave?
E a falta de organização dos centros hospitalares, a chamar mortos para consultas e operações, não ajudaria os vivos na resolução dos seus males?
Muita coisa vai mal na saúde de Portugal há muitos anos.
Até agora foram-se usando uns remendos para tapar os buracos mais visíveis, mas o sistema continua com uma “virose” multi-resistente no seu interior que até hoje ninguém acertou no “antibiótico” a usar, pelas simples razão de que não há um comprimido milagroso para a nossa doença. Precisamos alterar o funcionamento de muitas coisas desde o ministério da saúde ao hospital, ao centro de saúde, ao médico, do enfermeiro à organização burocrática, à farmácia,.....à mentalidade do doente.
Faz falta uma “revolução” ao sistema de saúde de ponta a ponta.
O rendimento per capita nas vinte nações mais ricas triplicou nos últimos quarenta anos, enquanto que nos vinte países mais pobres do mundo cresceu em média 21%, segundo os dados compilados num estudo elaborado nos últimos dois anos por uma comissão constituída pela Organização Mundial do Trabalho.
Explicando melhor, os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres.
Já muitos o sentiram na pele. Este estudo só vem confirmar a evidência de muitos milhões de seres humanos.
É triste saber que há neste mundo muitos milhões de pessoas que vivem com menos de um dólar por dia ou seja cerca de oitenta cêntimos de Euro.
É triste saber que há muitos milhões que morrem todos os anos por não terem nada para comer.
É triste saber que, com uma pequena parte do orçamento bélico mundial, se matava a fome a todos esses desgraçados e que todos os outros que vegetam miseravelmente poderiam ter uma vida mais digna.
Há alturas em que é triste vivermos com seres que provocam esta violência, esta opressão e este egoísmo.
As causas dos acidentes na EN125 são muitas. O que ninguém refere é a sinalização desconcertante que se encontra ao longo da via.

Agora que obrigatoriamente entrámos, quase todos, numa tesura forçada, talvez a fórmula da Manela seja a única satisfação possível.
Opine a sua satisfação.
A utilização do transporte automóvel na grande Lisboa e Grande Porto duplicou de 1991 a 2001, segundo o estudo «Movimentos pendulares e organização do território metropolitano» destas duas regiões, divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística.
Neste período o transporte individual quase que duplicou.
Será possível que esta forma de transporte continue a crescer a este ritmo?
As cidades aguentarão esta invasão diária até que ponto?
Os problemas derivados deste movimento diário como a poluição, o desperdício de combustível, as percas de tempo, o estacionamento, o stress, o cansaço e outros vão continuar a verificar-se até quando?
Acho que ninguém tem dúvidas que a eficiência do transporte nos nossos dias, está no transporte colectivo. Até agora a questão não foi resolvida porque ninguém conseguiu instalar uma rede de transportes colectivos rápida e eficiente. Enquanto não se criar esta rede eficiente é muito difícil motivar alguém ao seu uso. A prioridade devia ser em avançar com esta rede rapidamente. Penso que ninguém duvida que a solução do transporte está na rede ferroviária. Com a rede a funcionar minimamente, a pressão do automóvel particular cairia e facilitaria a gestão do tráfego e do estacionamento. Sem esta rede só esquemas altamente penalizadores poderão demover muita gente a utilizar o carro particular. De qualquer forma, a introdução de formas alternativas ao transporte individual carecem de bastante tempo para a sua implantação, pelo que actualmente lidamos com questões que já deveriam estar resolvidas há muitos anos.
Sem uma visão concertada e abrangente com os vários interlocutores, colocam-se remendos pontuais para as situações mais graves, e a questão global vai-se agravando dia para dia.
Morte de José Manuel Afonso dos Santos (1929-1987), mais conhecido por Zeca Afonso.
Zeca foi um dos expoentes máximos da música popular portuguesa, e ficará sempre no coração e na memória das várias gerações que tiveram a oportunidade de admirar as suas letras e a sua música.
«Cantigas do Maio», «A Morte Saiu à Rua», «O Que Faz Falta», «Venham mais Cinco» e «Os Vampiros» são alguns dos seus êxitos.
«Grândola Vila Morena» tornou-se ainda mais famosa por ter servido de sinal para o início das operações da revolução do “25 de Abril”.
Certa vez, o mestre taoísta Chuang Tzu sonhou que era uma borboleta, voando alegremente aqui e ali. No sonho ele não tinha a mínima consciência de sua individualidade como pessoa. Ele era realmente uma borboleta e tudo lhe parecia absolutamente real.
Repentinamente, ele acordou e descobriu-se deitado na cama, uma pessoa novamente.
Mas então ele pensou para si mesmo:
"Fui antes um homem que sonhava ser uma borboleta, ou sou agora uma borboleta que sonha que é um homem?"
Conto Zen (adaptado por moi-même)

Mauritus Cornelis Escher
Xilogravura de 1938
Se nos fixarmos no losango branco central a baixo, automaticamente somos levados até ao céu, e o que de início era uma simples figura geométrica rapidamente se transforma num pássaro. Os pássaros brancos voam para a direita em direcção à noite que recobre uma pequena aldeia holandesa à beira de um rio. Os pássaros negros, por sua vez, sobrevoam uma imagem iluminada pelo sol, que é exactamente a imagem reflectida da paisagem nocturna.
Mauritus Cornelis Escher, nasceu em Leeuwarden na Holanda em 1898, faleceu em 1970 e dedicou toda a sua vida às artes gráficas. Na sua juventude não foi um aluno brilhante, nem sequer manifestava grande interesse pelos estudos, mas os seus pais conseguiram convencê-lo a ingressar na Escola de Belas Artes de Haarlem para estudar arquitectura. Foi lá que conheceu o seu mestre, um professor de Artes Gráficas judeu de origem portuguesa, chamado Jesserum de Mesquita.
Com o professor Mesquita, Escher aprendeu muito, conheceu as técnicas de desenho e deixou-se fascinar pela arte da gravura. Este fascínio foi tão forte que levou Mauritus a abandonar a Arquitectura e a seguir as Artes Gráficas. Quando terminou os seus estudos, Escher decide viajar, conhecer o mundo! Passou por Espanha, Itália e fixou-se em Roma, onde se dedicou ao trabalho Gráfico. Mais tarde, por razões políticas muda-se para a Suíça, posteriormente para a Bélgica e em 1941 regressa ao seu país natal.
Estas passagens por diferentes sítios, por diferentes culturas, inspiraram a mente de Escher, nomeadamente a passagem por Alhambra, em Granada, onde conheceu os azulejos mouros. Este contacto com a arte árabe está na base do interesse e da paixão de Escher pela divisão regular do plano em figuras geométricas que se transfiguram, se repetem e reflectem, pelas pavimentações. Porém, no preenchimento de superfícies, Escher substituía as figuras abstracto-geométricas, usadas pelos árabes, por figuras concretas, perceptíveis e existentes na natureza, como pássaros, peixes, pessoas, répteis, etc.
Seja lá quem for o Freddie Mercury que escreveu isto a verdade é que esta paixão não é recomendável.

Estamos a investigar para saber se já há modelo Paulo Portas pronto para entrar no mercado. O chamado Porta(s)-caneta.
Em Nairobi, no Quénia, depois de um extenso processo de recrutamento com entrevistas e testes , uma grande empresa contratou um grupo de canibais:
- "Agora vocês fazem parte de uma grande equipa" - disse o director de RH, durante a cerimónia de boas-vindas.
E continuando:
- "Vocês vão desfrutar de todos os benefícios da empresa, por exemplo, podem ir à nossa cantina quando quiserem comer alguma coisa. Só peço que não comam os outros empregados!"
Quatro semanas mais tarde, o director de RH chamou-os:
- "Vocês estão trabalhando duro e eu estou satisfeito, mas uma das nossas secretárias desapareceu. Algum de vocês sabe o que pode ter acontecido?"
Todos os canibais negaram com a cabeça. Depois de o chefe ir embora, o líder canibal pergunta:
- "Quem foi o idiota que comeu a secretária?"
Um deles, timidamente, ergue a mão. O líder responde:
- "Mas tu és mesmo um asno! Quatro semanas a comer engenheiros e ninguém percebeu nada... Mas não, tu tinhas que estragar tudo e comer uma secretária!".
Morte do escritor e professor Vitorino Nemésio (1901-1978).
Natural do Açores, foi professor da Faculdade de Letras de Lisboa.
Poeta, ficcionista, ensaísta, cronista, crítico literário, recebeu o Prémio Nacional de Literatura em 1966.
Festa Redonda (1950), Nem Toda a Noite a Vida (1952), O Pão e a Culpa (1955), O Verbo e a Morte (1959), O Cavalo Encantado (1963), Canto da Véspera (1966), Sapateia Açoriana (1976) e ainda o romance Mau Tempo no Canal (1944), são algumas das suas obras em destaque.

O Congeminações protestava por os modelos anteriores não terem peitos fartos e arrebitados, recorrendo mesmo se necessário ao silicone. Lamentamos, não poder satisfazer de momento a reclamação deste nosso amigo. Para entrega imediata, só temos barrigas cheias e bastante volumosas, mas ainda dentro do prazo de validade.
Uma empresa, entendeu que estava na altura de mudar o estilo de gestão e contratou um novo administrador.
Este veio determinado a agitar as bases e tornar a empresa mais produtiva.
No primeiro dia, acompanhado dos principais assessores, fez uma inspecção a toda a empresa.
No armazém todos estavam a trabalhar, mas um rapaz novo estava encostado à parede, com as mãos nos bolsos. Vendo uma boa oportunidade de demonstrar a sua nova filosofia de trabalho, o administrador perguntou ao rapaz:
- Quanto é que você ganha por mês?
- Quinhentos Euros - respondeu o rapaz sem saber do que se tratava.
- Porquê?
O administrador tirou quinhentos Euros do bolso e deu-os ao rapaz, dizendo:
- Aqui estão os seus quinhentos Euros deste mês. Agora desapareça e não meta aqui os pés nunca mais!
O rapaz guardou o dinheiro e saiu o mais depressa que pode.
O administrador, enchendo o peito, pergunta ao grupo de operários:
- Algum de vocês sabe o que este tipo fazia aqui?
- Veio entregar uma pizza - respondeu um dos operários .
Seguindo a sugestão do Período e da Blogotinha acrescento, esta Rainha, esta Princesa, esta Duquesa e este Rei, a esta festa de Carnaval.
Muitas são as queixas sobre os horários dos eclipses. Que dão tarde e a más horas, que o céu estava nublado e ninguém conseguia ver a ponta de um corno, que não apagaram a luz como é costume fazer no cinema, e, portanto, o espectáculo saiu descolorado... Enfim, lamentações atrás de lamentações que põem o muro do mesmo nome como um local de regozijo. Ora parem lá de reclamar e comecem a procurar aqui e ali, verão que há sempre um eclipse à espera de ser descoberto.
A partir de agora cada um pode ter o seu eclipse sempre à mão e sempre pronto a ser contemplado.
Nota prévia: Eu acho que as loiras não ligam a estas piadas correntes e têm suficiente inteligência para encaixar esta provocação; para as que não tiverem, então isto não é uma provocação.....
Uma loira não conseguia passar no teste para emprego nenhum. Resolveu tomar uma atitude extrema para ganhar dinheiro:
- Vou sequestrar uma criança! - pensou! Com o dinheiro do resgate eu resolvo a minha vida...
Ela encaminhou-se para um parque infantil, num bairro de luxo, viu um menino muito bem vestido, puxou-o para trás da moita e foi logo escrevendo o bilhete:
"Querida mãe isto é um sequestro. Estou com seu filho. Favor deixar o resgate de $10.000,00, amanhã, ao meio-dia, atrás da árvore do parquezinho.
Assinado: Loira sequestradora!
Então ela pegou o bilhete, dobrou-o e colocou no bolso da jaqueta do menino, dizendo:
- Agora vai lá, corre e entregue esse bilhete para a sua mãe.
No dia seguinte, a loira vai até o local combinado. Encontra uma bolsa! Ela abre, encontra $10.000,00 em dinheiro limpinho e um bilhete junto, dizendo:
"Está aí o resgate que você me pediu. Só não me conformo como uma loira pode fazer isso com outra...!!!!!!!"

Esta sugestão vem a pedido de alguns patrícios que pretendem fazer umas manifestações junto a vários Centros de Saúde, por causa das deficientes condições dos mesmos.
Será que esta é a imagem que eles gostariam de encontrar nesses centros, quando se vão queixar dos seus males?
O Gabinete de Auditoria e Modernização é o mais pequeno departamento do Estado – tem uma Directora, um subDirector e um motorista – mas tem ordenados principescos - 5.541 Euros para a Directora e 5.380 Euros para o subDirector.
A Celeste Cardona desencantou este departamento, que em tempos tinha considerado inútil, para encaixar dois jovens quadros, com pouca experiência mas com salários máximos.
Temos aqui mais um caso de um “job for a girl” e outro “job for a boy” arranjados à pressão, talvez para ajudar o amigo Bagão na colocação dos licenciados desempregados. Só que estes não saíram das listas do fundo de desemprego, mas da do partido ou da dos amigos.
Razão tem a Celeste ao dizer que continua a receber a confiança do PM e do presidente do seu partido, a que nós acrescentamos a confiança dos amigos (pelo menos enquanto for arranjando uns tachos para o pessoal). Onde ela já não goza de confiança nenhuma é no seio do povo português....
Um grande e sábio guerreiro japonês chamado Nobunaga decidiu atacar o exército inimigo. Apesar de ele ter apenas um décimo do número de homens do exército oponente, tinha esperança na vitória pois Nobunaga confiava na qualidade da sua estratégia e na eficácia das suas tácticas de guerra. O grande problema estava nos seus soldados, cheios de dúvidas e receios à vista do tamanho descomunal do inimigo, muitos deles recusando-se a combater por acharem que nem valia a pena.
Então Nobunaga disse aos seus homens: Vou ao templo rezar e pedir conselho. Faço o seguinte: se sair cara, é porque o destino nos reserva a vitória e, então, podemos ir para o combate sem medo. Se sair coroa, é porque vamos perder e, então, desistimos da batalha.
Assim foi e saiu cara. Os soldados, entusiasmados com a boa sorte que o destino lhes reservava, lutaram com tanto ardor e determinação que, apesar da posição desvantajosa, conseguiram sair vitoriosos.
No final da batalha, o ajudante de Nobunaga, orgulhoso na vitória, comentou com o grande chefe guerreiro: Ninguém pode mudar a força do destino. Com tão poucos homens e, mesmo assim, ganhamos.
Então Nobunaga, sem nada lhe responder, sorriu apenas e, em segredo, contemplou as duas faces da moeda da sorte utilizada no templo. Ambas eram cara, pois a moeda tinha sido por ele previamente duplicada, possuindo a cara impressa nos dois lados.
Conto Zen (adaptado por moi-même)
O Ministério da Saúde espera começar a substituir os actuais cartões de utentes por um novo cartão electrónico já em 2005. De acordo com a edição desta quarta-feira do Diário Económico, este irá permitir o pagamento das taxas moderadores, identificar o sub-sistema de saúde a que o utente pertence, além de discriminar a sua classe de rendimentos.
Ainda segundo o jornal, é intenção da tutela introduzir com estes novos cartões uma discriminação positiva no pagamento dos cuidados de saúde, consoante os rendimentos dos utilizadores.
Se as finanças não conseguem tributar correctamente os contribuintes, por falta de transparência nos rendimentos, como é que o Ministério da Saúde pode introduzir uma classificação justa? Onde irá buscar a informação?
No meio disto tudo, o Zé deve ficar entalado, como é costume. Gato escaldado de água fria tem medo...
(Momento que se pretende apenas de humor....nada de seriedade ou subentendidos)
A cena passa-se num templo Shaolin:
O discípulo:
-"Sábio e honrado Mestre, poderia ensinar-me a diferença entre uma pérola e uma mulher? "
O Mestre:
-"A diferença, humilde gafanhoto, é que numa pérola se pode enfiar por dois lados, enquanto numa mulher se pode enfiar somente por um lado."
O discípulo (um tanto confuso):
-"Mas Mestre, longe de mim pensar contradizer vossa shaoliniana sabedoria, mas ouvi dizer que certas mulheres permitem ser enfiadas pelos dois lados! "
O Mestre (com um fino sorriso):
-"Nesse caso, curioso gafanhoto, não se trata de uma mulher mas sim de uma pérola .... "
Entretanto, os meus pais mudaram de casa, os acidentes da vida levaram-me para outras terras e outros convívios e, durante longos tempos, não voltei a conversar com Ti Duarte e Ti Gracinda.
Foi no ano em que o meu filho nasceu, nas férias de Verão passadas em casa de meus pais, que um mero acaso me levou a visitar o velho das histórias de fadas, bruxas e feitiços das noites de sortilégio da minha juventude.
Era então eu a mãe mais babada do mundo, derramada de felicidade e orgulhosa das menores gracinhas do meu rebento, e tão cheia de esmerados desvelos e cuidados como só uma mãe recente e ainda com pouca experiência o pode ser. Por isso, na tarde soalheira em que visitei Ti Duarte, carregava o meu filho num braço e, no outro, um saco preparado para qualquer urgência e necessidade: fraldas descartáveis, algodão e óleo de limpeza, um biberão com água fervida e alguns utensílios e ingredientes necessários para o lanche do bebé.
Mal estacionei o carro, reconheci Ti Gracinda. Vinha do poço, pelo carreiro por mim tantas vezes percorrido na meninice. Mais curvada, mais baixa, usava o eterno lenço escuro na cabeça e trazia agora, apesar do calor, um xaile de lã traçado no peito. Entre as mãos, apertada pelo bojo, carregava com cuidado uma bilha pequena de barro.
«Fui buscar uma infusinha de água ao poço. A da torneira não me dá satisfação», confidenciou, de olhos húmidos, depois do primeiro espanto de me voltar a ver.
Quanto a Ti Duarte, adiantava ela, também ia «menos mal para a idade. Um ouvido e uns olhos que parecem de moço, benza-o Deus. De pernas é que já anda um pouco peado.»
A voz de Ti Gracinda tremia, comovida: «A alegria que ele não vai ter, menina, de a voltar a ver.»
A cozinha era a mesma. Talvez um pouco mais vazia, mais escura, apesar do candeeiro eléctrico - chapeuzinho metálico na ponta de um fio branco que escorria do tecto - que substituíra o antigo “petromax”. Apesar da televisão moderna, a cores, e que eu só descobri, numa prateleira pequena suspensa da parede, já a conversa e o desenrolar das novidades ia alto.
«Pois é, menina, já casada e com um filho nos braços!...» Uma névoa de saudade sombreava os olhos ainda vivos do velho: «Parece que foi ontem que a menina cá vinha comprar leite mais o seu mano e a sua mãe...»
E eu partilhei a saudade: «As histórias que então me contava!... Parecia que o mundo se desfazia em bruxas e bruxarias. E o Ti Duarte sempre a jurar-me que aquilo era tudo verdade, verdadinha. E olhe que eu dizia que não acreditava mas, lá no fundo, ficava cheia de medo. Apesar de me estar sempre a repetir que bruxas eram coisas dos tempos antigos, que tinham desaparecido, quando eu abalava daqui da sua casa ia todo o caminho enroscada no braço da minha mãe e nem levantava os olhos para os lados, não fosse avistar ainda a sombra de alguma bruxa por aí perdida. O Ti Duarte enchia-me de medo com as patranhas que me pregava.»
«Ora menina, o que eu gostava era de a ouvir, a si e ao seu mano. Mas que eu fui criado nuns tempos muito maus, que passei muita fome e necessidades, lá isso é verdade. Por isso não era de admirar que visse bruxas em todas as curvas do caminho, fraquinho e moídinho de trabalho como andava. Mas a menina Anita já cresceu com outras farturas e outros cuidados. Por isso é que eu lhe dizia que, no seu tempo, já não havia dessas coisas. E agora, então, tem aí um menino lindo e criado com tanto mimo e fartura que dá gosto ver.»
Escurecera sem darmos por isso, animados pela conversa. Pela porta larga da cozinha, aberta de par em par, entrava a sombra morna do fim de tarde e o canto, ainda tímido e abafado, dos primeiros ralos e grilos a acordarem a noite.
Ti Gracinda carregou no interruptor e, do chapeuzinho redondo do candeeiro, derramou-se uma cascata de luz que inundou a cozinha.
E foi então, nesse preciso momento, que o rosto do velho contador de histórias se fechou - nuvem escura que ensombra o sol - absorto, silencioso, afundado num qualquer pensamento íntimo ou, quem sabe, nalguma longínqua recordação.
Quando levantou a cabeça, fixou em mim uns olhos velados de tristeza e disse, devagar, pausando as palavras:
«Sabe, menina, qual era, afinal, a grande mentira que, nesse tempo, eu lhe contava? Era que as bruxas eram coisas do passado. Infelizmente, ainda as há e das negras.»
Fiquei-me a olhar para ele, a tentar entender-lhe o pensamento.
«Pois é, menina, eu sei ler pouco. Mas ouço, aprendo... Já vivi muito e sinto as coisas dentro de mim. E agora, com o rádio e a televisão, a gente fica a saber coisas que se passam por esse mundo fora. Já não conhece só o nosso canto. Olhe, as vezes eu até me arrepio. Quando vejo essas criancinhas em pele e osso, nesses países mirrados pela fome, todas mais mortas que vivas, agarradas à teta ressequida das mães, que mais parecem esqueletos em pé, com moscas a passearem-lhe na cara... E quando sei que se deitam para as estrumeiras carregamentos inteiros de frutas, que se mandam queimar searas imensas só por causa dos preços dos produtos nos mercados, da ganância de uns quantos para terem lucros muito grandes... E se compram tantas armas e se fazem tantas guerras quando, com o preço de uma dessas bombas de matar gente, se alimentava uma vila inteira... Diga lá, menina, acha que as bruxas já acabaram? Continuam a existir, não vivem é junto aos poços nem nas encruzilhadas. Vivem na cabeça e no coração dos homens.»
Ti Duarte enxugou com as costas da mão os olhos húmidos. «O que sobra e se desperdiça num lado é o que faz falta no outro. E a culpa é dos homens e das suas políticas. Por mais desculpas e falsas explicações que inventem, a verdade é que a Terra é mãe e tem o suficiente para todos os seus filhos. Mas a Terra é como uma grande casa que tem de ser bem governada. E os homens governam mal a Terra, algumas vezes por ignorância mas a maior parte porque não se importam uns com os outros. Por egoísmo. Por quererem tudo para eles. Pelo feitiço da ganância que lhes tapa os ouvidos, fecha os olhos e cerra os corações.»
Os olhos do velho tinham agora o brilho dos iluminados:
«Acredite, menina, as bruxas são o egoísmo que vive no coração dos homens. E está nas mãos dos homens acabar de vez com elas e fazer da Terra um local sem feitiços onde dê gosto viver. Para todos, não só para uns quantos.»
Despedimo-nos. De pé, no umbral da porta da cozinha, Ti Duarte ficou longamente a acenar com a mão emagrecida. O canto dos grilos e ralos era agora uma orquestra grande, poderosa e afinada. Apertei o meu filho nos braços e as palavras do velho cresceram na noite calma, sob o negro céu flamejante de estrelas: «Está nas mãos dos homens fazer da Terra um sítio bonito para se viver. Para todos os seus filhos!»
F I M
anamar - 1989
Este conto faz parte de uma colectânea premiada com uma Menção Honrosa na IV edição (2002) do Prémio Nacional de Conto Manuel da Fonseca, promovido pela Câmara Municipal de Santiago do Cacém.
O Director Geral de uma grande empresa pergunta ao Vice Director, que não tinha nada para fazer:
- Fazer amor com minha mulher é trabalho ou prazer?
- Não sei... - disse o Vice Director - teria que analisar melhor.
O Director Geral dá-lhe uma hora para responder. Então o Vice Director comunica com o Director de Recursos Humanos, dando-lhe 45 minutos para responder:
- Quando o Director faz amor com a mulher dele, isto é trabalho ou prazer?
O Director de Recursos Humanos também não soube responder, e perguntou ao Técnico de Informação, que igualmente estava sem ter que fazer no momento.
O Técnico de Informação também não sabe a resposta, pergunta ao seu subalterno, dando-lhe 30 minutos para a resposta.
A pergunta passa pelos vários escalões da empresa até que chega ao estagiário.
O chefe chama-o, ele que tem uma pilha de trabalhos pendentes na sua mesa, e diz-lhe que tem 5 minutos para responder se quando o Director Geral faz amor com a mulher dele é prazer ou trabalho.
Imediatamente o estagiário, sem levantar a cabeça dos papéis, responde-lhe:
- É prazer!
O chefe, intrigado, pergunta-lhe como chegou tão rapidamente essa conclusão:
- É fácil, se fosse trabalho teria que ser eu a fazê-lo!!
A maioria dos portugueses considera ter chegado a altura de realizar um novo referendo sobre o aborto. A conclusão surge expressa numa sondagem SIC/Expresso realizada pela empresa Eurosondagem.
Entre os que defendem a realização do referendo, uma esmagadora maioria deseja que este tenha lugar ainda este ano de 2004, ao contrário de 16,3%, que gostaria que consulta popular só acontecesse em 2005. Apenas 3,1% pretende que o escrutínio seja adiado para depois das próximas eleições legislativas, em 2006.
Curioso, igualmente, é o número elevado de inquiridos que afirmou pretender votar num possível referendo, depois dos dois referendos realizados até agora terem tido taxas de participação muito baixas, sendo que, dos portugueses que estão a pensar ir votar, quase 80% afirma que irá dar o seu voto a favor da despenalização do aborto e apenas 14% assume que irá votar contra.
Quem tem medo da mudança?
Quem quer amarrar o país ao passado?
Quem tem medo do debate?
Quem recusa o desenvolvimento?
Quem tem medo que o povo se expresse?
Ontem roubaram-me as rodas durante a minha pausa para o café que habitualmente faço entre as 10h e as 10:15h.
Se algum de vocês, fieis amigos, viu alguma coisa, por favor digam-me.
Eu até ofereço uma recompensa a quem me puder ajudar.
Junto vai uma foto tirada no local do roubo.
Desde já agradecido.
Mas, histórias de partir a respiração, eram as das bruxas e fadas, mais as dos espíritos e almas penadas e também as das palavras más.
«Sim, más palavras, o que é que cuidam, são piores que os micróbios das doenças modernas. Piores, bem piores, que para as doenças ainda ele se vão achando remédios, para as palavras más, muitas vezes, nem o arrependimento lava o mal».
E Ti Duarte dava exemplos:
«Olhe o Zé Coxo, Deus Nosso Senhor me perdoe, mas o pai dele, o Alforreca, era cá uma má língua!... Não havia mulher honrada na boca dele, não havia gente honesta, no dizer dele era tudo ladrões e vadios. E ainda se fossem só palavras... Toda a gente se lembra que ele desgraçou uma rapariguinha. A pobre, que não tinha mais que quinze ou dezasseis anos, ia todos os dias levar o almoço ao pai, que andava a trabalhar no campo. Um dia, o Alforreca, que já nesse tempo era homem casado, espreitou a miúda, meteu-se com ela, não só a desgraçou como mulher como lhe deixou uma perna toda roxa, que a miúda quase que nem se cura, andou com a perna inchada tempos sem fim, até se falava que ia ficar coxa. Afinal, olhe, pouco depois nasce o filho do Alforreca, o único que tem, e veja-se aquela miséria que até mete dó, Deus me perdoe, todo coxo e aparvalhado que é uma desgraça. Foi castigo, pode crer, elas cá se fazem cá se pagam, as vezes demoram mas pagam-se, pode ter a certeza.»
Ti Gracinda, reparando nos meus estremecimentos amedrontados, ralhava: «Ó homem, cala-te lá para aí com essas coisas que assustas as crianças.»
Mas o marido não lhe dava troco: «Isto são coisas da vida, o que é que pensam, as pessoas é que não acreditam. Se acreditassem que os maus pensamentos e as más palavras e o desejar e fazer mal aos outros, a nós mesmos é que nos vem parar, de uma forma ou outra, havia menos invejas e menos maldade no mundo, as pessoas eram melhores umas para as outras.»
Ficava-se um bocado a abanar a cabeça e depois acrescentava: «Eu percebo que as pessoas modernas não creiam nestas coisas, são coisas que parecem doutros tempos. Olhe, eu, por exemplo, também me custa a acreditar